Em sua 13ª edição, Prêmio Empreendedor Social valoriza empreendedores que apostam em inovação e escala

Uma das mais importantes iniciativas da América Latina dedicada a reconhecer boas práticas do empreendedorismo socioambiental divulga o resultado de sua 13ª edição. Trata-se do Prêmio Empreendedor Social, concurso realizado desde 2005 pela Folha de S.Paulo em parceria com a Fundação Schwab. O resultado de 2017 reforça uma tendência já evidenciada nos últimos anos: ganham destaque programas e projetos que têm o princípio da inovação e da capacidade de atingir escala em seu DNA.

Anualmente, o evento de divulgação dos vencedores – assim como a ampla cobertura realizada pelo jornal – coloca em destaque para a opinião pública as transformações promovidas por empreendedores sociais e sua contribuição para o desenvolvimento social e econômico do país.

Mais do que dar visibilidade a experiências exitosas, o objetivo do prêmio é selecionar, premiar e fomentar líderes socioambientais empreendedores do Brasil, que desenvolvam há mais de três anos projetos inovadores, sustentáveis e com comprovado impacto socioambiental. Além da projeção nacional e internacional, a iniciativa oferece aos vencedores qualificação e uma ampla rede de contatos que reúne outros empreendedores, investidores e lideranças de organizações da sociedade civil de diversos setores – atualmente a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais reúne 92 lideranças sociais do Brasil e do mundo.

O cenário de instabilidade política e econômica – que aponta escassez de recursos, mas um bom momento para parcerias de cooperação – deu o tom da escolha dos indicados. “Os finalistas de 2017 realizam tarefas e propõem soluções que se tornam mais necessárias e desafiadoras em tempos de crise, como o nosso. Assim como nos demais setores da economia, o terceiro setor e o ecossistema de negócios de impacto social também se ressentem da falta de recursos e investimentos”, afirma Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha.

De acordo com os idealizadores, o esforço da equipe que mapeou as iniciativas foi identificar líderes sociais que, apesar da crise, estão contribuindo de modo expressivo para o desenvolvimento de suas comunidades em todos os setores da sociedade e da economia no país. O resultado dessa edição deixa clara a opção por premiar aqueles que, apesar da instabilidade da economia, encontraram maneiras objetivas, inovadoras e escaláveis de atuação.

Os vencedores

Uma área que pouco atrai investidores esteve sob os holofotes nesta edição do prêmio. A principal categoria da iniciativa reconheceu Valdeci Ferreira, líder social que dirige, voluntariamente, a Fbac, federação que organiza as APACs – Associações de Proteção e Assistência aos Condenados. A iniciativa promove uma visão bastante inovadora para a gestão de unidades do sistema prisional brasileiro.

Atuar em um segmento do campo social que pode ser considerado um pouco “árido” nunca foi problema para Valdeci, que, ainda na década de 1980, decidiu investir em metodologias mais humanizadas para a proteção de detentos e sua ressocialização no mundo fora das prisões.

“Aplicamos a pedagogia da presença e caminhamos junto com aquele que cometeu o delito, oferecendo uma chance de mudança de vida. Preciso dividir esse momento [da premiação] com todos os recuperados que passaram pela APAC, os que continuam lá e são a razão de ser da nossa obra e da renúncia que fiz na minha vida”, comenta.

A escolha reforça uma tendência: já há alguns anos o júri tem escolhido iniciativas inovadoras e com alta capacidade de replicação. Nesse sentido, o caso de Valdeci com as APACs é simbólico. Hoje são 48 unidades, que atendem 3.500 internos e outras 150 em fase de implementação. A metodologia está presente em 19 países e os resultados chamam a atenção: ao contrário da média de 85% de reincidência nas cadeias comuns, segundo Valdeci, com as APACs o índice não passa de 28%.

Na categoria Empreendedor Social de Futuro, segmento que reconhece candidatos com até 35 anos à frente de projetos em fase de consolidação, o vencedor foi Ralf Toenjes, da Renovatio, uma iniciativa que leva óculos de baixo custo e atendimento oftalmológico a regiões vulneráveis do país. Mais uma vez o prêmio reafirma sua orientação de celebrar experiências com grande potencial de impacto social.

Considerada uma startup “de alma social”, a Renovatio já distribuiu mais de 15 mil óculos, em 17 Estados brasileiros. “Temos um sonho grande de mudar a visão de 1 milhão de pessoas até 2021 e tenho certeza de que a chancela e a credibilidade do Prêmio Empreendedor Social de Futuro será um passo importante para atingirmos nosso objetivo”, diz o empreendedor.

Na escolha popular, o grande vencedor foi Hamilton da Silva, um empreendedor social comprometido em levar práticas saudáveis de alimentação para as periferias das cidades brasileiras. Vivendo em uma favela em Nilópolis (RJ), Hamilton cresceu em um ambiente de escassez, observando a sua família e vizinhos comendo o que era possível, sem poder se preocupar com questões como nutrição e segurança alimentar.

Hoje, aos 29 anos, à frente do Saladorama, conquistou o público e levou o troféu Escolha do Leitor com 56% dos 391.921 votos da categoria. O negócio social que leva comida saudável às favelas já está presente atualmente em cinco Estados e continua crescendo. E Hamilton segue espalhando sua causa por aí. “Alimentação é direito, não privilégio”, finaliza.

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