RT de Gestão Institucional debate a importância do benchmarking para o setor do investimento social privado

Ao minucioso processo de pesquisa que permite aos gestores compararem produtos, práticas empresariais, serviços ou metodologias, absorvendo algumas características para alçarem um maior nível de desempenho gerencial ou operacional, dá-se o nome de benchmarking. Em tradução livre, o conceito pode ser traduzido como ‘ponto de referência’ e é considerado uma das mais relevantes estratégias de gestão para o aumento de eficiência e desempenho.

Cada vez mais mencionado na esfera de ecossistemas ligados aos temas do empreendedorismo e inovação social, o assunto tem despertado o interesse do setor do investimento social privado. Atento a isso, o GIFE articula, desde 2016, a Rede Temática (RT) de Gestão Institucional. No dia 29 de maio, o grupo realizou a primeira reunião de 2019 na sede da Fundação Lemann, em São Paulo.

O encontro contou com a presença de representantes de institutos e fundações associadas ao GIFE e de organizações da sociedade civil para refletir sobre a importância do benchmarking para o setor. Também foi uma oportunidade para a apresentação e avaliação da plataforma desenvolvida pelo grupo para a disseminação de práticas de gestão.

Benchmarking e o ISP

Convidado para conduzir o debate sobre benchmarking, Marco Camargo, diretor do Vetor Brasil, partilhou com os presentes um breve panorama conceitual acerca do assunto a partir de ideias que traduzem ou não o tema.

Ferramentas para apoio a organizações no seu processo de melhoria contínua, forma de provocar discussões sobre mudanças, canal para obter mais informações sobre alternativas estratégicas e táticas, apoio a decisões mais conscientes e forma de colaborar com outras organizações e dividir melhores práticas teceram o primeiro painel.

Já o quadro das ideias não condizentes com o conceito de benchmarking reuniu elementos como ser o único canal para realizar transformações e mudanças em uma organização, processo de copiar pura e simplesmente uma solução/forma de agir de outra organização, algo que vai definir objetivos estratégicos e táticos de uma organização e forma de obter informações sensíveis de outros competidores.

Benchmarking é uma forma poderosa de obter mais informações e parâmetros no processo de busca de melhoria contínua dentro de uma organização, mas não é a única. Trata-se de uma ferramenta que se torna cada vez mais relevante com disrupções tecnológicas e facilidade de compartilhamento de informação”, observou o especialista.

Existem diversos tipos de benchmarking que podem atender a situações distintas. Eles vão desde indicadores, resultados e processos até know-how e outros ativos da instituição e podem ser usados internamente, setorialmente ou amplamente.

Além disso, o processo de decisão de quando usar o benchmarking pode ser tático ou estratégico, motivado pelo planejamento da instituição ou por alguma dificuldade de execução, por exemplo, ou ainda sugerido por um stakeholder. “Como a demanda pelo uso da ferramenta vem de múltiplos lados, é importante dar um passo atrás para entender onde faz mais sentido alocar recursos e tempo para a tarefa”, indicou Marco.

Por trás do benchmarking

O especialista aponta que, por trás de um processo de benchmarking, podem existir motivações diversas: busca por conhecimento e aprendizado de outras organizações em temas relevantes; apoio para definir para onde ir de forma tática, uma vez que os objetivos estejam claros; forma de lidar com uma resistência organizacional a alguma mudança proposta; busca de evidências para resolução de disputas; tentativa de produzir alguma mudança de paradigma organizacional; forma de realizar trocas de experiências e aprendizados e se conectar com outras organizações; entre outras.

“Nem sempre essa leitura é clara e explícita. No entanto, vale a reflexão para entender o principal foco do benchmarking e se o instrumento é realmente o melhor caminho”, alertou.

Marco sugere atenção e alguns caminhos para lidar com problemas típicos que podem surgir na hora de implementar a ferramenta, tais como procrastinação, resistência a mudança ou altas expectativas.

Plataforma de práticas de gestão

O segundo momento da reunião foi dedicado à apresentação de uma primeira versão da plataforma colaborativa desenvolvida pela RT para a disseminação de práticas de gestão. Pensando na importância do compartilhamento de práticas e referências, esta plataforma foi desenvolvida com o objetivo de disseminar conteúdos e facilitar a busca por alternativas para desafios cotidianos na gestão de institutos e fundações.

O espaço contém seis cases detalhados sobre os temas Due Diligence, Gestão de Talentos, Governança, Indicadores de Monitoramento, Políticas e Procedimentos e Prestação de Contas. Os conteúdos são de autoria de instituições associadas ao GIFE e integrantes da RT.

A plataforma foi idealizada e desenvolvida conjuntamente pelas organizações Alana, Fundação Grupo Boticário, Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Ayrton Senna, Instituto C&A e Ismart.

A ideia é que o espaço seja constantemente alimentado por outras organizações do terceiro setor e que os conteúdos possam ser aprofundados nos encontros da própria RT.

Representantes de três dessas instituições (Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo e Instituto C&A) compuseram um painel para apresentação de seus respectivos cases: Gestão de Talentos, Indicadores de Monitoramento e Prestação de Contas.

A apresentação foi seguida de um momento de debates em grupos para avaliação da plataforma e dos conteúdos em prol de um feedback da Rede à iniciativa.

RT de Gestão Institucional

Criada em 2016, a RT de Gestão Institucional tem como objetivo fomentar o benchmarking no setor do ISP. Durante o 10º Congresso GIFE, o grupo organizou a mesa “Como a trajetória da gestão de pessoas e tratativa de seus desafios potencializam o universo do ISP?”.

Ao longo de 2018, os encontros da Rede trabalharam com temas como Lei Anticorrupção, Modelo e Práticas de Governança, Planejamento Estratégico e Gestão de Metas, Cargos e Remuneração, Gestão de Talentos e Inclusão da Diversidade.

Para 2019, a Rede planeja seguir promovendo a troca de experiências e aprendizados com foco em soluções, acompanhando as tendências e desafios da atualidade, bem como estreitar e ampliar fronteiras com as demais redes temáticas do GIFE em temas e áreas transversais à gestão institucional das organizações. Para isso, além dos encontros presenciais, há também a possibilidade de empreender outros formatos de atuação (plataformas virtuais, estudo de casos, ações de advocacy, entre outras).

Atualmente, a Rede Temática de Gestão Institucional é coordenada por Alana, Fundação Grupo Boticário, Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Ayrton Senna, Instituto C&A e Instituto Ismart.

O próximo encontro está previsto para julho, e vai aprofundar o tema Gestão de Talentos.

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