Projetos mudam a realidade de pessoas com apoio da filantropia voltada para causas sociais

Em um país desigual, como o Brasil, pensar na população vulnerável, empobrecida, de maioria negra, povos quilombolas e indígenas, além de mulheres e LGBTIA+ é fundamental para conquistar avanços sociais. 

Seja no campo social, econômico, cultural, a Filantropia de Causa tem um caráter importante para alterar e gerar mudanças neste cenário de desigualdades, onde a concentração de riqueza, ou ausência de acessos à direitos básicos, são barreiras para a equidade. Para que estas mudanças ocorram, é fundamental o envolvimento de toda a sociedade, bem como o protagonismo de organizações e dos mais diversos atores sociais.

Uma prática ancestral

Mobilizações específicas para ajudar grupos de pessoas, amigos que perderam a renda ou alguém que precisa construir a casa, são comuns. E foi justamente pensando nesta prática que Aline Odara criou o  Fundo Agbara,

Instituído em  2020, durante a pandemia de Covid-19, por além de Aline, Fabiana Aguiar, o Fundo Agbara é considerado o primeiro fundo para mulheres negras do Brasil. Com a premissa de uma Filantropia Comunitária, em dois anos, a instituição arrecadou  R$ 600 mil, realizou mais de 2 mil atendimentos e beneficiou mais de 700 mulheres atendidas pelo Fundo.

“O Fundo Agbara nasce calcado na Filantropia Comunitária e a gente não sabia que era esse o nome. Na verdade a gente retoma práticas filantrópicas ancestrais da população negra, porque a população negra promove filantropia desde o século XVI, XVII através das irmandades católicas. Algumas irmandades inclusive, como a da Boa Morte de Cachoeira [BA], existem até hoje”, conta Aline Odara. Ela menciona ainda, o período em que as irmandades negras angariavam e geriam recursos para auxílio das comunidades e para a compra de alforrias.

Uma das ações do Fundo é um programa de mentoria e auxílio financeiro para fomento de negócios. “O que a gente traz de mais potente é a criação de uma rede de mulheres que se encontram e entendem que não estão sozinhas. Essas mulheres passam a se fortalecer mutuamente para além do Agbara, isso é o principal e o que me motiva a acordar todos os dias”,  diz Aline Odara. 

A valorização pessoal e profissional não é apenas importante para que as mulheres conquistem acesso à melhoria econômica. Segundo Aline Odara, a cada formação as mulheres contam como suas vidas são transformadas e, consequentemente, as mudanças chegam nas comunidades e refletem em toda a sociedade. 

“Teve mulher que disse que a gente pegou em suas mãos e levantou-as do chão, mulheres que conseguiram se livrar de relacionamentos abusivos depois de encontrar a rede Agbara, mulheres que entenderam a importância de se fortalecer e ofereceram cursos umas para outras gratuitos”, afirma a  Diretora Executiva do Fundo.

Filantropia para fortalecer a democracia

Para Rosana Fernandes, Assessora de Projetos da CESE, há a necessidade de ter projetos que apoiem a população e comunidades em uma mudança de perspectiva, para assim também promover um avanço democrático. 

“É através de projetos que incentivamos a população na participação política. É trazer para si, a responsabilidade de conduzir o processo de esmagamento das desigualdades sociais e raciais no Brasil. O incentivo à valorização da participação e da incidência política, é o caminho que a CESE pensa para transformar esta realidade tão excludente”

A organização também aposta nos incentivos a projetos de jovens negros, mulheres, da população quilombola e indígena, além deos moradores das periferias. O objetivo é aumentar o acesso aos direitos, conhecimento e fomentar o desejo de mais atuação social, inclusive na tomada de decisões do país.

“O Congresso Nacional e as assembleias estaduais não estão representando. Ocupar o campo, o cenário, o âmbito legislativo é fundamental para a transformação dessa realidade tão cruel na qual estamos vivendo”, fala a gestora da CESE.

Além dos projetos, é fundamental que todos(as) que buscam uma sociedade melhor, se mobilizem para promover essa mudança. “Precisamos fazer valer os nossos direitos e é por meio de projetos que incentivamos a população a participação política”, explica Rosana. 

É comum ouvir a expressão popular “a união faz a força”, uma afirmação que cabe perfeitamente para a filantropia que auxilia ações com um olhar envolvido em causas sociais. Quanto mais pessoas engajadas, financiando, atuando diretamente com esses projetos e quanto maior são essas ações, o número de beneficiários que possuem as vidas transformadas também cresce. 

 

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