Programação aberta do X Congresso GIFE traz atividades práticas diante dos desafios do ISP

 

A programação aberta do X Congresso GIFE, a ser realizado de 4 a 6 de abril em São Paulo acaba de ser divulgada no site do evento e conta com uma série de novidades nesta edição, inclusive no formato. A proposta foi unir e buscar articulações entre as mais de 70 propostas de atividades encaminhadas por associados, parceiros e organizações do setor, aproveitando as ricas e relevantes iniciativas.

Assim, o público presente no Congresso e demais interessados  – já que todas as atividades da programação aberta são gratuitas – poderão participar de mais de 27 mesas, que pretendem fomentar a troca de experiências e intercâmbio de conhecimentos, com o objetivo de trazer a conversa para os desafios ferramentais do dia a dia do investimento social privado no Brasil. As atividades reverberam as discussões da programação fechada e trazem para a prática metodologias, cases, desafios e vivências do ISP.

Sendo assim, as atividades foram organizadas em quatro trilhas, que congregam os temas e direcionam os debates. A primeira delas é a trilha “Gestão, inovação e impacto”, que trará ferramentas, casos práticos e conversas sobre estratégias transversais na atuação do investimento social. Nesta trilha, estão reunidas as mesas sobre avaliação, negócios de impacto e finanças sociais e a Rede Temática de Gestão Institucional.

Na mesa sobre avaliação, por exemplo, será apresentado o Índice de Investimento Incentivado em Cultura [I3C], fruto de uma parceria entre a Simbiose Social e o FGVcenn, que consistirá em um indicador de avaliação do impacto sociocultural gerado pelas empresas a partir do uso de recursos financeiros provenientes de Leis de Incentivo Fiscal.

Já a RT de Gestão, pretende debater sobre como a trajetória da gestão de pessoas e tratativa de seus desafios potencializam o universo do ISP. Segundo Juliana Silva, gerente da Fundação Espaço ECO e uma das articuladoras da rede, este tema tem sido foco de interesse de muitas organizações, porém elas estão em estágios diferentes, o que seria, portanto, muito oportuno trazer o assunto para o centro do debate num espaço como o Congresso e trocar experiências, ampliando a possibilidade de encontrar possíveis caminhos diante de desafios comuns. “Vale lembrar também que as organizações são as pessoas, e que, portanto, as suas ações irão interferir de certa forma na construção de novos caminhos para uma agenda pública comum que possa promover o desenvolvimento desejado para o país”, comenta.

Outra trilha proposta para a programação aberta é a “Horizontes/Perspectivas de Investimento Social Empresarial”, com mesas de conversas e trocas sobre algumas das principais questões da atuação social de empresas, institutos e fundações empresariais. Sendo assim, reunirá quatro atividades sobre: alinhamento ao negócio, gestão de risco, parcerias e co-investimento e voluntariado empresarial. Nesta frente, será compartilhada, por exemplo, a experiência de duas empresas concorrentes – Ambev e Coca-Cola – que se propuseram a co-investir na causa de reciclagem, e dois institutos privados, ligados a diferentes setores, investindo em conjunto na causa da juventude.

A terceira trilha da programação terá como foco “Temas do Investimento Social”, visando ser um espaço de aprendizagem conjunta sobre alguns dos maiores desafios e assuntos mais presentes na agenda do ISP brasileiro. Nesta frente, serão realizadas seis mesas: Rede Temática de Cultura, Rede Temática de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes, Rede Temática de Leitura e Escrita de Qualidade para Todos (LEQT), educação, juventude e desenvolvimento local.

A RT LEQT pretende provocar os participantes a refletir sobre a seguinte questão: “É possível um Brasil democrático e sustentável sem leitura e escrita de qualidade para todos?”. Para os membros da RT, é preciso trazer esse tema para o debate, pois, apesar do domínio da leitura e da escrita ser essencial para construir um país justo e sustentável, o Brasil está longe de efetivar esse direito. Só para termos uma ideia, apenas 8% das pessoas de 15 a 64 anos são proficientes no uso da leitura, escrita e matemática; 27% são analfabetos funcionais e 42% estão num nível elementar.

“Todas as organizações que já fazem parte da RT partem da premissa da necessidade de desenvolvermos a competência leitora nos cidadãos e de que ela é uma arma estruturante para que esse indivíduo, como ser de direito que é, ser capaz de correr atrás da sua participação, de envolvimento na democracia”, comenta Ana Lima, uma das coordenadoras da Rede Temática.

A proposta da atividade para o Congresso é, mais do que apenas discutir o tema da leitura, também debater sobre os desafios e os aprendizados de se trabalhar em rede, compartilhando de que forma a RT LEQT tem atuado de forma coletiva nos últimos anos. As organizações da rede hoje atuam conjuntamente no território de Nova Iguaçu (RJ), a fim de ajudar o município a implementar o seu Plano Municipal de Leitura, colocando a serviço da cidade as expertises de cada instituição do grupo.

“Queremos também, com a atividade no Congresso, mostrar e ajudar os participantes a entenderem que a leitura pode ser estratégia de mobilização para qualquer tema do investimento social. É por meio da leitura que temos a oportunidade de empoderar as pessoas. Queremos que todos possam ver que a leitura é uma possibilidade de avançar e fortalecer o que já fazem”, completa Ana.

Investimento social em ação

A quarta e última trilha da programação aberta trará para o centro do evento oito temas urgentes e relevantes da agenda pública. Assim, essa trilha convocará os participantes a discutir: ‘O que o ISP pode fazer por…’, em assuntos como: direitos das mulheres, segurança pública, equidade racial, cidades sustentáveis, mudanças climáticas, ciência, água e inovação e gestão pública.

Segundo Gustavo Bernardino, coordenador de políticas públicas do GIFE, a proposta é que o Congresso seja o início de um projeto amplo a ser desenvolvido ao longo de 2018 para fomentar o engajamento dos investidores nestes assuntos que são ainda pouco explorados no campo com o objetivo de refletir sobre quais são as principais contribuições potenciais para cada uma das temáticas selecionadas.

A ideia é, após o evento, promover novos encontros periódicos sobre estes e outros temas com investidores e organizações da sociedade civil que são referências nestes campos, para colocar os assuntos no centro dos debates e discutir possíveis caminhos para novas ações.

Além das trilhas, a programação aberta contará também com dois blocos temáticos. O primeiro sobre fortalecimento das organizações da sociedade civil: pluralidade, sustentabilidade e participação cidadã, com duas mesas de debate, e o segundo bloco sobre comunicação, que marcará o lançamento do Grupo Narrativas (mais informações em breve).

Neste bloco, haverá uma discussão central sobre ‘comunicação transformadora’, com a participação de Gabriel Brakin, vice-presidente de negócios da Participant Media, empresa baseada em Los Angeles (EUA), dedicada ao entretenimento que inspira mudanças sociais. Os mais de 75 filmes da empresa incluem Spotlight, Contagion, Lincoln, An Inconvenient Truth, entre outros. Os filmes da empresa ganharam 52 Prêmios da Academia e 11 vitórias, incluindo Melhor filme para “Spotlight” (2015) e Melhor Documentário para “Citizenfour” (2014), “The Cove” (2009) e “An Inconvenient Truth” (2006).

Em seguida, três mesas abertas irão discutir: ‘Por que apostar no audiovisual para provocar transformação’, a partir da trajetória dos filmes “O Começo da Vida”, produzidos pelo Instituto Alana e Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, e “Nunca me Sonharam”, do Instituto Unibanco; ‘Desafios da mobilização: como transformar comunicação em ações concretas’; e ‘Mídia, fake news e os riscos à democracia’, com a presença de Leonardo Sakamoto e organizações que estão discutindo o tema. (O GIFE fez um debate online sobre o tema, aqui)

Como participar

Os interessados em participar das atividades abertas podem acessar a página do Congresso para obter mais informações. Toda a programação aberta contará com cobertura e estará disponível na íntegra após o Congresso no canal do Youtube do GIFE.

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