Grupo Baumgart é o mais novo associado ao GIFE

Com mais de 80 anos de atuação na Zona Norte de São Paulo, o Grupo Baumgart é o mais novo associado ao GIFE. Fundado pelo casal Otto e Marianne Baumgart, o Grupo tem como missão empreender negócios e buscar oportunidades nas áreas de materiais para construção civil, imobiliária e agronegócios, a partir da inovação e sustentabilidade.

A atuação nesses três setores divide-se entre: a indústria química, com a marca Vedacit; o setor de serviços, com os shoppings Center Norte e Lar Center; a área de feiras e eventos com o Expo Center Norte; o Novotel Center Norte na parte de hotelaria; e as Fazendas Reunidas Baumgart e a Calcário Rio Verde, na área do agronegócio.

Larissa Madanelo, analista de sustentabilidade do Instituto Center Norte, explica que a família sempre teve uma presença forte na região, com um olhar voltado para o desenvolvimento social do território. “Há 80 anos, as ações tinham um caráter mais assistencialista, pois não existia essa visão de sustentabilidade e responsabilidade social. Em 2002, a família entendeu que seria mais interessante ter uma pessoa jurídica para cuidar de todas as iniciativas que já faziam enquanto pessoas físicas”.

Sendo assim, por uma demanda do próprio grupo, foi criado o Instituto Center Norte (ICN), com o objetivo de organizar todo o repasse financeiro para as organizações sociais. À frente do Instituto estava Maria da Glória Baumgart, sempre muito ligada à questões sociais. Para arrecadar recursos para doações, por exemplo, Dona Glorinha, como era conhecida, organizou durante muitos anos leilões de guirlandas de natal.

Apesar da criação do ICN, Larissa ressalta que a atuação não tinha escopo bem definido, com uma política clara de investimento social. Sendo assim, em 2017 o ICN passou por uma reformulação e reposicionamento estratégico. A demanda segue uma tendência de modernização do próprio grupo: membros da família Baumgart que estavam à frente dos negócios optaram por restringir sua participação ao Conselho de Administração.

Hoje, com uma política de investimento social consolidada, a missão atual do ICN é criar um ambiente de aprendizado e inovação para que pessoas e instituições empreendam soluções capazes de melhorar a vida na zona Norte de São Paulo.

Segundo Larissa, a ideia é que o instituto esteja cada vez mais focado em inovação social, com o objetivo de colocar a zona Norte no mapa da inovação da cidade. “A região ainda está atrasada quando o assunto é investimento e fomento ao ecossistema de inovação. Nós queremos liderar esse movimento junto a outras empresas que estão aqui”.

Com essa mudança de posicionamento, foram estabelecidos dois pilares de atuação: mobilidade e urbanismo e empreendedorismo. Ambas as áreas são estratégicas e fundamentais, uma vez que a atuação do ICN é voltada para a revitalização de espaços públicos, para a promoção de um melhor relacionamento com a cidade, para o incentivo à cidades sustentáveis, entre outros fatores.

Já em empreendedorismo, Larissa ressalta que é necessário que a população desenvolva competências empreendedoras, como a capacidade de assumir riscos controlados, ter uma visão de longo prazo, habilidade de planejamento e foco na resolução de problemas. Dois grandes projetos são desenvolvidos nessa linha. Um deles é o “Rede de empreendedores da Zona Norte”.

Um grupo de 50 pessoas receberá uma capacitação com duração de um ano para que se estabeleçam como microempreendedores nos nichos de costura, confecção e artesanato. O grupo é formado por 49 mulheres e um homem. Além da formação de um ano, vão receber um capital semente para dar início à produção, já que em janeiro de 2019, o grupo vai assumir o Quiosque Solidário, um espaço no Shopping Center Norte reservado para que organizações da sociedade civil da região possam se fortalecer e comercializar seus produtos. Com isso, a ideia é capacitar pessoas que já têm conhecimentos de negócios, vendas e empreendedorismo.

Já o Startup e Varejo 4.0, o outro projeto da linha de empreendedorismo, é uma formação sobre tecnologia e inovação para alunos do Ensino Médio de escolas da rede pública da zona Norte. A ideia é que os jovens desenvolvam um aplicativo voltado para o varejo a partir das mentorias e capacitações que serão realizadas semanalmente na escola.

Instituto Vedacit

Ao contrário do ICN, o Instituto Vedacit (IV) tem uma história mais recente. Criado em 2017 por uma demanda da família Baumgart de organizar o investimento social privado da Vedacit, o Instituto já nasceu com foco em duas agendas principais: o público jovem e os negócios de impacto social.

A partir de pesquisas de marketing, do estudo das práticas de outras organizações e das tendências de mercado, não só do mundo da construção civil, mas também do investimento social privado, o Instituto elegeu a construção da Cidade do Futuro como causa. Luis Fernando Guggenberger, gerente de sustentabilidade da Vedacit, explica que essa construção só é possível se houver harmonia entre três pilares: espaços públicos, moradias e pessoas.

A partir daí, definiram-se três linhas de atuação. Em “cidades criativas”, são alocados recursos a projetos culturais e a ações que estimulam a comunidade a se apropriar dos espaços públicos por meio da arte e que façam uma reflexão sobre a cidade. “Municípios como São Paulo estão tão mal conservados que a população não conhece e não respeita a sua própria história. Nós acreditamos que, por meio da arte, é possível ter a ocupação dos espaços públicos e trazer discussões sobre o que eles representam. Um dos projetos apoiados nessa frente é o Museu da Pessoa”, comenta o gerente.

Em “cidades inteligentes”, a segunda linha de atuação, o IV desenvolve, entre outras ações, um trabalho de capacitação de jovens da Vila Andrade, na região do Campo Limpo, na zona Sul de São Paulo, para inserção no mercado de trabalho. Em linhas gerais, os participantes devem buscar algum comércio local, fazer um diagnóstico e propor um plano de melhorias.

“Nós acreditamos que se os comerciantes implementarem as melhorias propostas pelos jovens, aumentam as possibilidades de empregabilidade deles. Esse movimento torna a comunidade mais inteligente do ponto de vista de mobilidade, na qual o jovem não precisa atravessar longas distâncias para poder trabalhar”, exemplifica Luis Fernando.

Para 2018, a ideia é fazer quatro ciclos de formação para jovens de 16 a 25 anos, atingindo aproximadamente 400 pessoas. “Cada ciclo dura dois meses. Nas três primeiras aulas, nós discutimos projeto de vida. Nesse momento, provocamos e inspiramos os jovens, mostrando a importância dos estudos para que consigam dar esse salto e alcançar o sonho de carreira e de vida. Nós temos uma série de depoimentos deles que, a partir desse trabalho, começaram a vislumbrar a possibilidade de fazer faculdade, coisa que para muitos era uma perspectiva distante”, ressalta.

A última linha de atuação, intitulada “cidades sustentáveis”, tem como foco dois tipos de investimentos: o esporte como instrumento de transformação social (com apoio ao voleibol feminino na cidade de Valinhos, no interior de São Paulo), e a melhoria da qualidade de vida, com apoio à soluções de habitação para populações de baixa renda.

Associação ao GIFE

Apesar de congregar empresas com atuações muito distintas, o Grupo Baumgart optou por associar-se ao GIFE como Grupo, e não pelos institutos individualmente. Segundo Luis Fernando, a associação e a participação conjunta nos fóruns do GIFE foi a forma encontrada para criar alinhamentos nos modelos de governança dos institutos, e com isso garantir que sigam as melhores práticas de governança corporativa no campo do investimento social.

“Eu acredito que as discussões dos grupos temáticos do GIFE, do Congresso GIFE e das publicações, reforça muito a necessidade de qualificar e afinar um conceito como esse de alinhamento do negócio para ambos os institutos. Além disso, estar no GIFE amplia a possibilidade de efetuarmos parcerias nos programas e nos projetos que nós desenvolvemos, assim como também podermos abraçar oportunidades de outros associados para fazermos investimentos conjuntos”, ressalta Luis Fernando.

Larissa, por sua vez, argumenta que ser associado é uma possibilidade de chamar a atenção para a necessidade do aumento do investimento social privado na região Norte de São Paulo. “A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo fez um mapeamento do ecossistema de inovação em todo o estado. Quando você analisa a região norte, não tem nada mapeado: nenhum coworking, investidor, aceleradora. Pouco se pensa em inovação para a região, pouco se olha em termos de investimento. Acredito que ser associado de um grupo como o GIFE é uma forma de dar visibilidade para essa região que tem muitas demandas, muito potencial e que é um terreno super fértil”.

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