Iniciativa ‘Novas Vozes’ do Congresso GIFE coloca em evidência atuação transformadora da juventude

 

Thiago Feijão, Marina Feffer, Ana Paula Lisboa e Henrique Silveira. Quatro jovens, com trajetórias e histórias de vida muito diferentes, de realidades distantes, têm um ponto em comum que os aproximam: buscam, por meio do seu trabalho, cotidiano, falas e ações colaborar na busca por novas soluções para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e sustentável.

Pela primeira vez, o Congresso GIFE abre um espaço exclusivo para que essa nova geração, que utiliza seus conhecimentos, conexões e muita disposição, possa falar e, quem sabe, inspirar novas histórias e iniciativas. Os quatro jovens irão compartilhar seus desafios, sonhos e conquistas com os participantes do Congresso na seção “Novas Vozes”, que será realizada no dia 05, às 14h.

Na história de Thiago Feijão, 29 anos, co-fundador e presidente do QMágico, empresa focada em desenvolver tecnologias e serviços com inteligência de dados para ajudar professores e escolas na personalização da aprendizagem, por exemplo, a educação e, mais do que isso, um educador em especial, teve papel fundamental para não apenas definir sua carreira, mas focar seus esforços em ações que possam promover a melhoria da educação e trazer novas oportunidades para a juventude.

“Minha família sempre teve muitas oportunidades por meio da educação. Minha mãe sempre nos fez acreditar que educação era um elemento transformador. Assim como um professor de matemática que tive na sexta série. Eu o ajudei em seu mestrado sobre educação e cidadania e aprendi muito sobre isso, de educação por valores. E isso mudou muito minha vida. Por essas duas oportunidades, quando entrei na faculdade, no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), decidi que queria devolver as oportunidades que tive de uma educação boa ajudando pessoas que talvez também não tivessem. Decidi seguir a paixão e o sonho”, comenta.

E isso foi fundamental para Thiago entrar de cabeça nesta história. O jovem é fellow da Fundação Estudar, associado do Todos Pela Educação e Talento Educação Lemann. Já foi consultor de educação e tecnologia para o BID e CNI; co-fundou organizações não governamentais educacionais para jovens de baixa renda e, hoje, é presidente do Conselho de uma delas, o Instituto Semear. Atualmente, participa ativamente também do Conselho de instituições de Educação.

“Acredito que o que precisamos ajustar no mundo o mais rápido possível é a igualdade de acesso e oportunidades entre os cidadãos. E a melhor forma de resolver isso é por meio da educação e do empreendedorismo. Se você consegue educar muito bem as pessoas e traz o conhecimento do empreendedorismo, muita coisa será diferente”, pondera.

Trazer novas oportunidades, garantir acesso aos direitos e promover transformações também é a aposta do jovem Henrique Silveira, 32 anos, coordenador executivo da Casa Fluminense, um espaço permanente para o debate, proposição e monitoramento de políticas públicas no Rio de Janeiro. Aliás, a escolha da sua profissão – geógrafo com mestrado em Cultura e Comunicação, ambos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – foi definida justamente para conseguir compreender melhor as desigualdades do seu território e propor mudanças.

Henrique, natural da baixa fluminense e de uma família com várias privações financeiras, se deparou de fato com um novo olhar para as questões sociais locais quando frequentou o cursinho pré-vestibular comunitário no bairro. “Foi ali que ‘caiu a ficha’ de que eu vivia numa cidade, num país desigual. Me vi como se tivesse num tabuleiro e que precisava jogar. Desisti então de fazer Engenharia e  optei por Geografia, a fim de compreender melhor como se dá a desigualdade no espaço urbano, como alguns territórios são tão desprovidos dos serviços públicos, abandonados, enquanto outros têm tantas oportunidades”, se recorda.

Essas questões ficaram tão latentes para o jovem que se engajou em diversos movimentos de garantia de direitos ao longo da graduação e, depois de formado, voltou para dar aulas no cursinho comunitário, além de trabalhar como gestor na implantação da UPP Social no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Passou por outros trabalhos, até chegar à Casa Fluminense, atuando por meio da mobilização e articulação; da informação qualificada fácil e acessível para discutir as políticas públicas; e da incidência política.

“Hoje a organização cumpre um papel importante de produzir espaços de discussão sobre a cidade, políticas públicas orientadas para a redução das desigualdades, baseadas em evidências com o esforço de evitar as polarizações. Queremos ser um espaço de convergência, que busque identificar os gargalos e soluções na região metropolitana do Rio. Esse arco de interlocução amplo e plural é algo que o Brasil precisa. Precisamos criar espaços que tirem o embate. A desigualdade é brutal no país e devemos mover estruturas para ampliar oportunidades, para produzir cidades mais inclusivas, sustentáveis”, acredita.

Desafios e ações

Thiago e Henrique apontam que, diante dos desafios complexos pelos quais a sociedade atual vive, é preciso sim criar novas soluções, cada vez mais criativas, que ajudem a resolver os problemas que, infelizmente, não são novos a fim de garantir um desenvolvimento cada vez mais sustentável. E, para que isso seja possível, será preciso unir gerações.

“É claro que, pela evolução do mundo, essa nova geração tem uma forma de pensar que é diferente das anteriores, principalmente devido às novas tecnologias. Tudo se tornou mais rápido e essa geração enxerga as soluções assim por ter nascido imersa nesse mundo. Mas, acredito que essa nova forma de pensar tem que ser equilibrada com o conhecimento das gerações anteriores. O desafio é estabelecer uma comunicação, das gerações se escutarem e construírem juntas as soluções para os problemas, evitar erros já cometidos e maximizar o impacto do mundo”, acredita o fundador da QMágico.

Para o coordenador da Casa Fluminense, outro ponto central é sair do discurso de que a ‘juventude é essencial para o futuro’ e construir de fato condições para que os jovens possam assumir esse protagonismo na sociedade brasileira. “Mas, como ter visão de futuro se o jovem hoje não tem espaço para ser este ator de destaque no processo? Claro que temos exemplos de jovens que conseguiram superar adversidades e construíram trajetórias que romperam o ciclo de desigualdade. Mas quantos não conseguiram? Quantos não receberam estímulos e oportunidades para romper a trajetória da pobreza? Junto com a ideia de que ‘o jovem é futuro’, tem que vir a ação: que janelas vamos criar para que eles possam assumir esse protagonismo?”, questiona Henrique.

E completa, convocando os investidores sociais para a ação. “Temos muitos programas de investimento social privado que pensam o jovem como beneficiário e não como executor de projetos e iniciativas. É preciso mudar essa lógica”.

Conheça o perfil das outras jovens que participarão do ‘Novas vozes’:

Marina Feffer
É co-fundadora da Zest Impact, empresa que atua com indivíduos e famílias de alto capital econômico para identificar o propósito do patrimônio familiar e a visão de longo prazo da família. Buscamos as maneiras mais eficazes de alocar capital, maximizando retornos sociais. O trabalho é embasado nos campos da Psicologia, Economia e Filosofia Moral. Marina é da 4ª geração da família empresaria Feffer, estuda dinâmicas de famílias empresárias, e na sua família participa como membra do Conselho de Família, Conselho de Acionistas da Holding e do Conselho da Fundação Arymax (familiar). Participa também do Conselho Consultivo do Instituto Samuel Klein e Instituto Jatobás.

Ana Paula Lisboa
É a mais velha de quatro irmãos, filha de dois pretos. Favelada e carioca de nascimento, atualmente divide a vida entre o Rio de Janeiro e Luanda, onde dirige a produtora cultural Aláfia. Escritora, publicou contos e poesias em coletâneas nacionais e internacionais. Desde 2016 escreve periodicamente para a revista feminista AzMina e para o Segundo Caderno do jornal O Globo. Em 2018 lança-se como âncora do web programa “Querendo Assunto”: três mulheres que dividem um sofá numa conversa leve e perpassada por suas militâncias, lugar de fala e vivências.

Participe

O Congresso GIFE será realizado de 4 a 6 de abril, em São Paulo. Clique aqui para conferir a programação completa e fazer a sua inscrição.

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