Fundação Roberto Marinho e Telefônica Vivo lançam série sobre empreendedorismo jovem

Falar de empreendedorismo jovem de jovens para jovens. Essa é a proposta da série “Pense Grande.doc”, iniciativa da Fundação Roberto Marinho em parceria com o Canal Futura e a Fundação Telefônica Vivo.

O projeto surgiu a partir dos programas “Pense Grande” e “Geração Futura”. João Alegria, gerente geral do Futura, explica que a série é continuação de uma parceria da Fundação Roberto Marinho com a Fundação Telefônica Vivo. Enquanto a primeira temporada teve as juventudes como tema, a segunda trata de empreendedorismo jovem. “A partir do momento que começamos a trabalhar produzindo audiovisual seriado com temáticas que achamos importantes dentro de juventudes, começamos a criar juntos as novas propostas. Nós escolhemos temáticas muito estratégicas para as juventudes brasileiras e fazemos uma produção ao redor disso.”

Para se ter uma ideia de como o tema é relevante para ambas as organizações, a Fundação Telefônica Vivo lançou recentemente uma nova edição do estudo “Juventudes Conectadas”. Trata-se da “Edição Especial Empreendedorismo”, que traz pontos importantes sobre o tema apontados por jovens de 15 a 29 anos. Realizada em parceria com o Ibope e a Rede Conhecimento Social, a pesquisa traz conceitos que norteiam o empreendedorismo jovem no Brasil, percepções, tendências e exemplos de iniciativas, incentivando potenciais empreendedores e aqueles que os fortalecem. O levantamento aponta, por exemplo, que para os jovens, empreender está mais associado à realização de propósitos ou ações pessoais do que ao retorno financeiro ou melhoria das condições de vida.

João argumenta que apesar de a série e a pesquisa não estarem limitadas uma à outra, os dois produtos apontam para a necessidade de entender que o jovem é um ator econômico importante na sociedade. “Eles têm iniciativa e protagonizam isso e muito do que empreendem tem a ver com uma maneira nova de pensar o espaço do empreendedorismo. Iniciativas empreendedoras de jovens em geral têm uma novidade: estão sempre revestidas de uma maneira interessante de olhar para as questões do mundo.”

Segundo a pesquisa “Juventude Conectada”, 70% dos jovens respondentes gostariam de ter o próprio negócio. Mas, Américo Mattar, diretor presidente da Fundação Telefônica Vivo, conta que os mesmos jovens apontaram que há poucos exemplos de empreendedores que se conectam à sua realidade. “Nós temos grandes empreendedores de sucesso no Brasil. Mas muitos estão distantes da realidade dessa garotada, o que acaba dificultando que sejam uma referência. Dado o contexto apresentado pela pesquisa dessa vontade jovem de empreender e transformar o seu próprio ecossistema, nós pensamos que deveríamos fazer alguma coisa. Os cases que incubamos ao longo do ano poderiam servir de referência, então por que não montar uma série sobre o tema? Convidamos o Futura para participar dessa empreitada e eles toparam desde o momento zero. Somamos esforços nessa iniciativa para criar um material que servisse como instrumento de engajamento e mobilização para que o jovem pudesse enxergar naquele jovem que está vendo na tela a sua própria história.”

Américo explica que além de retratar exemplos de casos bem sucedidos de empreendedorismo, outro propósito da série foi mostrar, sob o olhar do jovem, o que é empreender no Brasil. “Quisemos mostrar os desafios, os medos da criação de um negócio e os riscos. Esperamos que os casos possam servir de exemplo e referência de que é possível sim empreender, que empreendedorismo não é uma atividade circunscrita a um ambiente de abundância financeira. Na verdade, as competências empreendedoras podem ser praticadas em qualquer realidade socioeconômica e em qualquer região do país.”

Para exemplificar, ele cita a história de Jessica, jovem com Síndrome de Down que ilustra o episódio dois da série, intitulado Bellatucci (o nome do café de Jessica). “A Jessica contaminou a família inteira no sonho de empreendedorismo e hoje ela tem um café no Cambuci [bairro de São Paulo]. Você pergunta para ela qual é o seu sonho e ela fala que quer cursar gastronomia. Ela continua sonhando. O que não devemos fazer na nossa sociedade é dizer para os jovens que não há o que fazer, que a vida é assim mesmo. Eu tenho a chance de conversar com essa garotada e costumo dizer para eles que não há sonho bobo ou impossível”, ressalta Américo.

Juventude protagonista

Lançada no final de setembro, a série conta com 26 episódios de quinze minutos de duração em média que relatam histórias de jovens empreendedores de diversas regiões brasileiras que estão colocando a mão na massa e desenvolvendo seus próprios negócios.

Além de tratar sobre o empreendedorismo feito por jovens, todos os episódios foram organizados e produzidos também por jovens que fizeram parte do programa Geração Futura. João argumenta que uma crença da Fundação Roberto Marinho é a de que não é possível falar sobre os jovens sem envolvê-los e escutá-los.

“Nos últimos anos, houve um avanço muito grande da sociedade e de quem atua com jovens de realmente entender e admitir que o jovem não é apenas uma pessoa um pouco mais nova do que nós da qual nós temos que cuidar. Eu acredito que hoje existe uma compreensão grande de muitas organizações que atuam com juventude de que o jovem é um ator social, cultural e educacional e que quando estamos propondo e realizando projetos pensando em juventude não dá mais para você fazer isso para os jovens. Só dá para fazer com os jovens. É necessário se abrir para a presença deles em todos os espaços: na educação, na cultura, na economia, na participação cidadã e nas tomadas de decisão sobre o país”, argumenta João.

Já os casos foram escolhidos via edital da seguinte forma: no início de 2018, foi lançada uma chamada de casos de jovens empreendedores com iniciativas de impacto social em todo o Brasil. Entre mais de cem inscritos, as duas organizadoras selecionaram vinte para integrar a série. Os outros seis foram acelerados pelo programa Pense Grande. “Foi uma dor no coração selecionar só 26. Mas escolhemos aqueles que julgamos que têm maior poder de engajamento, preservando a diversidade, a questão geográfica e social para ter representatividade, já que queríamos que os jovens se sentissem identificados com as histórias que eles estavam vendo na tela e com os desafios enfrentados”, explica Américo.

Como a série foi produzida a muitas mãos e a partir de diferentes visões de mundo, práticas, estilos e concepções, João explica que o costume para esse tipo de produção audiovisual é usar um apresentador, que faz uma pequena introdução e gancho entre os episódios. No caso da série “Pense Grande.doc”, a apresentadora é Lellezinha, atriz e cantora do Dream Team do Passinho. “A Lelezinha rompeu paradigmas. Antes eram os meninos que dançavam nos grupos de dança e de funk nas comunidades. Ela foi a primeira menina a romper essa barreira, a vencer o desafio de acreditar no próprio sonho e de ir atrás dessa jornada, que se tornou uma jornada profissional de sucesso. Então, desde o modelo de construção até a narração da série, os jovens são envolvidos”, completa Américo.

Assista

Todos os episódios são exibidos às quintas-feiras, às 22h15, no Canal Futura. Depois da exibição na TV, os capítulos ficam disponíveis no site Pense Grande.doc.

Notícias relacionadas