Fundação Tide Setubal lança segunda edição do edital Elas Periféricas

 

Fortalecer iniciativas de mulheres negras periféricas e do território onde estão inseridas. Esse é o principal objetivo do edital Elas Periféricas. A iniciativa da Fundação Tide Setubal chega à segunda edição e conversa diretamente com a nova missão da organização desde 2017: fomentar ações que promovam a justiça social e o desenvolvimento sustentável de periferias urbanas e contribuir para o enfrentamento das desigualdades socioespaciais das grandes cidades.

Com a seleção e apoio a projetos sociais encabeçados por mulheres negras que moram em periferias de São Paulo, a ideia é que a Fundação dê continuidade ao trabalho de escuta ativa e cocriação junto a atores e organizações para a transformação social em territórios periféricos.

Wagner Silva, coordenador de territórios da Fundação Tide Setubal, explica que a proposta do edital foi construída a partir de uma pesquisa realizada em 2018 com organizações e agentes periféricos sobre as necessidades em termos de apoio a organizações atuantes nessas regiões. A maioria dos entrevistados afirmou que dentro do universo de apoio e recursos disponíveis para o fortalecimento de iniciativas, aquelas lideradas por mulheres negras são as que têm maior dificuldade de acessar os recursos.

“Quando olhamos para esse tipo de proposta, estamos fortalecendo a base da pirâmide social. O recurso vai parando em diversos estágios antes de chegar nas organizações comandadas por mulheres. Para nós faz todo sentido apoiar esse tipo de iniciativa criativa, potente, que dialoga com questões como equidade, gênero e raça”, reforça Wagner.

O apoio do edital pode ser o diferencial na trajetória de uma organização. Um exemplo disso é o caso de um coletivo de Parada de Taipas, bairro do subdistrito de Pirituba, em São Paulo. Foi a partir da seleção pelo Elas Periféricas que o grupo se formalizou como instituto, criou novos projetos, contatou outras redes e acessou outros tipos de financiamento. “Esse coletivo sempre ressaltou que não havia ninguém olhando para a região noroeste de São Paulo. Esse apoio tem sido muito importante pelas conexões e pela possibilidade de qualificar a gestão das organizações. Nosso principal aprendizado foi perceber isso e apostar em iniciativas que não são formalizadas, mas que têm uma trajetória de realizações, de articulação em rede e atuação com diversos parceiros no seu território de origem e para além dele.”

Participação, seleção e premiação

Coletivos e organizações sem fins lucrativos, formalizados ou não, podem participar da chamada, desde que tenham origem e atuem em territórios periféricos do município de São Paulo, tenham alguma experiência na execução e implementação de projetos e mulheres negras no quadro de liderança. Os temas da chamada são: gênero, raça e território.

O processo de seleção será dividido em quatro etapas. Na primeira, as organizações deverão preencher o formulário de inscrição e poderão enviar um vídeo curto sobre como a iniciativa está transformando a realidade onde é desenvolvida. Na segunda fase, as organizações selecionadas deverão preencher um novo formulário com um plano de ação, prazos e orçamento e enviar documentos que comprovem a veracidade das informações, podendo ser contatadas para o esclarecimento de dúvidas.

A terceira fase marcará as visitas técnicas aos projetos para verificação e aprofundamento das informações fornecidas. Por último, um comitê de avaliação decidirá que iniciativas serão contempladas pelo edital. Em todas as fases, serão considerados quatro critérios de avaliação: impacto e relevância, abordagem criativa, alinhamento e vivência periférica e potencial de gestão.

Até seis organizações serão selecionadas para receber até R$ 40 mil e apoio técnico durante um ano. A ideia é que a partir de formações, capacitações para lideranças e gestores, mentorias, atuação em rede e contatos com especialistas, as organizações e coletivos fortaleçam sua atuação e aprimorem esferas como gestão financeira, mobilização de recursos, gestão e monitoramento de projetos, comunicação institucional, planejamento estratégico, entre outras.

Wagner explica que esse apoio, entretanto, vai além. “Diante de tantas violências sociais e psicológicas, considerando o racismo estrutural e sua operação no território, temos procurado garantir, junto com as formações e mentorias, um espaço de acompanhamento e cuidado da saúde mental das pessoas que fazem parte das iniciativas apoiadas.”

Inscrições

As inscrições da chamada vão até 16 de junho e podem ser realizadas neste link. A divulgação das vencedoras está prevista para o mês de agosto e será realizada nas redes sociais e site da Fundação.

No dia 11 de junho, às 18h, a Fundação irá organizar um webinário para esclarecer dúvidas sobre o preenchimento do formulário e questionamentos sobre o edital. Consulte mais informações aqui.  

Todas as regras do edital estão no regulamento, disponível no site da Fundação Tide Setubal. Eventuais dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail [email protected].

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