Parceria de 12 anos entre Fundação Lamb Watchers e ChildFund Brasil quer impactar crianças e jovens do sul do Piauí

Em um sistema de parcerias, duas ou mais organizações que compartilham interesses em comum trabalham juntas para maximizar suas ações. Com esse objetivo, a Fundação Lamb Watchers e a ChildFund Brasil uniram-se em um movimento para aumentar o número de crianças e jovens beneficiados por projetos desenvolvidos no município de Curimatá, localizado no sul do Piauí.

A Fundação Lamb Watchers atua na região desde 2013 com o projeto PACE (Projeto Água, Cidadania e Ensino), que tem como objetivo a transformação de comunidades do semiárido brasileiro a partir do acesso à água potável, ao ensino e à cultura. Segundo Wellington Rodgerio, presidente da Fundação Lamb Watchers, a interlocução com a ChildFund Brasil aconteceu pois essa também possui projetos de impacto na região sul piauiense.

A parceria foi firmada em um evento realizado em Curimatá, no dia 12 de outubro. Durante os próximos 12 anos, as instituições irão caminhar juntas para que, adotando tecnologias sociais e compartilhando conhecimento sobre a região, possam impactar a vida de crianças, jovens e suas famílias a partir da promoção da educação, cultura, inclusão social e programas de geração de emprego e renda.

“A fusão de esforços de duas instituições que atuam no semiárido resultou nessa parceria de 12 anos. Usaremos tecnologias sociais que a ChildFund possui e já testou no mundo inteiro, assim como tecnologias que a Lamb Watchers já está adotando também”, afirma Wellington.

Gerson Pacheco, diretor nacional da ChildFund Brasil, destaca a importância de considerar a realidade do local e possibilitar transformações sociais sustentáveis. “Nós vamos atuar em uma região do Brasil que está entre os 20% piores municípios em termos de vulnerabilidade, privação e exclusão. Para a ChildFund, foi uma alegria encontrar a Lamb Watchers, pois ao mesmo tempo que trata-se de uma iniciativa privada, os projetos são desenvolvidos com foco na sociedade civil”, afirma.

Além disso, Wellington ressalta que a parceria irá ajudar a maximizar os impactos que a Fundação Lamb Watchers já possui na vida de crianças e jovens da região. “Hoje, nós atendemos 150 pessoas em Curimatá. Para o ano que vem, temos uma projeção de 250. Ao final desses 12 anos, queremos impactar duas mil crianças e jovens. O que nós enxergamos nessa parceria foi justamente a possibilidade de explorar as sinergias que haviam entre as duas instituições e dar escala aos projetos”.

Gerson, por sua vez, destaca a facilidade de ter como parceira uma organização que já conversa com atores locais. “O trabalho está muito facilitado porque não será preciso criar uma organização social parceira. Já podemos começar rapidamente o desenvolvimento comunitário participativo, isso é, ouvir a comunidade. A Lamb Watchers é muito respeitada na região, o que facilita a aliança com o poder público, iniciativa privada e com a sociedade civil”.

Ainda, o presidente da Fundação Lamb Watchers ressalta que trata-se de um modelo de atendimento que pode ser replicado em outras áreas do semiárido ou regiões de vulnerabilidade semelhantes à realidade encontrada em Curimatá.

Ações

O processo de intervenção das duas instituições será dividido em quatro blocos. Segundo Gerson, para que um projeto tenha sustentabilidade, é preciso encontrar parceiros na região que estejam dispostos a trabalhar em função da causa social. Ele destaca também a necessidade de ouvir o que a comunidade tem a dizer antes de construir os planos de intervenção, uma vez que os habitantes de Curimatá são os principais interessados no processo de transformação.

“Não existe transformação social se você não trabalhar com o poder público, a sociedade civil e a iniciativa privada. A comunidade é uma parte interessada, é o seu stakeholder. Isso é o mais importante para a Lamb Watchers e a ChildFund”, ressalta Gerson.

Será possível também reforçar iniciativas que já apresentam resultados positivos. Segundo Wellington, a primeira ação que será desenvolvida pela parceria é o fortalecimento do programa CCA (Centro de Convivência da Criança e do Adolescente), já em andamento em Curimatá. A ideia é expandir o programa e possibilitar que todos os estudantes de escolas públicas da cidade possam aproveitar o contraturno escolar para realizar atividades nesse espaço.

Entre as possibilidades que serão oferecidas estão cursos de informática, dança, música, inglês e reforço escolar. A ideia é promover a socialização dos adolescentes, a cultura e a melhoria nos processos educacionais. “Nós queremos incluir os jovens sob o ponto de vista digital, cultural e também fornecer palestras relacionadas à inclusão no mercado de trabalho. Além disso, também oferecemos um curso preparatório para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), para que esses jovens possam ingressar no ensino superior”, comenta Wellington.

A ChildFund irá contribuir com o desenvolvimento das crianças e jovens ao oferecer, por exemplo, atividades sobre educação financeira, esportes e empreendedorismo. “Nós vamos conectar os jovens com uma rede de parceiros da ChildFund. A Aflatoun, por exemplo, faz parte da rede e é uma organização especializada em educação financeira. Já a Fight For Peace trará alguns programas de esportes. Fora isso, a própria ChildFund irá contribuir com elementos de empreendedorismo”, ressalta Wellington.

Outra tecnologia social que a ChildFund irá levar para Curimatá é a Casinha de Cultura. Trata-se de uma iniciativa que trabalha a cultura local com crianças e jovens. “Hoje, a Casinha de Cultura é uma das melhores tecnologias do Brasil. É mais do que uma educação formal; envolve desenvolvimento cognitivo e social. Nós vamos conhecer os elementos de Curimatá e promover essa tecnologia, para que as futuras gerações deem valor para toda a tradição cultural”, defende Gerson.

Formação cidadã e trabalho com as famílias

Com pouco mais de 11 mil habitantes (2017), Curimatá possui Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,607 (segundo censo de 2010). Wellington defende que as crianças e jovens inseridas nessa região vulnerável precisam conhecer outras realidades. “Em Curimatá, o processo de exclusão é latente por conta de um ciclo de miséria histórico nessas regiões do semiárido”.

A ideia das duas organizações é trabalhar para tornar os jovens protagonistas de mudanças. E isso será possível a partir da oferta de uma educação de qualidade. “As transformações começam a acontecer a partir do momento que a população tem um nível de esclarecimento. Isso faz com que algumas rupturas aconteçam”, defende Wellington. “Eu acredito que primeira ruptura é educacional, e vem acompanhada de uma ruptura cultural, de quebrar realmente esses paradigmas regionais de exclusão, o pensamento de que a cidade não oferece oportunidade, de que pessoas de Curimatá não têm possibilidade de enxergar o mundo de outra forma”.

Essa ideia de trabalhar a autoestima de crianças e jovens também é um dos pilares do projeto PACE (Projeto Água, Cidadania e Ensino) que, a partir da reforma e fornecimento de equipamentos às escolas, mostra aos estudantes que melhores condições de estudo e um ensino de qualidade têm impactos positivos.

“Curimatá tem um grande privilégio, pois a quantidade de educadores na cidade é impressionante. Professores com vontade de mudar já permitem uma revolução educacional. Mas não havia estrutura para que isso fosse possível, e aí entrou a Fundação Lamb Watchers. Desde 2014, nós reformamos três escolas da cidade e equipamos algumas, com laboratório de informática, de ciências, cantina, áreas de lazer e bibliotecas. Tudo isso para que os professores, além da vontade de fazer, pudessem ter condições mínimas para poder oferecer uma qualidade de ensino favorável para as crianças”.

Apesar do objetivo da parceria ser o desenvolvimento de crianças e jovens, as famílias também serão afetadas pelas mudanças promovidas na região. Um dos programas da rede da ChildFund é o “Famílias e Organizações Protetoras e Integradas para o Desenvolvimento”. Em linhas gerais, o programa promove o fortalecimento dos vínculos familiares, além de incentivar a participação dos adultos na vida comunitária.  

Além disso, a parceria com a ChildFund Brasil também terá impacto em outros projetos desenvolvidos pela Fundação Lamb Watchers em Curimatá, como é o caso do sistema Mandala. Trata-se de uma solução que, usando a perfuração de poços e o consequente acesso à água potável, promove um sistema agroecológico, sustentável, orgânico e comunitário de produção de alimentos, permitindo que a comunidade se mantenha e venda a produção excedente.

“A tecnologia social que visa o restabelecimento dos vínculos familiares talvez seja uma das maiores contribuições da ChildFund nessa parceria. O programa Famílias e Organizações Protetoras traz os pais e familiares para perto dos filhos e também inclui esses adultos do ponto de vista socioeconômico ao integrar-se ao sistema Mandala. Não se trata somente de um sistema de plantio orgânico, mas também do estabelecimento de vínculos entre pessoas e divisão de responsabilidades. Nesse sentido, será importante o entendimento de educação financeira e empreendedorismo”, defende Wellington.

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