Criança Esperança chega à 34ª edição

A TV Globo, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (UNESCO) lançou mais uma chamada de projetos a serem financiados pelo projeto Criança Esperança.

Realizada desde 1986, a campanha tem como objetivo principal selecionar organizações da sociedade civil sem fins lucrativos responsáveis por projetos para promover a educação, o desenvolvimento humano, a inclusão social e o empoderamento de crianças e jovens, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social.

Beatriz Azeredo, diretora de responsabilidade social da Globo, explica que investir nesse público é fundamental, considerando que o cenário de garantia de direitos ainda é de vulnerabilidade. “O investimento social em crianças e adolescentes é provavelmente aquele que traz maior retorno para toda a sociedade em longo prazo. Quando investimos nesse tema, estamos investindo no futuro do país.”

Apesar de existir há 34 anos, a chamada de projetos ainda tem alguns desafios. Um deles é selecionar projetos de regiões como a Norte, já que o número de inscritos ainda é muito baixo. Sobre os progressos alcançados se comparados os cenários de crianças e adolescentes do começo do programa e de agora, Beatriz ressalta que ainda há muito o que melhorar.

“Mas, percebemos ao longo desses anos de Criança Esperança que a sociedade se engaja e mostra vontade de colaborar com a campanha a cada ano. Em 2018, na 33ª edição, arrecadamos R$ 17,7 milhões, valor que vai beneficiar 90 projetos por todo o Brasil, provando que o tema “sua esperança não está sozinha” segue tocando o público”, explica Beatriz.

Com a chamada desse ano, a expectativa é aumentar os números atingidos na campanha passada. Ao longo do tempo, foram R$ 374 milhões destinados a quase seis mil projetos, o que contribuiu para apoiar diretamente quatro milhões de crianças e jovens, dos quais 46 mil em 2019, a partir do edital do ano passado.

Escopo dos projetos

Podem participar da seleção propostas nas áreas de educação, cidadania, arte, cultura e juventudes que atendam crianças, adolescentes e jovens em vulnerabilidade, principalmente meninas, os que têm algum tipo de deficiência, que se encontram em situação de rua ou que pertençam a algum grupo minoritário como indígenas, migrantes, afrodescendentes, quilombolas, entre outros.  

Nesses recortes, são exemplos de projetos que podem participar: “educação para todos”, ao longo da vida; educação para o desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente; estímulo à conclusão do ensino médio e/ou preparação de jovens para o ingresso no ensino técnico, na educação profissional ou superior; preparação para o mundo do trabalho, empreendedorismo, cooperativismo e protagonismo juvenil e projetos de apoio a coletivos juvenis; alfabetização funcional; cultura como instrumento de inclusão social; prevenção da violência e promoção da cultura de paz; fortalecimento da rede de proteção social e de garantia/defesa de direitos, e outros.

Apesar desse amplo leque de possibilidades, essa 34ª edição do programa dará ênfase a projetos na área de esportes. A escolha justifica-se pelo fato que de os projetos selecionados nesse edital serão apoiados em 2020, próximo ano olímpico. Nesse sentido, Beatriz defende o uso do esporte como ferramenta de transformação social.

Serão consideradas práticas que promovam o esporte como direito humano, instrumento de inclusão social e desenvolvimento, ferramenta de prevenção à violência, esporte e empoderamento feminino, formação de valores e estímulo ao ‘jogo limpo’ (o chamado “fair play”). “O esporte é antes de tudo um direito. Ele é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças e jovens e, quando alinhado com uma boa estrutura pedagógica educacional, rende ótimos resultados”, explica.

Seleção

Para participar, as organizações devem ser constituídas no Brasil, ter três anos de atuação nas áreas do projeto inscrito e estarem inscritas nos conselhos de direitos da criança e do adolescente ou nos conselhos municipal, estadual ou nacional de sua área de atuação.  

Os projetos serão avaliados pelo Setor de Ciências Humanas e Sociais da Representação da UNESCO no Brasil e pelos demais setores programáticos da organização, que levarão em conta o grau de inovação, replicabilidade, sustentabilidade, legitimidade, impacto, eficácia e proposta metodológica.  

A UNESCO também é a responsável por acompanhar o uso dos recursos destinados aos projetos. Beatriz destaca que a parceria vem se fortalecendo a cada ano, aproveitando o melhor que cada organização tem a oferecer. “A Globo entra com seu poder de falar com milhões de brasileiros e gerar engajamento da sociedade, enquanto a UNESCO entra com a capacidade técnica de identificar, selecionar e acompanhar boas experiências.”

Premiação e inscrições

As propostas selecionadas deverão ter duração de até um ano e ter orçamento entre R$ 60 mil e R$ 350 mil. A organização da campanha ficará responsável por decidir se o projeto receberá o montante total ou parte dele. A verba pode ser utilizada para a realização das atividades, qualificação da estrutura física da organização e/ou desenvolvimento de atividades de defesa de direitos e advocacy.

Organizações interessadas em participar devem fazer sua inscrição online no site do programa até 24 de outubro. O preenchimento da ficha de inscrição gerará um arquivo PDF que deve ser impresso e encaminhado à sede da UNESCO em Brasília juntamente com a documentação solicitada (a lista está disponível no regulamento). A postagem nos correios deverá ser feita até o dia 25 de outubro.

A previsão é que o processo termine em julho de 2019, com os resultados divulgados no site do Criança Esperança e da UNESCO. Eventuais dúvidas podem ser esclarecidas no regulamento, disponível no site do Criança Esperança, na aba “Dúvidas Frequentes” ou pelo e-mail criancaesperanca@unesco.org.br.  

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