COVID-19: GIFE incentiva cooperação e produção de conhecimento e mapeia iniciativas e doações

Segundo a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), mais de R$ 3,8 bilhões foram mobilizados para responder à pandemia do novo coronavírus. Para chegar a essa quantia expressiva, foram necessárias ações de diversas frentes. Ao mesmo tempo em que estão no ar campanhas de arrecadação para fundos de financiamento, organizações da sociedade civil organizaram suas próprias arrecadações de recursos, alimentos e kits de higiene e limpeza, voluntários estão se mobilizando e a solidariedade tem se manifestado em diferentes cantos do país. 

Segundo Erika Sanchez Saez, coordenadora da iniciativa Emergência Covid-19 – Coordenação de ações da filantropia e do investimento social em resposta à crise, como a filantropia se propõe a somar esforços na resolução de problemas muito complexos – como educação, saúde, erradicação da pobreza e da fome, garantia de direitos humanos e muitos outros -, a ação colaborativa tem sido objeto de reflexão e um desafio para o campo e para toda sociedade. 

“Quando nos vemos em uma situação de emergência como a que estamos vivendo, a ação cooperativa, como premissa, fica muito mais evidente e se junta a outro desafio que é a questão do tempo da resposta, que precisa ser muito mais rápida e efetiva, caso contrário, não adianta. Para conseguir isso, é necessário colaborar e cooperar com outros setores, uma vez que fica mais evidente ainda o fato de que não é possível dar conta do problema sozinho”, explica. 

Pensando em maneiras de produzir maior colaboração, articulação e coordenação de esforços, principalmente entre os associados ao GIFE, mas também entre investidores sociais privados não associados, o GIFE lançou a iniciativa Emergência COVID-19. Trata-se da união de cinco frentes com o objetivo de promover a coordenação, difusão e efetividade das contribuições da filantropia, do investimento social privado e da sociedade como um todo para a construção de respostas aos impactos da pandemia da Covid-19 no Brasil. 

Segundo a coordenadora, entre as motivações para a criação da iniciativa, estão o fato de que todos os setores que compõem a sociedade precisam se mobilizar no combate à doença, desde o nível mais individual até o institucional, passando por uma reflexão sobre quais seriam as maiores formas de contribuição do GIFE enquanto organização de fomento da filantropia. “Ficou claro que nossa primeira tarefa deveria ser criar um espaço de compartilhamento de informações sobre o que a filantropia já está fazendo ou pretende fazer.” 

Eixos de ação

O eixo 1, Promoção de cooperação na mobilização de recursos para fazer frente à pandemia, consiste na realização de reuniões, que tiveram início na segunda quinzena de março, com organizações associadas e não associadas ao GIFE. “A partir de uma conversa inicial, onde cada organização compartilhou o que pretendia fazer, sabemos que foram feitos vários contatos bilaterais para somar esforços em pontos comuns. A partir daí, passamos a nos reunir semanalmente. Duas das seis reuniões que já realizamos foram temáticas: dividimos os participantes em três salas simultâneas para tratar dos temas proteção social econômica, saúde e educação”, explica Erika. 

Na quinta reunião, por exemplo, o GIFE apresentou a estratégia, além de debater com os participantes os impactos às organizações da sociedade civil. “Em um contexto de emergência, fica ainda mais claro o papel das OSCs de fazer a ponte entre os afetados diretamente pela emergência e aqueles que têm recursos para ajudar os mais vulneráveis. É por isso que o grantmaking é muito importante, para que essas organizações que, de alguma forma, têm mais conhecimento e expertise sobre determinado tema, tenham recursos para se manter.”

Já o eixo 2, Elaboração de diretrizes e mapeamento para a condução das ações, consiste na plataforma, que reúne atividades que já estão sendo realizadas por diversos representantes do investimento social privado em diferentes áreas; diretrizes; mapeamento e sistematização de informações para a condução das ações; chamadas para financiamento emergencial; dicas de apoio ferramental e técnico; ações de doação financeira, de alimentos, kits de higiene, de saúde; e outras. 

WebHours GIFE

Ao mesmo tempo em que realizava essas ações, conforme o desdobramento da pandemia no Brasil, o GIFE passou a sentir a necessidade, junto a seus associados e parceiros, de ir além da resposta emergencial e realizar reflexões de médio prazo. “Vimos que precisávamos criar um espaço que não cabia nas reuniões semanais, com o objetivo de pensar não tanto em o que e como fazer, mas sobre quais são as consequências de tudo o que está acontecendo agora e como lidamos com isso no médio prazo.” 

Assim, surgiram os WebHours GIFE, série de encontros virtuais que se propõe ao debate contínuo das ações estratégicas para o investimento social e a filantropia em face da Covid-19 em torno dos esforços de conexão, troca e colaboração em tempos de isolamento social. 

Até agora, já foram realizadas quatro edições: Sistemas de Saúde e Políticas de Proteção Social; Governos, Setor Privado e a Sociedade Civil; Violência contra Crianças e Mulheres; e Desafios da Educação Frente ao Isolamento Social. Erika reforça que, somado à vontade de reflexão e troca de informações está o contexto de isolamento social, no qual os debates online têm sido instrumentos importantes para que as pessoas possam manter o contato e os vínculos. 

Próximos passos 

Além das iniciativas que já estão em curso nos dois primeiros eixos da iniciativa, Erika comenta a criação de outras frentes de atuação. “Passado o primeiro mês, ficou claro que não se tratava de uma emergência de curto prazo. Percebemos que a pandemia irá deixar consequências e marcas e, possivelmente, ser promotora de transformações profundas na nossa sociedade em nível global. A partir dessa compreensão, começamos a elaborar um projeto que vai além da resposta imediata, com uma visão de médio prazo. Vamos trabalhar nisso até o final do ano.” 

Dessa forma, o eixo 3, Registro e disseminação das ações realizadas, consiste na criação da campanha Sociedade Viva, cujo objetivo é o registro, documentação e disseminação das ações realizadas, valorizando a mobilização cidadã diante da crise. “É um eixo relacionado à comunicação. Queremos aproveitar esse momento de sensibilização da sociedade e mobilização, com todo mundo mais solidário, e explicar, por meio de uma campanha de narrativas, o que o setor faz frente à emergência”, afirma Erika. 

Considerando que, até o fechamento dessa matéria, haviam sido arrecadados R$ 3.996.669.390,00, o GIFE articulou o eixo 4, Promoção de transparência e prestação de contas na destinação dos recursos mobilizados, para prestar contas dos encaminhamentos da quantia. A ideia é, a partir de informações fornecidas por pessoas responsáveis pela gestão desses recursos filantrópicos, criar uma nova plataforma, com dados e informações sobre onde o recurso está sendo aplicado. Essa frente de atuação será desenvolvida em parceria com a ABCR e com o Movimento por uma Cultura de Doação. 

O quinto eixo, Apoio ao acompanhamento e análise do conjunto das ações mobilizadas,  envolve a promoção de estudos avaliativos e análises reflexivas sobre a atuação da filantropia durante a crise, além de análises sobre como o momento impacta não só a filantropia, mas toda sociedade civil organizada de forma mais ampla. 

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