Especial: Boletim RedeGIFE chega a 1000 edições e fortalece a ação do Investimento Social Privado (ISP)

Na manhã do dia 11 de agosto de 1997, ou seja, há 20 anos, circulava pela primeira vez no país o boletim ‘redeGIFE’, o informativo criado pelo GIFE – e enviado naquela época por fax aos seus associados – com a proposta de estabelecer um canal direto de comunicação entre a instituição e a sociedade, potencializando as atividades realizadas naquele momento no campo.

Hoje, o boletim chega à edição número 1000 e a sua história se mistura à do próprio setor do Investimento Social Privado (ISP) e a do GIFE, se tornando a principal ferramenta da organização para a promoção de um diálogo permanente e fundamental com seus associados e a sociedade.

“A perenidade do redeGIFE é a maior evidência de sua importância: desde o início dos trabalhos do GIFE entendemos a relevância de um veículo interno que fosse a um só tempo o divulgador de causas, tecnologias sociais e ações e um repositório de todas estas questões, permitindo a pesquisa ao longo do tempo. Como jornalista e socióloga que sou, me dá um especial prazer verificar a pertinência deste veículo cujas origens se mesclam ao próprio início dos trabalhos da organização. Fico pensando se nossa institucionalização não se deu por este viés, pois antes de termos uma configuração legal já nos expressávamos publicamente por meio do redeGIFE, cujo formato inicial se mostrou útil e foi sendo mantido”, se recorda Evelyn Berg Ioschpe, primeira presidente do GIFE e presidente da Fundação Ioschpe.

Nestes 20 anos, o redeGIFE procurou trazer semanalmente, de forma qualificada e crítica, o contexto atual do país, o panorama do setor, assim como as grandes tendências, desafios e dilemas do ISP. “O boletim sempre foi uma ferramenta de mobilização e de denúncia, apresentando o que está acontecendo, se as organizações estão sendo transparentes ou não, se a sociedade civil está reagindo, se o ISP está sendo efetivo. O GIFE tem a preocupação de transmitir os aprendizados do campo aos associados e à sociedade por meio dos produtos e, principalmente, pelo redeGIFE, que é a nossa principal ferramenta de diálogo com o mundo”, ressalta Mariana Moraes, gerente de Comunicação do GIFE.

E essa conversa, troca de conhecimentos e disseminação de ações do campo se reflete na pauta das centenas de reportagens e entrevistas que foram e são produzidas a cada semana, com destaque para debates com especialistas, lançamentos de pesquisas, avaliações sobre o contexto do país e impactos no ISP, novos marcos legais para o setor, assim como editais, cursos e premiações relevantes para as iniciativas socioambientais.

Além disso, o redeGIFE sistematiza e acompanha os debates promovidos pelas Redes Temáticas, disseminando as discussões para todos os interessados, assim como os principais eventos promovidos não só pelo GIFE, mas por outras instituições do setor. No boletim – e no site do GIFE – os associados têm também a possibilidade de publicar notícias em suas páginas, compartilhando suas ações e conhecendo os inúmeros projetos, programas e iniciativas realizadas pelos 130 investidores sociais (institutos, fundações, empresas etc.) que fazem parte da rede.

“Acredito que o redeGIFE tem papel fundamental de diálogo entre associados e as diferentes organizações da sociedade civil, tanto para que possam saber o que está acontecendo no campo, como para o fortalecimento do setor como um todo. Afinal, na medida em que eu divulgo práticas, que mais gente se engajada, e que esse compromisso consegue ser alargado para além de cada organização, a sociedade civil se fortalece”, pondera Maria Alice Setubal, presidente do Conselho de Governança do GIFE.

Para Glaucia Barros, diretora programática da Fundação Avina no Brasil, a multiplicação de iniciativas que estão sendo construídas acerca da filantropia, do alinhamento do ISP ao negócio, dos negócios de impacto e tantas outras novidades, deve-se essencialmente ao aumento da capacidade de instalar mensagens claras acerca do impacto de investimentos com propósitos socioambientais e a difusão de exemplos, boas práticas e, especialmente, lições aprendidas no campo do ISP. “E é por isso que entendo que a política de comunicação do GIFE serve com excelência a este propósito de inspirar práticas inovadoras e provocar sinergias entre o trabalho já realizado pelas organizações do setor”.

Segundo Evelyn Iochpe, esse olhar interno do campo se faz necessário para que seja possível, inclusive, a identificação da complementariedade das práticas em vigor ou eventuais sobreposições.

“Na medida em que a grande maioria das instituições no terceiro setor têm porte médio ou pequeno, este conhecimento mútuo é que pode garantir que os recursos investidos, invariavelmente escassos, encontrem sua melhor expressão.  Vejo como essencial, nesta dinâmica interna, tanto as ocasiões de comunicação presencial e/ou interativa, como toda a comunicação a distância por meio dos mais variados formatos: redes sociais, sites, boletins, relatórios de atividades, debates, imprensa”, acredita.

Impacto da comunicação

O fortalecimento e efetividade do ISP passa, acreditam as especialistas, pela capacidade de se instaurar uma comunicação cada vez mais eficiente, qualificada e eficaz, tanto entre os próprios investidores sociais, como com a sociedade.

O cenário atual, em que todos têm a possibilidade de se comunicar, gerando um mar de notícias – verdadeiras e falsas – e um excesso de informações circulando, também exige mudanças na comunicação do ISP. Neste contexto, Mariana Moraes ressalta a importância de veículos de comunicação que buscam estabelecer uma curadoria de conteúdo, apresentando os temas mais relevantes para a área.

“É o que o redeGIFE tem buscado fazer, com a atenção especial, inclusive, em utilizar novas ferramentas tecnológicas disponíveis e estratégias específicas para entregar aos seus leitores informações solicitadas e conteúdos de acordo com cada perfil. Isso significa que, quanto mais acessos os internautas têm em determinado tipo de notícia, por exemplo, mais informações passarão a receber sobre tal”, comenta. Ela explica que o processo de identificar as melhores estratégias de entrega de conteúdo e colocá-las em prática demanda tempo e persistência, mas são fundamentais. “O jornalista de hoje precisa também estar atento a algaritmos, SEO… enfim, ferramentas de entrega”.

Outro aspecto fundamental a ser observado no setor, destaca Maria Alice Setubal, é a apropriação de ferramentas para levar as causas a um novo patamar na sociedade.

“Hoje temos uma disputa de espaço muito grande. Não temos falta de informação, mas sim uma intoxicação de tanta informação. O ISP e suas causas, no entanto, praticamente não estão na grande mídia. E, quando aparecem, é mais pelo lado negativo e menos numa forma de potencializar ações. As pessoas, as organizações, os grupos, precisam saber, no entanto, que existem causas e que elas estão conseguindo importantes conquistas. Para o fortalecimento da sociedade civil, na direção tanto de uma sociedade mais justa e uma democracia mais fortalecida, a comunicação das organizações da sociedade civil precisa ocupar estes espaços para que possam falar e serem ouvidas”, ressalta a presidente do Conselho de Governança do GIFE.

Hoje, são mais de 20 mil acessos ao site por mês, chegando em alguns momentos do ano – como o Congresso GIFE – a picos de audiência dobrada. Todas as segundas-feiras, mais de 6 mil pessoas recebem o boletim (clique aqui para receber) e as notícias ganham ainda mais amplitude e escala por meio das redes sociais, como a página do Facebook do GIFE, que já conta com mais de 23 mil seguidores.

Novos espaços

Diversos grupos e organizações têm se articulado para produzir uma nova comunicação, mais livre, independente e crítica. Conheça algumas delas:

Agência Pública
Fundada em 2011 – aposta num modelo de jornalismo sem fins lucrativos para manter a independência. A missão é produzir reportagens pautadas pelo interesse público, sobre as grandes questões do país do ponto de vista da população.
https://apublica.org/

Marco Zero
Coletivo de jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.
http://marcozero.org/

Ponte
Canal de informações sobre segurança pública, justiça e direitos humanos que surgiu em 2014 da convicção de um grupo de jornalistas de que jornalismo de qualidade sob o prisma dos direitos humanos é capaz de ajudar na construção de um mundo mais justo.
https://ponte.org/

Nexo
Jornal digital criado em 2015 para quem busca explicações precisas e interpretações equilibradas sobre os principais fatos do Brasil e do mundo.
https://www.nexojornal.com.br/

Infame
O Infame é um canal de vídeos, textos, fotos, entrevistas que pretende redistribuir olhares. Tem como mote “stop making stupid people famous”. Busca contar histórias com propósito.
https://infame.us/

Farol Jornalismo
Iniciativa de pesquisa e produção de novas formas de fazer jornalismo.
http://faroljornalismo.cc

Destaques

Confira as notícias mais acessadas nos últimos dois anos no redeGIFE:

2016
Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil entra em vigor em janeiro
9º Congresso GIFE traz programação diversificada para discutir o sentido público do investimento social privado
Novas configurações da sociedade trazem desafios para a comunicação de causas
Iniciativas mobilizam ações em prol do fortalecimento das Organizações da Sociedade Civil (OSC)
Pesquisas mostram perfil do doador brasileiro e apontam caminhos para ampliar a cultura da doação no país
Nova portaria traz mudanças no ITCMD em São Paulo

2017
IPEA lança nova versão do Mapa das Organizações da Sociedade Civil
Tendências da comunicação de causas para 2017
Tendências em negócios de impacto social para 2017
A importância do fortalecimento das organizações da sociedade civil
Sociedade civil e poder público enfrentam o desafio da implementação do MROSC nos estados
Fundo BIS lança edital para iniciativas de fomento à cultura de doação no Brasil

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