10° encontro da RT de Negócios de Impacto Social discute a importância das organizações intermediárias

A importância dos intermediários e seu papel no ecossistema de Investimentos e Negócios de Impacto e como institutos e fundações podem apoiá-los foi o tema do 10° encontro da Rede Temática (RT) de Negócios de Impacto Social.

O ecossistema é composto por quatro elementos que devem trabalhar de forma alinhada: os negócios de impacto, que têm a missão de gerar impacto socioambiental com resultado financeiro positivo e sustentável; as entidades que doam, investem ou emprestam recursos; os mecanismos e instrumentos financeiros que permitem que os recursos circulem de um lado para o outro; e as organizações intermediárias ou facilitadoras, que funcionam como uma ponte entre a oferta e a demanda de capital, buscando conectar cada grupo de atores, atuando diretamente com os empreendedores ou, sistemicamente, promovendo um ambiente mais favorável para o fortalecimento do setor.

Dados do Censo GIFE 2016 indicam uma aproximação gradual e exploratória de investidores sociais privados com o tema de negócios de impacto. 42% das 116 organizações respondentes afirmaram atuar com negócios de impacto de diversas formas, especialmente por meio de estratégias de formação e participação em redes. Quase um terço desses 42% investe mais de 5% de seu orçamento nesse campo. Entre os investidores que não atuam junto ao setor, 32% manifestaram interesse em fazê-lo no futuro.

Essa aproximação é marcada por dúvidas e incertezas relacionadas a conceitos, questões jurídicas e formas de investimento. Ainda assim, R$ 52 milhões foram aportados nessa temática em 2016, o que corresponde a 1,8% do orçamento total da base associativa do GIFE naquele ano (R$ 2,9 bilhões).

Celia Cruz, diretora-executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) – uma das coordenadoras da RT de Negócios de Impacto Social –, comemora o resultado. “Se pensarmos que em 2015, quando realizamos o estudo em parceria com a Deloitte, esse número era insignificante, vemos que já avançamos.”

O estudo ao qual Celia se refere mapeou as organizações intermediárias, categorizando-as a partir da modalidade de produtos e serviços que oferecem, dando assim mais clareza ao conceito e revelando a abrangência da atuação desses atores: 1. Recursos e serviços financeiros – fundos de investimento, fundos sociais, instituições financeiras; 2. Gestão de acesso a investidores – incubadoras e aceleradoras, consultores de investimentos, plataformas; 3. Monitoramento, avaliação e certificação – consultoras de medição de monitoramento de impacto, certificadoras; 4. Conhecimento e informação – instituições de ensino superior, organizações que formam profissionais, assessoria jurídica.

Em 2015, junto com as quatro frentes de trabalho que devem ser impulsionadas para o desenvolvimento do setor no Brasil (ampliação da oferta de capital, aumento do número de negócios de impacto qualificados e com alto potencial de crescimento, fortalecimento das organizações intermediárias e promoção de um macro ambiente favorável para o investimento de impacto), a, então, Força Tarefa de Finanças Sociais – atual Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto – apontou 15 recomendações para 2020 com metas e atores-chave a serem engajados. Uma delas foi justamente a de ampliar o protagonismo das fundações e institutos no apoio ao setor.

Para Fábio Deboni, gerente-executivo do Instituto Sabin e membro do conselho de governança do GIFE – um dos coordenadores da RT de Negócios de Impacto Social –, as barreiras são transponíveis. “Não existe ‘bala de prata’. Trata-se de um campo em construção. Mas, já tem gente fazendo e encontrando maneiras. A experiência do FIIMP [Fundações e Institutos de Impacto] é um exemplo e mostra que coletivamente dá mais trabalho, mas é muito mais rico e atenua os riscos.”

O especialista aponta algumas frentes que podem ser caminhos para uma maior atuação de institutos e fundações no apoio às intermediárias: conhecimento, formação e networking; métricas e avaliação; testar instrumentos, a exemplo da experiência do FIIMP; capital paciente; e aporte em fundos de impacto.

Insights e recomendações

Em pichs de cinco minutos, sete representantes das principais organizações intermediárias do ecossistema brasileiro de impacto – Maure Pessanha, da Artemísia; Marco Gorini, da Din4mo; Flavia Regina de Souza Oliveira, da Mattos Filho; Daniel Brandão, da Move Social; Lorhan Caproni, da Phomenta; Andrea Resende, da Sitawi; e Graziella Comini, do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (CEATS), da Universidade de São Paulo (USP) –, puderam dividir com o grupo informações sobre suas origens e trajetórias, bem como as principais realizações e desafios do percurso.

Os representantes de institutos e fundações presentes tiveram a oportunidade de participar de rodadas de conversa com essas lideranças para trocar informações e debater caminhos possíveis para uma maior aproximação entre os dois atores.

Algumas questões orientaram as rodadas:

1) Quem são as organizações intermediárias? O que fazem? Qual é seu escopo de atuação?

2) Quais são os principais resultados de impacto obtidos até aqui (quantitativos e/ou qualitativos)?

3) Quais são os desafios e gargalos que estão colocados hoje em seu campo de atuação? E as oportunidades?

4) Como institutos, fundações e empresas podem apoiar e fortalecer o trabalho dos intermediários?

O resultado dessa etapa de diálogos foram alguns apontamentos e recomendações feitas pelas lideranças das organizações intermediárias com base nos maiores desafios do setor que podem ser frentes de trabalho para institutos e fundações interessados em apoiar o campo:

  • Dar mais visibilidade ao trabalho das organizações intermediárias;
  • Abrir novos caminhos para parcerias menos burocratizadas;
  • Apoiar a formação (em negócios e em impacto) de novas lideranças e profissionais e fortalecer a manutenção e desenvolvimento das equipes das organizações intermediárias;
  • Promover investimentos de longo prazo (mudanças sistêmicas levam tempo);
  • Apoiar a logística;
  • Apoiar a produção de processos de monitoramento e avaliação com vistas à geração de repertório e benchmarking;
  • Atrair capital privado;
  • Apoiar o desenvolvimento de estruturas jurídicas e legislativas para fomentar ambiente mais favorável para o setor.

No fechamento do encontro, Celia dividiu com o grupo algumas indagações e impressões. “O que nos une é o impacto e temos que olhar para quem está realizando esse impacto. Como trabalhar cada vez mais, por exemplo, com as periferias – onde há soluções diversas – trazendo esses empreendedores para o centro do debate e dando a eles o protagonismo? Como fortalecer a rede que está aqui nessa sala hoje e garantir que essas organizações se fortaleçam e inspirem outras? Nosso desejo é, cada vez mais, atuar conjuntamente a partir de uma visão coletiva e de uma leitura sistemática desses desafios, sem esquecer que o que nos une e move é escalar, das formas mais diversas, o impacto positivo para as populações que mais precisam.”

Produtos

O 10° encontro da Rede Temática (RT) de Negócios de Impacto Social se desdobrará em alguns produtos realizados pela Aupa – Jornalismo em negócios de impacto social: vídeo teaser com depoimentos de pessoas presentes no evento, além de um conteúdo inspirado na Pesquisa de Intermediários do Ecossistema de Finanças Sociais e Negócios de Impacto.

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