Latimpacto reúne organizações do investimento social da América Latina e Caribe para pensarem desenvolvimento sustentável

De olho nas principais tendências e novos modelos de pensamento no cenário do Investimento Social Privado, a Latimpacto realizou entre os dias 24 a 27 de abril, a primeira edição da sua Conferência Anual: Impact Minds Standing Together, em Cartagena das Índias, na Colômbia. 

Desenvolvida durante a pandemia, a Latimpacto reúne uma comunidade de investidores de capital humano, intelectual e financeiro comprometidos em alcançar soluções de impacto na América Latina e no Caribe. Em sua primeira conferência, recebeu líderes e atores do ecossistema de investimento social centrados no objetivo de construir espaços efetivos de diálogo. Além da promoção de propostas e parcerias inovadoras para atrair investimentos para a região.  

Realizado de forma 100% presencial, o evento recebeu diversos líderes e atores de fundações; instituições filantrópicas familiares; empresas; fundos de investimento de impacto; fundos de capital privado e de capital de risco; empresas de consultoria; aceleradoras e incubadoras; advogados; academia; agências públicas (nacionais e multilaterais); redes e associações de filantropos e investidores socioambientais.

“Venture Philanthropy” 

“Mover-se de uma filantropia de impacto em direção a uma filantropia para impacto”, é um enquadramento que a Latimpacto busca promover, e também um dos panos de fundo das discussões de “venture philanthropy”. A abordagem de investimento que prioriza o impacto social e ambiental sobre o retorno financeiro, é um dos temas amplamente explorados entre atores do Investimento Social Privado (ISP) brasileiro.

Presente no evento, Gabriel Cardoso, gerente executivo do Instituto Sabin, membro da Latimpacto, e representante da Rede Temática de Negócios de Impacto na Enimpacto, do GIFE, observou uma combinação de experiências e conexões entre os participantes. Integrando diversas atividades técnicas, palestras e ouvindo grandes referências no campo, Cardoso pôde imergir em diversas iniciativas e ações realizadas no campo do terceiro setor e filantropia colombianas.

“O evento foi fantástico. Houve uma discussão grande dos desafios. Foi debatido, por exemplo, que nós podemos, enquanto setor, trabalhar o uso de evidências para que possamos gerar um impacto social maior”, destaca. 

O apoio não financeiro que pode ser oferecido para que as organizações desenvolvam as suas atividades de impacto social foi outra abordagem presente nos diálogos dos investidores. Assim como finanças inovadoras e responsabilidade social corporativa.

A gerente de projetos do Instituto de Cidadania Empresarial – ICE, Adriana Mariano, que também marcou presença na conferência, classifica a experiência como única. Entre os pontos observados durante as sessões e painéis, aponta para a importância do capital catalítico – capital de investimento paciente, tolerante ao risco e flexível, que visa atender organizações orientadas ao impacto que não têm acesso ao capital em condições adequadas através do mercado convencional. Além de, novas fontes de recursos e mecanismos de financiamento para a solução dos desafios sociais e ambientais, como o blended finance, e o próprio venture philanthropy. 

“Destacaria a fala do Fabio Segura, da Jacobs Foundation, que reforçou a a necessidade de olharmos para os últimos 10 anos e ver onde fracassamos como investidores sociais privados. A partir deste olhar ele trouxe provocações importantes para pensarmos o futuro do campo”, comenta.

Protagonismo brasileiro na Latimpacto

Com mais de 50 participantes representando organizações de norte a sul do país, a comitiva brasileira foi a maior do evento, que recebeu mais de 300 pessoas. O grupo representava cerca de 35 organizações, entre fundos de investimentos, negócios de impacto social, empresas, fundações e institutos empresariais e organizações da sociedade civil.

Com pautas como a pobreza, insegurança alimentar, justiça climática, racismo ambiental e outras desigualdades, o Brasil, opina Cardoso, ocupa uma posição de muito protagonismo nos debates promovidos pela Latimpacto, principalmente por representar a maior economia da América Latina e do Caribe.

“O evento fortaleceu muito a rede e gerou valor para as organizações participantes. Eu saio com a sensação de que aprendi muito, tive muitas experiências e criei muitas conexões para desenvolver um trabalho colaborativo mais qualificado quando voltar ao Brasil”. 

Introduzindo e aprofundando tendências e modelos no ecossistema da filantropia e investimento de impactos, a primeira conferência anual da Latimpacto não representou apenas a promoção de propostas para atrair investimentos para a América Latina e Caribe. Mas também promissoras parcerias entre agentes do setor comprometidos em alcançar resultados e mudanças positivas, sustentáveis e de longo prazo. 

“Retorno destes dias intensos e de tantos aprendizados refletindo sobre o nosso papel [no ICE] de fortalecimento de ecossistemas de impacto no Brasil e como podemos viabilizar a troca de aprendizados com países vizinhos que estão lidando com desafios tão similares. E, assim como nós, buscando inovar para atrair mais capital financeiro para a solução dos desafios sociais e ambientais”, finaliza Adriana.

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