Instituto Algar vai expandir programa de competências socioemocionais para além de Uberlândia em 2019

Desenvolvimento de competências socioemocionais e comportamentais a partir do trabalho com alunos do Ensino Médio para inserção no mercado de trabalho. Essa é a aposta do programa Talentos de Futuro, criado e gerido pelo Instituto Algar com o objetivo de dar continuidade a seus trabalhos na área da Educação.

Carolina Rodrigues, gerente do Instituto Algar, conta que a criação do programa em 2014 partiu de uma vontade da organização de complementar sua atuação com o Ensino Fundamental e ajudar no desenvolvimento de jovens estudantes do Ensino Médio. “O Instituto trabalha com educação há 16 anos, desde nossa fundação. No começo, o foco era o Ensino Fundamental, do primeiro ao nono ano. Mas começamos a sentir um gargalo muito grande no Ensino Médio, pois acreditamos que é nessa época que o jovem vive uma situação de vulnerabilidade.”

Apesar de atualmente não seguir o mesmo modelo de quando foi criado, o programa trabalha seis eixos principais: Ética, Atitude, Trabalho em Equipe, Comunicação, Inovação e Negociação. Carolina explica que essas áreas foram definidas a partir de conversas e parcerias com a área de talentos humanos da Algar. “Nós conversamos com o pessoal que trabalha com desenvolvimento de pessoas e identificamos quais eram os principais gaps dos profissionais que chegavam para trabalhar na empresa, do que esses profissionais do RH mais sentiam falta.”

A partir dessas trocas, o Instituto montou uma formação com carga horária de 60 horas, normalmente divididas em 15 encontros de quatro horas. Com um caráter prático e vivencial, a formação tem como objetivo trabalhar o desenvolvimento de habilidades e competências que serão necessárias para o mercado de trabalho, mas também para a própria vida do jovem. “A formação não é uma aula teórica. Nós trabalhamos com os jovens processos reflexivos e vivenciais por meio de dinâmicas, onde colocamos uma determinada situação e eles precisam conversar e discutir sobre aquele assunto.”

Além disso, Carolina ressalta que, pelo fato de trabalhar competências sociais e comportamentais, os alunos que participam do Talentos de Futuro amadurecem e mudam sua personalidade. “Eles aprendem a falar em público e a se posicionar. Existe um processo de empoderamento, de autoafirmação. Eles perdem a vergonha. O programa fortalece o jovem para que ele passe a acreditar no seu próprio potencial. Nós trabalhamos com muitas pessoas que foram taxadas de incompetentes, que ouviram que seriam profissionais ruins, sem futuro e nós trabalhamos esse resgate. Apesar de [a formação durar] pouco tempo, nós conseguimos fazer um processo de reflexão e trabalhar a maturidade.”

Os modelos de formação

A formação proposta pelo Instituto Algar tem três modelos. O primeiro deles é a parceria com escolas. Nesse caso, a formação acontece no contraturno escolar com um profissional do Instituto. Os grupos de alunos são multisseriados, ou seja, cada turma tem alunos do primeiro ao terceiro ano do Ensino Médio.

O formato dois é a formação em comunidades. O Instituto Algar firma parcerias com Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e oferece o programa para pessoas do entorno, incluindo até mesmo jovens com Ensino Médio completo. Nesse caso, o profissional responsável pelos encontros também é do Instituto Algar.

Por fim, em um terceiro modelo, o Instituto também estabelece parcerias com OSCs, mas oferece formação a profissionais daquela instituição, chamados pelo Instituto de multiplicadores, para que eles possam oferecer a formação para seus alunos e replicar o modelo do Talentos de Futuro. Além da formação, o Instituto também faz um acompanhamento para monitorar a evolução das turmas.

O jovem e o mercado de trabalho

Todas as atividades desenvolvidas no Talentos de Futuro têm como objetivo o desenvolvimento de competências socioemocionais para que a transição do Ensino Médio para o mercado de trabalho seja facilitada. Para apoiar esse processo, além de oferecer a formação, o Instituto Algar firmou parcerias com diversos atores para que, depois de passar pelo programa, o jovem receba um encaminhamento para processos seletivos.

Carolina explica que os estudantes não recebem uma garantia de que serão empregados, mas participam de processos seletivos tanto da Algar quanto de outras empresas. “No ano passado, 38% dos alunos que participaram do programa foram empregados. Além disso, eles passam a fazer parte de um banco de talentos. Sempre que abrir uma vaga e o aluno tiver o perfil, vai ser encaminhado para o processo. Dentro da Algar, nós temos um combinado de que jovens que participaram do programa têm prioridade em caso de empate em uma seleção, por exemplo.”

Segundo Carolina, essa continuidade no trabalho de educação desenvolvido pelo Instituto representou para a equipe um fechamento de ciclo, dando continuidade às ações realizadas com o Ensino Fundamental.

“Quando atuávamos só no Ensino Fundamental, tínhamos a crença de que se garantíssemos a formação de base do aluno, ele teria condição de buscar o conhecimento e a sua própria formação. Mas, no Ensino Médio, o jovem é muito vulnerável, sendo atraído por condições informais de trabalho, criminalidade ou evasão escolar. Sentíamos que, às vezes, nós ficávamos quase dez anos com um aluno que tinha potencial, mas quando íamos ver que rumo ele tinha tomado, ele tinha se desviado. Então, o programa é importante porque fechou o ciclo de formação. O Talentos de Futuro garante que o jovem vai passar por uma formação que vai dar condição para ele ter um trabalho formal e começar uma carreira de um jeito diferente.”

Expansão e planos para 2019

As formações começaram em Uberlândia, local da sede da empresa. Mas os planos do Instituto são grandes para 2019. Espera-se, no ano que vem, levar o Talentos de Futuro, sob o modelo de multiplicadores, para outras três cidades: Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte. “Nós vimos que em Uberlândia o modelo estava redondo e maduro e que poderia ser expandido. Então começamos a avaliar as cidades de atuação da Algar porque o Instituto segue o crescimento geográfico da empresa.”

Frente a essas metas, em 2018 o Instituto dedicou-se a fazer um trabalho de diagnóstico e sensibilização de OSCs que podem tornar-se parcerias na realização do Talentos de Futuro.

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