Ninho Musical é apresentado em Simpósio Internacional de Gestão de Projetos

 

Nascido em São Paulo, capital, o pesquisador Felipe Salles apresenta a didática da oficina musical “Ninho Musical”, projeto da Estação Cultural da Fundação Romi, em Simpósio Internacional de Gestão de Projetos – IV SINGEP. Graduado em Engenharia de Produção pelo Mackenzie e em Música pela Faculdade Santa Marcelina, Felipe estudou guitarra-jazz, violão popular e violão clássico. Antes da faculdade tocou em bandas cover de Rock´n´Roll como Led Zeppelin, Deep Purple e Pearl Jam. Estudou Hélio Delmiro, Baden Powell, Romero Lubambo, dentre outros renomados da música brasileira. Foi guitarrista da Big Band da Santa Marcelina. Fez parte do Coral do Mackenzie, sob a regência do Maestro Parcival Módolo, no qual teve a oportunidade de cantar junto à Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas.

Durante a graduação foi bolsista FAPESP de Iniciação Científica onde estudou a influência da música de concerto na obra de Tom Jobim, sob a orientação do Paulo de Tarso Salles, da ECA-USP. Tenor do Coral da Universidade Metodista de Piracicaba é mestrando em Engenharia de Produção, bolsista pesquisador CAPES, sob orientação do prof. Dr. Mauro Luiz Martens, cujo objeto de pesquisa é a ponte entre a Gestão de Projetos e a Música – área de estudo inicialmente protagonizada por pesquisadores da universidade Berklee College of Music (Boston – USA), sobretudo com o professor Jonathan Feist.

Embora muito jovem, seu vasto e rico currículo começa em Minas Gerais, por volta dos 10, 11 anos de idade, quando vivia por lá. Por orientação de seu professor de violão, Taylor Monteiro, conheceu Bach e Villa-Lobos. Nesta mesma época conheceu também o Jazz com Miles Davis e Wes Montgomery. Como todo adolescente, começou a tocar em bandas de rock. E foi, neste período, com muito esforço e dedicação, que compreendeu seu talento e afinidade com a música.

Clarinetista III da Orquestra Filarmônica Maestro Paulo Bellan, Felipe também é aluno do projeto Ninho Musical. Sua dissertação parte da analogia entre os gestores de projetos e os maestros regentes de orquestras. Segundo a literatura estudada, as organizações devem atuar como uma orquestra para que ela funcione bem. Assim, a pesquisa que embasa o estudo fundamentou-se na ponte entre essas áreas e quais competências o maestro pode atribuir aos gestores de projetos, para que estes ressignifiquem sua profissão e o exercício de sua coordenação.

Imerso no universo musical, para validar ou refutar as competências de um maestro – as variáveis do estudo encontradas na literatura– e agregar novas competências, fruto de contextos de atuação diferentes, Felipe e seu orientador realizaram algumas entrevistas: uma maestrina de uma orquestra profissional de altíssimo nível; uma maestrina de uma orquestra universitária-experimental, também de altíssimo nível; um maestro compositor de uma banda sinfônica; uma maestrina de um coral universitário; e, o maestro do projeto Ninho Musical, Paulo Bellan.

“O maestro Paulo Bellan, do Ninho Musical, tem uma função muito específica, diferentemente dos outros quatro entrevistados. Ele é um maestro professor que, na contramão dos conservatórios tradicionais onde os alunos primeiro aprendem a teoria durante um bom tempo, depois pegam no instrumento, para anos mais tarde entrarem em uma orquestra, no projeto Ninho Musical tudo isso acontece concomitantemente. Ou seja, o maestro Paulo traz uma série de competências especiais que cabem à gestão de projetos, sobretudo, do ponto de vista humanístico e da simultaneidade da aprendizagem”, pontua Felipe Salles.

A dissertação, fruto deste estudo, será findada em 2018. Contudo, para além do objeto de estudo do mestrado, Felipe e seu orientador resolveram escrever um estudo de caso sobre o projeto Ninho Musical, trazendo à tona competências não apenas sob a ótica do maestro Paulo, mas também, sob as perspectivas de dois outros alunos do projeto e do próprio Superintendente da Fundação Romi. O artigo será apresentado no VI Simpósio Internacional de Gestão de Projetos, Inovação e Sustentabilidade, nos dias 14 e 15 de novembro.

Segundo Felipe, este estudo de caso é um aprofundamento das peculiaridades do projeto Ninho Musical. Composto pelas quatro entrevistas, ele também aborda a criação do projeto, sua filosofia de funcionamento – o aluno que sabe mais ensina o que sabe menos – e sua viabilidade financeira. Isso tudo o caracteriza como um projeto muito particular.

“Tive vários professores particulares, entre eles o Taylor Monteiro (já citado), estudei “Souza Lima”, Conservatório e Faculdade de Música de São Paulo, depois fiz a faculdade onde fui orientado pelo Professor Fernando Corrêa. O processo interativo do Ninho Musical me saltou aos olhos. Sob o ponto de vista de aluno, tem sido um ganho grande. Essa dinâmica, teoria, prática instrumental e orquestra, é um facilitador do processo de aprendizagem e é muito estimulante. O Ninho Musical é um processo completamente diferente de tudo que eu já tinha passado. Além disso, contribui para mim, hoje, como educador-pesquisador. Eu acabo aprendendo com a didática do Paulo (maestro) para que tudo isso aconteça”.

Somadas às suas pesquisas, suas vivências o levaram a acreditar que projetos culturais, sobretudo de música, como o Ninho Musical, promovam impacto social positivo. “A música tem sentido em si, mas também, ela promove o conhecimento. O estudo da música, comprovadamente, estimula outros mecanismos do desenvolvimento intelectual. Estudar música favorece o raciocínio matemático, a concentração, o foco, a humanização, além de bem-estar, redução da ansiedade e de quadros de depressão. A música traz um grande conhecimento de outras culturas. É uma arte multidisciplinar. É uma ponte para habilidades extramusicais”, conclui.

Investimento Social Privado

O Ninho Musical é uma oficina cultural de formação musical, destinada a iniciantes ou que já tenham vivência. Realizada pela Estação Cultural da Fundação Romi, desde 2012, já beneficiou mais de 600 participantes, e conta com o apoio cultural da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.

Habilitada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, nesta edição, 2017, o projeto é patrocinado pela CCR AutoBAn e Instituto CCR, oportunizando a aprendizagem gratuita de música instrumental para aproximadamente 140 alunos.

Sob a coordenação do Maestro Paulo Bellan, nas oficinas musicais os alunos aprendem, para a formação da Orquestra Filarmônica Ninho Musical, desde teoria musical até práticas de instrumentos, cuidados e afinação, leitura e interpretação de partituras e compreensão de regência, sempre pela metodologia do compartilhar saberes: aquele que sabe mais ensina quem sabe menos. “A orquestra é fruto da oficina cultural. Ela é o ápice da formação dos aprendizes”, afirma o Maestro.

Para a continuidade do projeto em 2018 e a manutenção da oportunidade de aprendizagem gratuita aos adolescentes, jovens e adultos integrantes do Ninho Musical, a Fundação Romi está em busca de novos Investidores Sociais. Institutos e organizações privadas, interessadas em promover este legado cultural através da destinação de impostos via Lei Rouanet, podem patrocinar o projeto – a destinação fica habilitada até 31 de dezembro. Mais informações podem ser obtidas diretamente no site da instituição, em Investimento Social.

 

Conheça

Pesquisador Felipe Salles apresenta didática do projeto Ninho Musical em Simpósio Internacional de Gestão de Projetos.

Pesquisador Felipe Salles

 

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