Em meio a adversidades, jornalismo comunitário busca promover igualdade através da comunicação

Em agosto de 2022, o projeto Nordeste Eu Sou completará 11 anos de existência. Surgido em em Salvador (BA), para mostrar a comunidade periférica do Nordeste de Amaralina de forma positiva, o canal de comunicação comunitária propõe uma abordagem diferente da mídia tradicional.

“A gente percebeu que o Nordeste de Amaralina precisava de um canal para debater as pautas positivas do bairro e que mostrasse para o mundo o que tem de bom. Tem a cultura local do bairro, mas essa cultura é ofuscada pela mídia tradicional que só publicava as coisas ruins”, explica Jefferson Borges, diretor geral do projeto.

Na busca por contrapor a mídia tradicional e conquistar liberdade editorial, surge também a Mídia Caeté. Após uma série de demissões em massa e uma greve contra redução salarial de jornalistas em Alagoas, um grupo de profissionais decidiu fazer um jornalismo independente, sem patrão ou publicidade que viesse afetar a linha editorial.

Wanessa Oliveira, coordenadora da cooperativa Mídia Caeté, afirma que o objetivo é uma comunicação “cuja primeira e última palavra seja das comunidades e de grupos geralmente escanteados ou com voz reduzida nesses veículos mais corporativos”. 

Falta de recursos como um dos principais desafios do jornalismo comunitário 

Além das questões relativas à segurança dos profissionais, quando abordam denúncias da segurança pública, a falta de investimento é uma grande preocupação para a comunicação nas comunidades.

“A gente não tem os recursos das grandes mídias, então a gente acaba sobrevivendo do comércio local ou de projetos, editais”, explica Jefferson Borges, abordando a importância dos investimentos da sociedade civil.

Para Wanessa Oliveira, entre os desafios estão o medo das fontes em falar e as dificuldades financeiras. O projeto firmou parceria junto ao Centro de Direitos Humanos Zumbi dos Palmares (Cedeca), e recebe recursos da edição de 2021 do Google News Initiative (GNI) Innovation Chalenge. “São dois projetos de fundamental importância social. No entanto, economicamente falando, ainda estamos longe de subsidiar inteiramente o necessário”, lamenta.

Jefferson Borges afirma que mesmo em meio às dificuldades, segue a luta por justiça social, buscando impactar a comunidade. “Nossa parte social cuida disso, fazer mutirão de saúde, distribuição de cestas básicas e material de limpeza”. 

“A gente respeita e se preocupa com o chão que a gente pisa, porque inclusive muitos de nós vivemos nesse mesmo chão”, finaliza Wanessa Oliveira. 

Investimento

Levando em conta este cenário, o Investimento Social Privado (ISP) também incide nesta área. O Instituto Alana, através do AlanaLab, investe em iniciativas de comunicação de impacto, como forma de transformação social. Destaque também para a Open Society Foundations, que apoiou iniciativas voltadas à segurança de jornalistas na América Latina. Outras organizações como, Fundação ABH e BrazilFoundation, também investem no campo, e já chegaram a apoiar um projeto de Escola Comunitária de Comunicação.

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