Plataforma de Filantropia no Brasil lança relatório sobre os ODS na agenda de desenvolvimento global

De 1999 a 2013, o número de pessoas que estão vivendo abaixo da linha de pobreza extrema diminuiu mais de metade no mundo. O número de pessoas subnutridas em todo o plano recuou de 930 milhões no início de 2000 para cerca de 793 milhões nos últimos três anos. Porém, ao mesmo tempo, desafios enormes e complexos afetam os cidadãos em todas as partes do planeta. As desigualdades de renda têm explodido na última década. O número de pessoas que vão dormir com fome a cada dia foi estimado em 850 milhões em 2016, 40 milhões a mais do que no ano anterior.

Mas, então, como reverter esse quadro? Como envolver as pessoas em busca de mudanças? Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), traçados pelas Nações Unidas como parte da Agenda 2030, trazem uma série de metas para que os países se engajem a fim de acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir a prosperidade para todos.

A Agenda 2030 deu ao mundo uma linguagem comum e um senso de urgência para resolver os desafios existentes. Porém, diante de uma agenda tão complexa, será preciso que todos façam a sua parte: governos, setor privado, sociedade civil, academia etc.

Para analisar de que forma a filantropia tem colaborado com a implementação dos ODS e o que pode fazer para avançar ainda mais, a Plataforma de Filantropia – iniciativa fomentada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – acaba de lançar o relatório “Filantropia e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: engajando o investimento social privado na agenda do desenvolvimento global”.

O relatório é um esforço de mapeamento da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no país por atores de filantropia, empresas e sociedade civil. A plataforma é uma iniciativa global que conecta filantropia a conhecimento e redes que podem aprofundar a cooperação, alavancar recursos e aumentar o impacto, direcionando os ODS a um planejamento de desenvolvimento nacional. Ela é liderada pelo PNUD, Rockfeller Philanthropy Advisors e Foundation Center, e apoiada pela Conrad N. Hilton Foundation, Ford Foundation, MasterCard Foundation, Brach Family Charitable Foundation e UN Foundation.

No Brasil, a plataforma conta com o apoio e articulação também do GIFE, do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), da WINGS (Worldwide Initiatives for Grantmaker Support) e Comunitas. Além disso, alguns investidores fazem parte do grupo articulador, como a Fundação Banco do Brasil, Fundação Roberto Marinho, Fundação Itaú Social, Instituto Sabin, Instituto C&A e Instituto Unibanco.

Durante o lançamento do relatório no Rio de Janeiro, em dezembro de 2017, a representante residente assistente para programa do PNUD, Maristela Baioni, destacou que a organização reconhece a liderança das fundações e institutos filantrópicos nos vários segmentos da sociedade com o desenvolvimento de ações que possuem um papel transformador no país. “Estamos confiantes de que o trabalho feito aqui, alinhado com a Agenda 2030, vai se tornar referência no investimento privado e social nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, disse.

O representante da Ford Foundantion no Brasil, Átila Roque, reforçou a importância do trabalho conjunto para buscar a eficiência. “Estarmos aqui junto com a ONU e outros atores é uma oportunidade para encontrar espaços onde possamos construir pontes”, disse.

Marcos Athias Neto, diretor do Centro Internacional do PNUD em Istambul para o Setor Privado, destacou no relatório que a publicação demonstra a vitalidade da filantropia brasileira, em direção à contribuição para a implementação dos ODS. “O relatório mostra como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável podem avançar quando novas ideias e perspectivas são combinadas e melhoram o impacto. Há muitas contribuições que a filantrópica traz. Uma grande maioria de organizações filantrópicas no Brasil estão cientes e veem o valor no alinhamento das estratégias com os ODS e isso é muito positivo. Este relatório é uma poderosa ferramenta que deve ser realizada em base contínua para monitorar o progresso coletivo e contribuições da filantropia brasileira para realização da Agenda 2030”, apontou no texto.

ISP e os ODS

O GIFE contribui efetivamente com o relatório e conta com um capítulo produzido por José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE, e Graziela Santiago, coordenadora de Conhecimento. Para trazer um panorama sobre o setor, o capítulo apresenta os principais dados do Censo GIFE, lançado em dezembro do ano passado.

Eles lembram que o investimento social privado no Brasil se destaca pela diversidade de organizações que compõem o seu universo, bem como pelas diferentes formas e estratégias de ação, perfil institucional e tamanho de organizações. E este conjunto diversificado de instituições desempenha um papel importante na construção democrática e desenvolvimento sustentável do país.

“O ISP oferece importantes contribuições na criação e promoção de soluções públicas para problemas, fornecendo assistência direta, desenvolvendo metodologias e promovendo articulação e advocacy, entre outras linhas de ação. Os investidores sociais também desempenham um papel fundamental em fortalecer as organizações da sociedade civil (OSC), embora haja espaço para que suas ações sejam ampliadas. E isso não só para o apoio financeiro e técnico que podem oferecer diretamente para outras OSC, mas também para se envolver, divulgar e reforçar a importância das OSC como expressão de uma democracia fundamental em processos e construção de desenvolvimento”, apontam.

Esta edição do Censo incorporou, inclusive, questões específicas sobre a atuação dos investidores na sua relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para que pudessem também fazer parte da publicação.

No geral, 43% dos respondentes disseram ter conhecimento razoável sobre ODS; 24% tem muito conhecimento sobre os ODS e implementação dessa agenda no Brasil; 23% tem muito conhecimento sobre os ODS; 9% tem pouco conhecimento sobre os ODS; 1% não sabe o que são os ODS.

No entanto, existe um desequilíbrio no conhecimento entre diferentes tipos de investidores sociais. Institutos de negócios e fundações sabem mais sobre os ODS e a implementação desta agenda no Brasil, enquanto institutos familiares são as bases menos familiarizadas com o tema. Além disso, quanto maior o investimento, menor o conhecimento sobre ODS. Os investidores que conhecem mais essa agenda estão principalmente concentrados na faixa de investimento de até 6 milhões de reais, seguidos por aqueles que investem entre 6 e 20 milhões. Investidores que contribuem com valores acima de 50 milhões de reais têm menos conhecimento sobre a agenda.

Segundo a pesquisa, 51% diz que estão alinhando seus programas/projetos aos ODS e 21% diz que usam os ODS, mas não pretendem realizar um alinhamento mais concreto. Um número significativamente menor de investidores (7%) planeja reformular suas estratégias para terem maior aderência aos ODS. Neste grupo, há uma proporção maior de empresas, empresas (17%) e institutos e fundações empresariais (6,6%). Esses investidores tendem a ser mais propensos a envolver-se com os ODS como uma teoria da mudança, alargando o espectro de desafios e oportunidades apresentadas por organizações para resolver problemas sistêmicos.

Aplicar as metas e os indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para monitorar e medir o impacto social é uma nova frente para 96% de investidores sociais e um importante passo para integrar os resultados gerados por seus programas em tendências de desenvolvimento global.

Os principais ODS que pretendem se engajar são: educação de qualidade, redução das desigualdades, emprego digno e crescimento econômico, e igualdade de gênero.

Saiba mais

Acesse aqui o relatório “Filantropia e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: engajando o investimento social privado na agenda do desenvolvimento global”.

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