Narrativas inspira e mobiliza comunicadores para construção da rede

 

Mais de 70 comunicadores e gestores de 46 instituições participaram do primeiro encontro da Rede Narrativas, marcado por falas de “inspiração”. A primeira parte do evento, que aconteceu no dia 22 de maio, em São Paulo, foi dedicada ao levantamento de expectativas, demandas e desafios que os profissionais da comunicação têm a fim de definir, conjuntamente, estratégias de atuação da rede para 2018.

Isso porque a Narrativas, que foi lançada em abril durante o X Congresso do GIFE, mas que já vem sendo gestada há um ano e meio, tem objetivos oportunamente ambiciosos diante de tantos desafios que a área enfrenta há anos. Sua proposta é contribuir com o desenvolvimento do campo da comunicação para organizações sem fins lucrativos, aproximar e conectar comunicadores, promover a troca de informações e de experiências, além de fortalecer a comunicação como área estratégica nas organizações da sociedade civil.

“A Narrativas para mim é uma grande oportunidade de construirmos e implementarmos uma comunicação corajosa e não podemos nos acovardar diante da conjuntura. Estamos num momento de uma comunicação muito aguerrida. Por isso, precisamos falar, nos posicionarmos, inspirarmos. Sempre teremos diferenças a enfrentar, mas para isso é essencial que nos conheçamos, construamos vínculos e um caminho que consigamos mais igualdades”, pontuou Carolina Pasquali, diretora de Comunicação do Alana.

Dados do Censo do GIFE, feito a cada dois anos com seus associados, despertaram alguns alertas e alimentaram o desejo de criação de um espaço como o Narrativas.

“Quando perguntadas sobre qual o seu público, 83% as instituições responderam que é ´a sociedade civil em geral´. Quem trabalha com comunicação sabe que esta não deve ser a definição de um público por ser muito ampla. Elas enxergam valor na comunicação, mas ainda muito focada na dimensão de prestação de contas. Queremos uma comunicação que entenda que para ser transformadora precisa ser capaz de convertê-la em mensagem. Outro alerta foi descobrir que entre 50 e 60% dos setores de comunicação das pesquisadas não têm equipe própria, recorrem a profissionais de suas mantenedoras. Como fortalecer o comunicador se ele não tem espaço e, muitas vezes, não consegue se colocar nestes ambientes?”, provocou Mariana Moraes, gerente de Comunicação do GIFE.

Na segunda parte do evento foi apresentado o caminho percorrido até aquele momento e a possibilidade de abertura a novas participações. “Como sair da nossa bolha? O primeiro objetivo seria nos juntarmos e, o segundo, definirmos como trabalhar nesta perspectiva. Uma de nossas tarefas segue no sentido de ampliar a compreensão dos Direitos Humanos, que é um guarda-chuva, e nos posicionarmos nesse contexto. Este evento é importante para catalisar processos. Daqui para frente, manter esse momento vivo,” apontou Bernardo Caldeira Brant, coordenador executivo da Oficina de Imagens.

Nove entidades iniciaram os trabalhos da Rede: Instituto Ayrton Senna, Instituto C&A, Mc&Pop Comunicação, Alana, GIFE, Instituto Unibanco, Fundo Brasil de Direitos Humanos, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e Agência Cause. A proposta agora é ampliar este número.

Segundo Debora Borges, assessora de Relacionamento com a Sociedade do Fundo Brasil de Direitos Humanos, a partir desse momento, o desejo é constituir quatro grupos de trabalho (GTs) e colocá-los para funcionar. São eles: conteúdo, articulação, formação e captação de recursos. “E propomos um núcleo gestor que seja composto por dois representantes de cada GT e um ano de mandato”, explicou.

Além dessa organização estrutural da Narrativas, Fernanda Kalena, da equipe de Comunicação do Instituto Unibanco, revelou que o grupo tem a intenção de organizar um encontro presencial por ano e dois webinars, sendo o primeiro já no segundo semestre deste ano, com o tema de comunicação transformadora.

Inteligência comunicacional

Expectativas, compartilhamento de sonhos e aflições, além de sugestões de ações compuseram uma lista robusta que aponta muito trabalho pela frente para a rede. Os participantes apontaram caminhos como: que a Rede seja um núcleo de inteligência comunicacional, um espaço de descobertas de como lidar com os desafios da comunicação contemporânea, de construção de estratégias intersetoriais, de fortalecimento da comunicação contribuindo para que ela integre de forma efetiva o planejamento das instituições e da comunidade de comunicadores que atuam em causas etc.

Outras possibilidades levantadas também durante o encontro foram: compartilhamento de conhecimento, de união de forças para divulgar e fazer projetos transformadores, de atingir vários setores da comunicação que não estão sensibilizados para causas e Direitos Humanos, entre outras. Banco de causas, festivais, seminários e encontros foram também citados como possíveis iniciativas a serem desenvolvidas pela Narrativas.

“Para nós, a Narrativas deve ser um núcleo de inteligência de comunicação, que contribua com a ampliação da qualidade da comunicação das instituições nos ajudando a responder que qualidade é esta. O que estamos entregando aos nossos públicos, como funciona essa gestão, que indicadores queremos. Que este espaço nos traga maturidade que não deve dizer respeito apenas à comunicação interna, externa das instituições, mas ao tratamento aos profissionais também que, muitas vezes, estão trabalhando em ambientes de pouco ou nenhum reconhecimento. Não somos só assessorias de imprensa. Somos capazes de conceber inovações a partir de exemplos, de construir ecossistemas de comunicação”, ressaltou Rodrigo Zavala, gerente de Comunicação da Aldeias Infantis SOS Brasil, que atuou como relator de um dos grupos.

Elevar o papel da comunicação, fomentar parcerias antes impensáveis, ser um hub de difusão de conhecimento para multiplicar essas informações ao terceiro setor de maneira geral. Estas foram as expectativas de outro GT apresentadas por Marcelo Douaek, fundador da produtora Social Docs. “E nossa contribuição ao Narrativas é compartilhar as metodologias que desenvolvemos de contação de histórias. Como aproximar a comunicação dessa linguagem? Uma das possibilidades é a realização de oficinas de formação que fazemos, inclusive, onde o valor delas quem define é quem vai receber esse conteúdo,” comentou.

Anna Beatriz Carvalho, do Instituto Ayrton Senna, relatou as discussões do grupo que fez parte. “Muitos dos termos que usamos em nossas causas são incompreensíveis para o público geral. Precisamos facilitar esse entendimento da sociedade civil. Temos hoje uma necessidade enorme de dar visibilidade ao que fazemos e a Rede pode ser esse somar de forças para que, inclusive, impulsionemos os projetos uns dos outros. Desejamos também que fortaleçamos o papel da comunicação nas empresas para que ela seja vista como área programática”, concluiu.

As contribuições de quem acompanhava online também foram compartilhadas por Nathália Rocha, analista de Comunicação da agência Cause: “Uma delas foi que a Rede fortaleça comunicadores que atuam em organizações da sociedade civil no sentido de construir narrativas por direitos, principalmente no atual contexto. Outra chamou a atenção para que a Narrativas promova trocas de experiências com outros grupos na tentativa de desvendar quais são os caminhos que a comunicação de causas está seguindo e se é o mais eficiente. E, por último, que coloque em contato profissionais de comunicação que passem por desafios semelhantes em suas instituições.”

Nicolau Soares, comunicador da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), falou sobre outra rede que também está se constituindo chamada Cardume – Comunicação em Defesa de Direitos, cujo objetivo é potencializar as vozes das instituições e dar maior visibilidade às pautas dos Direitos Humanos.

“Queremos fortalecer a comunicação de defesa do bem comum. Estamos num momento em que grupos querem se unir, se encontrar para trocar. O que me chamou a atenção é que muitos dos temas, expectativas e desafios mostrados hoje aqui são os mesmos da Cardume mesmo ela sendo constituída, em sua maioria, por movimentos sociais. Temos muito a trocar com a Narrativas: articular causas, discutirmos como nos comunicarmos melhor e que mídia podemos pautar, contribuir com a formação do comunicador, trazer mais vozes para esse debate”, afirmou.

Para Valéria Lapa, gerente de Relacionamento Institucional e Comunidades do Instituto Lina Galvani, para transformar é necessário compartilhamento de conhecimento, seja com os públicos atendidos ou não pelos projetos em que as instituições estão envolvidas.

“Para nós é essencial ensinarmos outros grupos a desenvolverem suas próprias comunicações. Uma das nossas estratégias é realizar ações de educomunicação porque enxergamos nela uma oportunidade com vistas a uma transformação muito maior, uma transformação do ser humano. Às vezes, um despertar para a leitura crítica de mídia, fazendo com que a pessoa sinta a importância de entender que uma notícia vale mais do que um investimento material”, avaliou.

Organizações que participaram do encontro

Mais de 40 organizações estiveram presentes no evento, sendo elas:

Actis, Alana, Associação Cultural Opereta, Bradesco, Canal Futura, Cause, Cidade Escola Aprendiz, Escola Aberta 3º Setor, F. Estratégia de Conteúdo, Fiesp, Fomiga-me, Forward, Fundação Alphaville, Fundação Euzébio Leandro, Fundação Grupo Boticário, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Fundação Tide Setúbal, Fundo Brasil de Direitos Humanos, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Imaflora, Impacto, Instituto Alcoa, Instituto Arapyaú, Instituto Auá de Empreendedorismo Socioambiental, Instituto Ayrton Senna, Instituto Coca-Cola, Instituto da Oportunidade Social, Instituto Ethos, Instituto Grupo Boticário, Instituto Natura, Instituto Sou da Paz, Instituto Unibanco, Instituto Terra, Trabalho e Cidadania – ITTC , Locomotiva Cultural, Máquina do bem, Mercado livre, Nova Curitiba, Oficina de Imagens, Projeto Casulo, Realidade Virtual, Sistema B, Social Docs, Umcomum e United Way Brasil.

 

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