Rede Temática de Gestão Institucional debate a diversidade nas organizações brasileiras

No dia 28 de junho, aconteceu no Instituto Ayrton Senna, em São Paulo, o sexto encontro da Rede Temática de Gestão Institucional com o tema: “Diversidade – o que você tem a ver com isso?”.

Uma das novidades apresentadas foi a coordenação da RT, formada por organizações associadas ao GIFE: Fundação Espaço ECO, Alana, Fundação Grupo Boticário, Fundação Lemann, Fundação Telefônica, Instituto Ayrton Senna e Instituto C&A. O grupo se organizou para propor um planejamento para 2018 e a ideia é realizar mais dois encontros ao longo do ano para dar continuidade à discussão sobre o tema.

Segundo Juliana Silva, gerente da Fundação Espaço ECO e uma das articuladoras da rede, a proposta de discutir diversidade na RT é dar continuidade às discussões de gestão de pessoas, uma vez que não é possível avançar sem que as organizações considerem a necessidade de debater temas como equidade de gênero, orientação sexual, raça e inclusão de pessoas com deficiência.

A gestão da diversidade contribui diretamente para temas que são estratégicos das organizações, como atração e retenção de talentos, compreensão do ambiente onde atuam e formação de equipes mais criativas e inovadoras.

Multiplicidade de perfis nas empresas

Neste encontro, Guilherme Bara, gerente de diversidade na Fundação Espaço Eco, dividiu sua experiência como consultor para programas corporativos sobre o tema. O foco de sua apresentação foi sensibilizar e engajar os participantes sobre a importância da gestão da diversidade.

Guilherme usou os dados do Censo de 2010 para provocar o debate, ao afirmar que, apesar da população com mais de 25 anos e com nível superior ser composta por 57% de mulheres e 27% de negros(as), esses dados não se refletem nas organizações. Segundo o especialista, um dos primeiros passos para tornar as instituições mais inclusivas é reconhecer que existe um problema em estar em um lugar onde não têm negros(as) ou que mulheres não alcançam posições de liderança.

Um dos desafios no âmbito da gestão é construir organizações com uma cultura que as pessoas possam ser como realmente são. Nas discussões de gênero, apresentou o exemplo de que atualmente, principalmente em empresas, é exigido um comportamento mais masculino para mulheres. Embora não haja nenhum problema em uma mulher ter comportamentos culturalmente identificados como masculinos, o perigo é exigir que todas tenham que agir assim. Homens e mulheres podem ter comportamentos que culturalmente são diferentes e esses perfis são complementares. “É fundamental que pessoas possam ser quem elas são integralmente no ambiente de trabalho, que não tenham que deixar partes delas em casa”, ressaltou Guilherme.

Respeito às singularidades e espaços de fala

Outro passo para ambientes mais inclusivos é incentivar o respeito à singularidade das pessoas. “Quanto mais convivermos com a diversidade, mais fácil será compreender e respeitar. Mas nunca teremos contato com todos os tipos de comportamentos, porque são infinitos. Este é o desafio. É respeitar o que conhecemos e também o que não conhecemos”, defendeu Guilherme.

Nesse sentido, segundo as discussões, é preciso reconhecer, respeitar e aproveitar a oportunidade que perfis diferentes proporcionam. A tendência humana natural é juntar-se àqueles que pensam de forma semelhante. Entretanto, para um processo de tomada de decisões, é proveitoso que a equipe seja formada por profissionais com visões diferentes.

“Se temos um ambiente inclusivo, as pessoas se sentem à vontade para expor suas opiniões. Por isso, um clima acolhedor incentiva que cada colaborador explore ao máximo suas singularidades”. Guilherme ressaltou ainda que a cultura de feedback, ou seja, de dar devolutivas aos colaboradores, pode facilitar a inclusão. Na medida em que esses profissionais sentirem que podem dividir suas ideias e opiniões sem serem discriminados, com a consciência de que receberão retornos claros e transparentes, passarão a ter liberdade para se expressar.

O consultor apontou também a importância de que as organizações deixem claro seu posicionamento em relação à diversidade. A cultura e os valores organizacionais e corporativos devem sobrepor-se aos valores individuais e, para isto, é fundamental que esse posicionamento seja reconhecido por todos.

Guilherme encerrou sua apresentação defendendo que o posicionamento dos gestores deve ir além do reconhecimento de problemas. Para ele, o foco deve estar na busca por soluções. O tema da diversidade precisa ser tratado com leveza; caso contrário, é possível afastar as pessoas.

Dinâmica e encaminhamentos

Na segunda parte do encontro, Guilherme promoveu uma dinâmica voltada à reflexão de inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. Os grupos debateram sobre ações e atitudes necessárias para lidar com pessoas com deficiências auditivas, visuais, físicas e intelectuais.

O próximo encontro da RT será em agosto, e tem a proposta de, com base no que foi visto no primeiro encontro, identificar as barreiras presentes nas organizações e, a partir disso, desenvolver um plano de ação.

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