Observatório da Primeira Infância reúne dados para orientar a tomada de decisões e elaboração de políticas

 

Todos os dias, ouve-se falar sobre as desigualdades enfrentadas pela população de uma mesma cidade, desigualdades essas que são sentidas desde uma idade muito precoce. Com o objetivo de reunir em um só lugar dados estatísticos sobre as condições de vida de crianças de zero a seis anos em São Paulo, foi lançado o Observatório da Primeira Infância.

A iniciativa da Rede Nossa São Paulo (RNSP), realizada com o apoio da Fundação Bernard van Leer, pretende ser uma referência ao reunir 130 indicadores relacionados à infância.  Essa lista foi identificada a partir de três frentes: do Programa Cidades Sustentáveis (PCS), com indicadores sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS); o Prêmio Cidade da Criança, realizado pelo PCS em parceria com o Alana; e o Urban95, iniciativa da Fundação Bernard van Leer, que trabalha para testar e escalar inovações relacionadas à espaço público verde, mobilidade, tomada de decisões baseadas em dados, entre outras.

Logo na home do site, é possível fazer uma busca por indicadores. Ao clicar, por exemplo, em “melhor mobilidade, menos tráfego”, são listados sete indicadores nesse tema, que dialogam diretamente com os ODS 3 (de saúde e bem estar) e 11 (de cidades e comunidades sustentáveis).

O levantamento contempla dados sobre educação, saúde, assistência social, meio ambiente, direitos humanos e outras áreas, o que permite entender um pouco mais sobre as diferentes oportunidades oferecidas à crianças que residem em distritos diversos dentro da mesma cidade.

Situação das crianças

Além de fazer todo esse mapeamento, o portal também reúne pesquisas e traz dados que preocupam: 9,8% das crianças de zero a cinco anos vivem em áreas de vulnerabilidade social; cerca de 3.300 crianças com menos de cinco anos são diagnosticadas com desnutrição; 366 acidentes de trânsito foram registrados em 2016 envolvendo crianças até cinco anos; 18 dias é o tempo médio de espera para uma consulta pediátrica, entre outros.

A exposição desses dados vai de encontro à missão estabelecida pelos idealizadores para a plataforma: orientar a tomada de decisão e contribuir para que as intervenções no espaço urbano sejam direcionadas às necessidades apresentadas.  

Em contrapartida, a seção “Boas práticas” lista ações e iniciativas no Brasil e no mundo que podem inspirar novos projetos e programas. Ao todo, são 45 resultados, que podem ser filtrados por eixo (ação local para a saúde, cultura para a sustentabilidade, governança, entre outros); pelos três indicadores do Urban95 (cidade pública e interessante, saudável e segura); pelos ODS ou pelas próprias cidades. Além de experiências brasileiras, o levantamento conta com projetos da Itália, Suécia, Colômbia, Índia, Austrália, entre outros.

Outra seção inspiradora do site é “Olhar das crianças”. Com a proposta de entender um pouco mais sobre como elas veem o mundo, o espaço reúne fotografias daquilo que os pequenos enxergam quando saem pela cidade. Além de ressaltar que a opinião e necessidades das crianças também devem ser levadas em consideração, uma vez que são cidadãos como os adultos, essa ação pode ajudar na elaboração de políticas mais assertivas.

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