Instituto Conceição Moura chega ao GIFE apostando em valorização cultural, meio ambiente e educação

O mais novo associado ao GIFE, o Instituto Conceição Moura, tem um intenso desafio: colaborar para melhorar a qualidade de vida da população de Belo Jardim, município localizado no agreste central de Pernambuco, a 180 km do Recife, a partir do engajamento das pessoas em projetos e iniciativas coletivas.

Criado em 2014 pelo Grupo Moura, empresa no ramo de baterias e autopeças, o Instituto tem como missão contribuir para transformar Belo Jardim em uma cidade melhor para se viver. O Instituto herdou os trabalhos sociais que já eram liderados por Conceição e Edson Moura, mas teve a sua atuação expandida. Hoje, crianças, adolescentes e jovens encontram-se no centro da atuação da organização, que conversa com a comunidade, escola, pais e responsáveis e também com o poder público, a fim de somar esforços pela transformação social local.

Essa estratégia de dar maior atenção ao desenvolvimento de crianças e adolescentes foi adotada no intuito de incentivar uma atitude crítica e proativa desde cedo a partir de atividades complementares, realizadas no contraturno escolar. Segundo Stephanie Santos, gestora de Projetos em Arte e Cultura do Instituto, a partir da atuação com esse público, é possível atingir outras parcelas da população, como as famílias desses alunos.

“Crianças e jovens de escolas públicas constituem nosso maior público, desde a educação infantil até a educação de jovens e adultos. O Instituto trabalha com as escolas incentivando gestores e professores a envolverem as famílias, por entender que ao chegar nelas, acaba atingindo a comunidade toda, e com isso fortalece a educação. Nós priorizamos a educação pública e trabalhamos a partir da parceria com as Secretarias Estadual e Municipal de Educação, bem como com a Secretaria de Cultura”, explica.

A atuação com a rede de ensino pública tem como objetivo transformar o espaço escolar num ambiente de produção de conhecimento e inovação; de gestão compartilhada entre gestores, professores, funcionários, alunos e familiares; além de promover a atualização de gestores escolares e professores em tecnologias e metodologias educacionais inovadoras e ser um ponto de convergência entre a família e a comunidade.

Para consolidar uma rede e trabalhar para uma atuação efetiva no território, o Instituto Conceição Moura elegeu alguns compromissos que conversam diretamente com os desafios enfrentados. Entre eles, estão: inovação, proatividade, valorização da cultura local, empoderamento, respeito às diferenças, curiosidade, empreendedorismo e sustentabilidade.

“A proatividade é um compromisso que aparece muito nas ações. A presidente do Instituto, Mariana Moura, tem uma frase em que enfatiza: ‘A gente transforma as pessoas para que elas possam transformar a cidade’”, destaca Stephanie.

Áreas de atuação

Os trabalhos do Instituto Conceição Moura se dão de forma articulada em três áreas: “Meio Ambiente”, “Arte e Cultura” e “Educação e Transformação Social”.

Em “Meio Ambiente”, existe um espaço de ciência educacional chamado “Planeta do Bem”. Segundo Stephanie, o Instituto tem trabalhado para tornar o espaço um museu de ciência, onde são discutidas questões de sustentabilidade e consumo consciente, tudo isso a partir da educação ambiental. A gestora de projetos explica que, no espaço, é possível que estudantes da rede pública de ensino participem como monitores voluntários. Ainda dentro do Planeta do Bem, há outro foco de atuação chamado “Território do Fazer”, um centro colaborativo de robótica.

Além de promover práticas de preservação e uso responsável dos recursos naturais, o Planeta do Bem também tem outros impactos positivos na comunidade. “Existem dois desafios grandes em Belo Jardim: a evasão escolar e a distorção idade-série. Nós temos relatos de alunos que queriam deixar a escola mas não o fizeram porque sabem que, se saírem da escola, não poderão participar de projetos como a robótica e também ficam impossibilitados de serem monitores no Planeta do Bem. Então, os estudantes acabam tendo um estímulo a mais para insistirem na educação porque querem participar das ações”.

Além dessas, também são promovidas ações de coleta seletiva e reciclagem, seja de resíduos sólidos como de óleo.

Já em “Arte e Cultura”, existem três subcategorias: artesanato; cinema e música, todas elas com o objetivo de reconhecer e desenvolver talentos locais, incentivar o trabalho e produções artísticas.  

Há três anos o Instituto promove um Circuito Cultural em parceria com produtores culturais, cuja programação inclui: um festival de cinema e dois de música, além da residência artística, todos com recursos advindo da Lei Rouanet, patrocinados pela Baterias Moura. Os eventos são acompanhados de oficinas de formação voltados para os estudantes das escolas públicas de educação básica, das escolas técnicas e universidades.

Em artesanato, por exemplo, existe há 11 anos o Centro de Artesanato Tareco & Mariola, um espaço público gerido pelo Instituto, onde os produtos artesanais do município e região são exibidos e comercializados. “A dona Conceição foi uma das pessoas que viu em artesãs locais a possibilidade de tornar o trabalho delas em arte. Além disso, o Instituto também realiza, em parceria com o Sebrae, oficinas de formação para que os artesãos possam entender de negócios, de design dos produtos e precificação ”.

Também são promovidos festivais de música e cinema, além de uma escola de música, a “Flor de Mandacaru”, que oferece aulas de flauta doce, além de formar um coral.

Por fim, na área de “Educação e Transformação Social”, o Instituto promove projetos de acordo com a crença na educação participativa, colocando o aluno como protagonista. São três subcategorias, cada uma delas com suas ações e programas próprios.

Em “Qualidade Total na Educação”, a ideia é apoiar a gestão escolar, incluindo formação de gestores e professores. Uma das ferramentas dessa frente é o Conviva Educação, plataforma virtual gratuita, da parceria com o Instituto Natura, que reúne informações e ferramentas úteis de apoio à gestão. Ainda nessa linha, o Instituto vem acompanhando junto à Secretaria de Educação a implementação do Plano Municipal de Educação – PME, aprovado em 2015.

Em “Educação de Qualidade”, são promovidas ações que possam contribuir com o processo de aprendizagem dos alunos nas áreas de matemática, português e no desenvolvimento pessoal. O projeto “Se liga”, por exemplo, combate o analfabetismo e a evasão escolar. Já o “Acelera” atua para superar a repetência, que gera a distorção idade-série.

Por fim, em “Transformação Social”, o Instituto pretende contribuir na formação de crianças e jovens a partir de projetos que estimulem a convivência e a integração da escola com o território, como é o caso do “Comunidade de Aprendizagem”, desenvolvido em parceria com o Instituto Natura e a Secretaria Municipal de Educação. Além de projetos como Academia dos Desenrolados que fortalece o protagonismo juvenil, envolvendo estudantes do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio.

Associação ao GIFE

Segundo Stephanie, associar-se ao GIFE representa uma oportunidade de o Instituto vir a participar de uma rede nacional de instituições que atuam em favor do interesse público, e com isso enriquecer e melhorar a sua atuação junto à comunidade, bem como somar esforços com as demais instituições associadas para fazer avançar as políticas públicas sociais.

O Instituto é mantido por doação da Empresa Baterias Moura e é responsável por gerir os projetos viabilizados com recursos advindos da Lei Rouanet, patrocinados pelo Grupo Moura. A partir de 2020 faz parte do planejamento estratégico do Instituto buscar fontes de receitas adicionais, mas mantendo a doação da empresa.

“Nós não pensamos somente em sustentabilidade para o município. Nós queremos também uma autossustentabilidade. E, para isso, é extremamente importante fazer parte da Rede GIFE. Nós incentivamos para que as pessoas sejam responsáveis por si e pela comunidade, para que elas se tornem proativas e que possam melhorar a sua vida e a da cidade”, ressalta Stephanie.

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