Instituto Serrapilheira lança segunda chamada de apoio a projetos científicos

Contribuir para a construção de uma cultura de ciência no país e incentivar a pesquisa de excelência no Brasil. Essas são duas metas do Instituto Serrapilheira. Para chegar mais perto de seus objetivos, a organização lançou a segunda chamada pública do Programa de Apoio a Jovens Cientistas de Excelência.

Cristina Caldas, diretora de pesquisa científica do Instituto, explica que a chamada tem como objetivo apoiar o desenvolvimento da carreira de cientistas que proponham grandes perguntas em suas áreas. “Queremos identificar a boa ciência que já é feita no Brasil, apoiar os pesquisadores com recursos financeiros e promover uma integração dessas pessoas, com conexões interdisciplinares. Com isso, queremos saber o que o Serrapilheira pode fazer para melhorar as condições de desenvolvimento de ciências no país.”

Podem participar da seleção pesquisadores das ciências naturais (ciências da vida, física, geociências e química), matemática e ciências da computação. Projetos interdisciplinares que envolvam duas ou mais dessas áreas também serão aceitos, assim como aqueles que desenvolvam parte de suas atividades no exterior, como trabalho de campo ou colaborações. Entretanto, ressalta-se a necessidade de a pesquisa ser conduzida no Brasil.

Cristina reforça a crença do Instituto no formato de chamada pública em detrimento de uma busca ativa por parte da organização como forma de democratizar o acesso às oportunidades.

“Nós gostamos do mecanismo de chamada pública pois ele permite que pessoas de diferentes regiões e áreas possam aplicar. Existem centros de excelência espalhados pelo Brasil que às vezes não conhecemos ainda, então essa é uma maneira de possibilitar que pessoas de instituições que não estão no nosso radar possam submeter [seu trabalho]. Por exemplo, agora eu estou em Palotina, no interior do Paraná, visitando uma pessoa que só chegou até nós por conta da chamada pública.”

Quanto ao perfil dos pesquisadores, é necessário que tenham obtido o grau de doutor entre janeiro de 2011 e dezembro de 2016 e possuir um vínculo – seja como professor ou pesquisador – com uma universidade, instituto ou entidade de pesquisa sediada no Brasil.

Para essa chamada não serão aceitos alunos de pós-graduação, pós-doutorandos, professores substitutos, pesquisadores colaboradores, pesquisadores visitantes e pesquisadores voluntários, assim como projetos que pretendam apenas continuar a linha de pesquisa atual ou se desenvolvam integralmente fora do Brasil.

Renovação e acompanhamento

Ao todo serão selecionados até 24 jovens pesquisadores. Cada um deles poderá receber até R$ 100 mil pelo período de um ano.

O Instituto Serrapilheira preza pelo acompanhamento dos projetos, por isso, depois de doze meses, todos passarão por um processo de reavaliação no qual até três pesquisadores serão selecionados para receber até R$ 1 milhão durante três anos. Depois desse período, as propostas podem ser renovadas a partir de uma disputa com os outros concorrentes. Nessa fase, o financiamento pode chegar até R$ 300 mil por ano.

Cristina ressalta que esse foi um ponto aprimorado em relação à primeira chamada pública, onde o ciclo todo de apoio tinha duração de quatro anos. “Para esse novo grupo, temos uma lógica de que se a pesquisa estiver indo muito bem, queremos oferecer a possibilidade de o pesquisador continuar contando com os recursos. Queremos alocar um volume maior de recursos para poucas pessoas por um período prolongado.”

Aposta em novos conhecimentos

Para essa chamada, o Instituto Serrapilheira busca projetos criativos, inovadores e audaciosos, inclusive que envolvam certo grau de risco. A aposta nesse tipo de projeto se relaciona com uma gama de fatores, entre eles a falta de recursos para pesquisas mais arriscadas.

“Eu acredito que essa é uma realidade no mundo todo porque os principais órgãos de fomento tendem a apostar mais em pesquisas que são menos arriscadas, mais incrementais, então esse espaço para tomar risco é mais raro mesmo e difícil de encontrar.  Mas, a ideia do risco é que grandes descobertas científicas e inovações tecnológicas vieram de apostas mais inusitadas.”

Cristina ressalta que esse incentivo para novas abordagens da ciência não anula a importância de pesquisas incrementais, mas que a intenção do Instituto é ser visto pela comunidade de jovens cientistas como um espaço onde podem ter ideias audaciosas. “Queremos fazer essa provocação, dar uma empurrada e falar ‘vamos tentar ousar um pouco mais’ ao invés de seguir aquele caminho mais seguro em que cada um continua conseguindo suas publicações, que são sim muito importantes. Mas, com essa possibilidade de tomar risco, podem surgir projetos muito mais impactantes.”

Outro ponto de destaque é a opção do Instituto pela não obrigatoriedade de aplicação do conhecimento produzido. Nesse sentido, a diretora explica que o intuito é fomentar a produção de conhecimento novo na área sem que tenha necessariamente algum tipo de aplicação. “A nossa grande expectativa é que os cientistas possam realmente repensar suas carreiras e nos apresentar propostas que se encaixem nesse espaço de produção de conhecimento com projetos de tom criativo e ousado. Também queremos seguir localizando cada vez mais jovens cientistas que são quase heróis porque fazer ciência no Brasil é um ato de heroísmo. Queremos achar essas pessoas e poder apoiá-las.”

Seleção e inscrições

O processo de avaliação ficará a cargo de cientistas atualmente em atividade em instituições internacionais de pesquisa e será dividido em duas fases.

Na primeira, os resumos expandidos solicitados que responderem positivamente aos critérios da chamada serão divididos em paineis de revisão. Os avaliadores externos não terão acesso à identidade dos autores dos projetos e deverão responder se a proposta aborda uma grande pergunta na área e se a metodologia de pesquisa está de acordo com os objetivos do projeto.

Todos os resumos serão avaliados por pelo menos três revisores. Os melhores passarão por uma análise aprofundada na segunda etapa de seleção, onde revisores especialistas de cada uma das três áreas considerarão critérios relacionados ao projeto, sua metodologia e ao pesquisador proponente.

Os avaliadores deverão responder às perguntas: a proposta aborda desafios relevantes e/ou apresenta uma “grande pergunta”? A metodologia de pesquisa proposta está de acordo com os objetivos do projeto? Os prazos propostos e os recursos solicitados são justificados? O pesquisador demonstra capacidade de desenvolver pesquisa na fronteira do conhecimento? É criativo e tem capacidade de gerar ideias independentes?

As inscrições podem ser realizadas até 15h do dia 14 de dezembro no site do Instituto. A ficha deve ser preenchida integralmente em inglês. A lista com os projetos selecionados será divulgada em abril de 2019 e o início do apoio se dará em junho.

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