Experiência de vida tem mais impacto no comportamento financeiro dos brasileiros do que escolaridade, revela estudo

Estudo produzido pela Serasa Experian em parceria com IBOPE Inteligência e Instituto Paulo Montenegro revela que maior escolarização não se reflete, necessariamente, em mais educação financeira entre os brasileiros de todas as faixas etárias e classes sociais.

A análise sinaliza que as diferentes experiências ao longo da vida têm maior impacto na atitude e no comportamento do consumidor ao lidar com as finanças. No grupo de pessoas com mais idade (entre 55 e 64 anos), por exemplo, o Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) vai na contramão do nível de educação financeira.

O estudo cruzou os dados do Indicador Nacional de Educação Financeira (INDEF), da Serasa Experian, e do INAF, desenvolvido pelo Instituto Paulo Montenegro em conjunto com a Ação Educativa.

O primeiro leva em conta três dimensões: o Conhecimento, mesmo que rudimentar, de informações financeiras;  o Comportamento mede se houve descontrole ou poupança nos últimos doze meses; e a Atitude mede o julgamento sobre determinadas situações, como compras por impulso. O INDEF é calculado com os seguintes pesos: Conhecimento (25%), Comportamento (50%) e Atitude (25%).

Já o INAF é organizado com base em um teste cognitivo e um questionário contextual. Os itens que compõem o teste de alfabetismo envolvem a leitura e interpretação de textos do cotidiano (bilhetes, notícias, instruções, textos narrativos, gráficos, tabelas, mapas, anúncios, etc.). O questionário contextual aborda características sociodemográficas e práticas de leitura, escrita e cálculo que os sujeitos realizam em seu dia a dia.

Outros achados: escolaridade e renda

No recorte que analisa a escolaridade, o letramento impacta apenas a dimensão Conhecimento do INDEF. O mesmo já não acontece com as dimensões Atitude e Comportamento. Ao levar em conta as descobertas trazidas nas análises por idade, é a vivência financeira que mais impacta essas dimensões.

Enquanto os índices de educação financeira e alfabetismo funcional crescem juntos, o estudo mostra que o comportamento financeiro dos brasileiros com renda acima de cinco salários mínimos não é melhor do que o dos demais brasileiros. Nessa dimensão, o INDEF se mantém estável a partir de dois salários mínimos e não acompanha a evolução do INAF, o que demonstra que um maior nível de alfabetismo não necessariamente impacta na educação financeira do indivíduo.

Acesse os gráficos nas dimensões Conhecimento, Atitude e Comportamento por idade, escolaridade e renda.

Notícias relacionadas