Confira os lançamentos da série O que o ISP pode fazer por…? em 2019

Cidades Sustentáveis, Mudanças Climáticas, Segurança Pública, Água, Migrações e Refugiados, Direitos das Mulheres, Gestão Pública e Equidade Racial. Além de figurar entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), os oito temas formam a série O que o ISP pode fazer por…?

Com apoio de Fundação Grupo Boticário, Fundação Lemann, Fundação Tide Setubal, Instituto Avon, Instituto C&A, Instituto Clima e Sociedade, Instituto Coca-Cola Brasil, Instituto Humanize e Instituto Unibanco, a iniciativa, lançada em abril de 2018 em uma das trilhas do X Congresso GIFE, visa a trazer para a pauta assuntos estratégicos da agenda pública nos quais a atuação do investimento social privado (ISP) ainda é tímida ou insuficiente para responder aos desafios atuais.  

Chamar a atenção do ISP para a importância dessas agenda e apoiar investidores que tenham interesse em iniciar ou fortalecer sua atuação em um dos oito temas foi uma das motivações para o lançamento da série, que conta com um leque de produtos com o objetivo de disponibilizar insumos e inspirar formas inovadoras e relevantes de intervir na realidade social e ambiental para melhorar a qualidade de vida nas cidades brasileiras.

Gustavo Bernardino, gerente de programas do GIFE, explica que o lançamento da série está conectado à crença de que o fortalecimento do campo do ISP está diretamente ligado à diversidade de estratégias de atuação que o compõem. “As temáticas elegidas tanto perfazem uma agenda pública contemporânea, pulsantes enquanto demandas da sociedade, como dialogam com os ODS da ONU.” 

O gerente reforça que, entre as estratégias de elaboração, lançamento e disseminação de cartilhas, está a parceria com organizações com expertise nos temas. “Tivemos o lançamento dos guias sobre Cidades Sustentáveis (copromovido por Fundação Tide Setubal, Fundo Socioambiental CASA e Rede Nossa São Paulo/Programa Cidades Sustentáveis); Equidade Racial (em parceria com Instituto Unibanco, Fundo Baobá e CEERT); Mudanças Climáticas (apoiado por Instituto Clima e Sociedade, Fundação Grupo Boticário e Observatório do Clima); e o tema de Água (copromovido por Instituto Coca-Cola, Aliança pela Água, Observatório de Governança das Águas, Trata Brasil e Fundação Grupo Boticário, que apoiou a criação de uma edição da P22_ON sobre o tema). 

Materiais 

Para cumprir com o objetivo de ser fonte de informação para investidores que desejam aplicar seus recursos, a série contou com um intenso trabalho de pesquisa – com o objetivo de ter um panorama de cada tema e seus principais desafios no Brasil e no mundo -, a realização de entrevistas com especialistas, que resultaram em vídeos curtos sobre cada temática -, além da realização de workshops que reuniram interlocutores de diferentes esferas, como poder público, academia, organizações da sociedade civil e investimento social privado. 

Cada vivência deu origem a uma cartilha, composta por um panorama sobre o assunto com conceitos e informações sobre contexto e tendências, bem como desafios e caminhos para atuação do ISP nas agendas. A criação da metodologia, facilitação e sistematização dos workshops, assim como a pesquisa complementar e redação dos guias temáticos ficou a cargo da Move Social. 

A ideia é que toda essa produção de conhecimento possa apoiar institutos e fundações na aproximação com o tema, fornecendo exemplos práticos e bem-sucedidos que estimulem o investimento nas temáticas. “Somam-se aos guias um vídeo-manifesto do projeto, que convoca os atores do investimento social a repensarem suas estratégias de atuação, seja incorporando novos temas, seja absorvendo alguns desses recortes temáticos à atuação da organização”, afirma Gustavo.

Temáticas 

Ao longo de 2019, foram promovidos encontros de lançamento de quatro das oito cartilhas produzidas: Cidades Sustentáveis, Equidade Racial, Mudanças Climáticas e Água

O primeiro tema da série, Cidades Sustentáveis, usou dados de estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) – que mostram que entre 2001 e 2030, a área urbana ocupada triplicará e que, até 2050, cerca de 70% da população mundial estará vivendo em áreas urbanas -, para reforçar a importância de se pensar como é possível unir o crescimento econômico e bem-estar aos quais as cidades estão associadas e, ao mesmo tempo, superar desafios intrínsecos ao crescimento urbano, como habitação, saneamento, mobilidade e periferias. Nessa frente, foram cinco as estratégias para pensar o tema, como o desenvolvimento de soluções urbanas inovadoras – considerando que, apenas no Brasil, 85% da população reside em cidades -, fomento da produção e gestão sustentável dos recursos e seus resíduos, entre outras. 

O guia sobre Equidade Racial ressaltou a dívida histórica que a população mundial tem para com as pessoas negras. No contexto brasileiro, apesar de mais da metade (50,7%) da população ser negra, o racismo estrutural ainda marca forte presença, sendo o motivo principal de muitas das desigualdades, como a diferença na taxa de analfabetismo de negros (9,3%) e brancos (4%), e o fato de 70,8% das pessoas em situação de extrema pobreza serem negras. Entre as seis estratégias mapeadas pelo guia estão o fortalecimento de iniciativas promovidas por organizações negras ou lideradas por pessoas negras, fomento ao empreendedorismo negro, equidade racial no mundo corporativo e campo educacional, entre outras. 

Para manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC, as emissões de dióxido de carbono teriam que diminuir cerca de 45% entre 2010 e 2030 e as emissões líquidas de gases de efeito estufa zeradas até 2050. Junto o esse cenário, o planeta apresenta elevação de 1,1ºC em relação às médias de temperatura antes da Revolução Industrial. Esses foram apenas alguns dos desafios pontuados no guia sobre Mudanças Climáticas. Especialistas no tema reforçam que a agenda não trata apenas do aspecto ambiental, mas precisa ser encarada transversalmente. As sete estratégias para enfrentar os desafios dessa agenda incluem advocacy para questões climáticas, produção e disseminação de conhecimento, fomento a modelos sustentáveis de negócio, fomento a iniciativas inovadoras voltadas a questões climáticas. 

Mesmo a água sendo um recurso escasso e essencial à vida, calcula-se 38% de perda da água já tratada nos sistemas de distribuição no Brasil. Além disso, o brasileiro consome diariamente 44 litros a mais que o suficiente apontado pela ONU. Ligado diretamente a saneamento, Água foi o tema do último guia da série lançado em 2019. Entre as seis estratégias apontadas para responder a desafios complexos – entre eles, poluição de rios urbanos, degradação de biomas, dificuldade na gestão de recursos hídricos e falta de acesso e de conscientização da sociedade sobre o ciclo e uso da água -, está conservação de bacias e uso do solo, apoio no aprimoramento do uso de água pelos setores produtivos, sensibilização da sociedade e produção e disseminação de conhecimento sobre o tema. 

Próximos passos 

A segunda rodada de lançamentos, prevista para 2020, terá início em janeiro com o tema Gestão Pública, seguido por Direitos das Mulheres, Migrações e Refugiados e Segurança Pública e Justiça Criminal, com datas a definir. 

Além do lançamento dos novos temas, Gustavo explica que o GIFE pretende promover o aprofundamento da articulação dos atores em cada tema, de modo que o ISP conte com espaços para debater os assuntos e, por consequência, torná-los mais presentes e representados junto à atuação do campo.

Todo o conhecimento, guias e vídeos produzidos e lançados até o momento estão disponíveis no site da iniciativa.

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