GIFE lança Rede de Investidores Sociais no Nordeste

No dia 22 de novembro, o GIFE lançou a Rede de Investidores Sociais (RIS) Nordeste.

As RIS constituem espaços de articulação criados para que investidores de uma mesma região possam se conhecer, trocar experiências, buscar soluções conjuntas para desafios locais e refletir sobre demais temáticas transversais ao investimento social privado daquele território.

Somando-se às RIS Distrito Federal, Interior Paulista e Curitiba, o grupo foi criado a partir da necessidade identificada pelo GIFE de expandir sua atuação para além das regiões Sul e Sudeste, levando discussões relativas ao campo do investimento social e da filantropia a outras localidades, além de fomentar a articulação de atores do setor de forma mais distribuída pelo país.

Gustavo Bernardino, gerente de programas do GIFE, comenta que outra motivação tem  a ver com a entrada e provocação de dois novos associados que atuam no Nordeste: Fundação Demócrito Rocha e Instituto Diageo, que passaram a integrar o quadro de associados do GIFE em 2019.

Marcos Tardin, gerente geral da Fundação Demócrito Rocha, defende que apesar de o Nordeste ter demonstrado bom desempenho em algumas áreas, como a educação, o ISP continua a ser pouco conhecido, debatido e exercitado na região. Nesse sentido, a criação da RIS Nordeste contribui para que não só a região, mas o país como um todo possa reforçar o debate e a prática de um desenvolvimento social mais sustentável. “Em um momento em que o governo federal dá cada vez mais mostras de que não prioriza as questões sociais e ambientais, o ISP tem um papel ainda mais relevante e estratégico, pelo contraponto, pelo exemplo prático, pela inspiração que proporciona, pela reflexão democrática que dissemina.”

Paulo Mindlin, gerente executivo do Instituto Diageo, afirma que apesar de muitos institutos e fundações terem sede em São Paulo, os investimentos, programas e projetos pulverizam-se pelo Brasil. A própria organização possui metade dos seus investimentos aplicados em iniciativas no Ceará. “Em São Paulo, isso acontecerá a partir do GIFE, mas identificamos a necessidade de ter discussões com outros investidores sociais privados perto de onde acontecem os investimentos, inclusive como uma forma de trazer para a conversa organizações que possivelmente não são associadas ao GIFE. Então realmente visualizamos a perspectiva de que se crie um polo regional concentrador de discussões e a RIS foi o caminho para isso. O convite é para que organizações de várias regiões do Nordeste que tenham interesse em participar se organizem e se mobilizem.”

Diversificando o campo

Camila Aloi, coordenadora de relações institucionais do GIFE, reforça que ter uma RIS no Nordeste conversa com um dos objetivos encampados pelo GIFE de estar presente em regiões que não acessa facilmente, além de diversificar o perfil de atores que compõem o Grupo.

“Sair do eixo Rio-São Paulo e explorar o Brasil é uma possibilidade de levar a discussão do ISP e suas nuances – como a questão de uma mobilização para uma cultura de doação maior no Brasil – e incentivar a qualificação e profissionalização do trabalho do ISP, abordando questões de monitoramento e avaliação, transparência e critérios de governança. Tudo isso caracteriza um ISP mais efetivo e eficiente, o que passa pela ampliação e diversificação de atores”, explica.

Gustavo assinala ainda que ter um grupo de investidores sociais na região e traz como benefícios a concretização de um espaço de trocas de informações e conhecimento entre pares, bem como possibilita a sensibilização de novos atores do investimento social privado no Nordeste e outros que ainda não se conectaram a estratégias de filantropia – sejam eles de perfil empresarial, familiar ou independente -, bem como de promoção do fortalecimento da sociedade civil local.

Próximos passos

Camila avalia que o evento de lançamento cumpriu com seu objetivo e deixou claro para o GIFE que há interesse e mobilização para ter a rede na região. O primeiro passo depois da constituição do grupo será uma reunião geral a ser realizada em fevereiro de 2020 com o objetivo de construir o plano de trabalho da rede, que será feito a partir da escuta dos integrantes da RIS para entender quais são os maiores gaps, demandas e oportunidades do grupo.

“Na próxima reunião, a ideia é fazer uma escuta para identificar pontos de sinergia e, a partir disso, traçar um norte de atuação da RIS Nordeste que não exclua a atuação de cada organização e as possibilidades de atuação orgânica que podem acontecer entre os membros da rede, mas que tenha alguns focos e propósitos coletivos.”

Além disso, esse momento de planejamento também será uma oportunidade para que os integrantes do grupo exponham seu interesse em outras ações que o GIFE já realiza. Uma das ideias, por exemplo, é levar para o Nordeste uma apresentação condensada dos dados e descobertas do Censo GIFE, lançado no dia 28 de novembro, em São Paulo. Além disso, a organização de uma comissão para representar a Rede no Congresso GIFE, que será realizado em maio de 2020, também é uma vontade pontuada por Camila.

“Nós estamos incentivando que as redes de investidores sociais regionais formem uma coletiva de atores que possam vir para São Paulo e participar do Congresso GIFE, para que depois voltem para suas regiões e sejam embaixadores dos aprendizados obtidos. Essa é só uma das possibilidades. O importante é coordenar o calendário da RIS Nordeste com as ofertas que o GIFE já tem a partir do desejo e interesse dos membros e também desse norte coletivo.”

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