Itaú Social e Instituto de Estudos Avançados da USP lançam Cátedra de Educação Básica

Como aproximar o meio acadêmico do dia a dia de escolas e redes educacionais? Pensando em alternativas para responder a essa pergunta, o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP) e o Itaú Social lançaram no dia 21 de fevereiro a Cátedra de Educação Básica.

O evento de lançamento, realizado no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, contou com a participação do diretor do Instituto de Estudos Avançados, Paulo Saldiva;  da superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann; do coordenador acadêmico da Cátedra, Nilson José Machado; e do reitor, Vahan Agopyan.

A partir de um investimento de R$ 5 milhões, a Cátedra tem como objetivo contribuir com a formulação de políticas de formação e valorização dos professores das redes públicas de educação básica. A ideia de criar o programa surgiu a partir de um estudo do Grupo de Estudos Educação Básica Pública Brasileira: Dificuldades Aparentes, Desafios Reais, que realizou um ciclo de cinco seminários em 2017 com pesquisadores, educadores e gestores públicos para discutir pontos diversos sobre a educação, como a situação do magistério, experiências inovadoras e o uso de tecnologias em sala de aula.

Juliana Yade, especialista em educação do Itaú Social, explica que, além de mapear questões relevantes sobre o cenário da educação no país, o grupo também começou a pensar em como articular ações para atender às necessidades do campo. “O que nos levou a criar a Cátedra foi o objetivo comum de pensar a melhoria da educação a partir do viés da formação profissional docente.”

A delimitação de atuação do programa foi ratificada pela pesquisa Profissão Docente, realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Rede Conhecimento Social a pedido do Todos pela Educação e do Itaú Social. “Milhares de professores da rede pública e privada apontaram que um dos modos de pensar a valorização da carreira docente é dialogar com os desafios do cotidiano da escola”, afirma Juliana.

Considerando o que foi apontado pelo levantamento, a especialista ressalta que é preciso rever espaços de formação inicial e continuada para que de fato exista um diálogo com as necessidades colocadas pelos professores, como a vontade de contribuir com a criação de políticas públicas educacionais. A colocação une os dois objetivos da Cátedra: contribuir com a formulação de políticas de formação e valorização de docentes.

Eixos

O programa será dividido em dois eixos. O primeiro engloba a curadoria de estudos já existentes sobre experiências educacionais de qualidade, principalmente com foco em políticas de formação e valorização docente, além do apoio a pesquisas sobre o tema. Com isso, a Cátedra busca identificar, com pesquisas em campo, os avanços e desafios na rede municipal e estadual de ensino.

O segundo eixo, por sua vez, será destinado à disseminação e debate do conhecimento produzido no eixo um, a partir de oficinas, seminários e rodas de conversa abertas ao público. Para o primeiro semestre deste ano, já estão previstos três seminários temáticos: Professor: profissionalismo e competência, no dia 16 de março; Ação do professor: planejamento e avaliação, no dia 13 de abril; e no dia 18 de maio, Formação do professor: experiências inovadoras.

“Os seminários são abertos. Nós desejamos e precisamos contar com a participação de professores, mas entendemos que é necessária a presença de todos os âmbitos sociais, já que toda a sociedade deve pensar em educação. Queremos ter a escola, a comunidade escolar que inclui família e outros atores do território”, ressalta Juliana.

Os encontros acontecerão no IEA-USP e contarão com transmissão online para disseminar o conteúdo para além do corpo docente de São Paulo.

Conselho consultivo e participação na Cátedra

Juliana comenta que os debates presenciais serão comandados pelo próprio grupo que compõe a Cátedra, que já conta com um conselho consultivo formado por especialistas da educação, representantes de organizações da sociedade civil e professores em atividade.

Além disso, a especialista ressalta que mesmo que a Cátedra tenha um desafio grande, a expectativa é que a produção de conhecimento de fato promova um diálogo e aproximação entre o corpo docente da educação básica e as universidades.

“Que esse seja um espaço de valorização e formação do professor a partir de uma escuta qualificada, para que possamos ouvir essas pessoas que estão nesse último estágio da prática da ação educativa que é o ensinar e aprender. Que ouvir esse sujeito possibilite ações de mudanças reais no cenário educacional brasileiro”.

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