Associação da Paraíba é reconhecida em premiação especial

Agricultores familiares dos municípios de Remígio, Prata e Amparo conquistaram certificação orgânica pela forma de produzir o algodão

Este ano, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social promoveu um reconhecimento exclusivo aos produtores de algodão. A Associação de Apoio a Políticas de Melhoria da Qualidade de Vida, Meio Ambiente e Verticalização da Produção Familiar (Arribaçã), do município de Remígio (PB), responsável pela tecnologia social O Algodão Agroecológico Gerando Renda e Conhecimento no Curimataú Paraibano concorreu com outras duas finalistas e foi a vencedora da premiação especial Gestão Comunitária e Algodão Agroecológico.

Desde 2006 a entidade incentiva e assessora os agricultores familiares no plantio do algodão agroecológico, seguindo critérios como cuidado com a saúde do produtor e do solo, proteção da biodiversidade, valorização das sementes tradicionais e respeito aos limites da natureza e as relações humanas.

Em 2013, foi criado o Organismo Participativo de Aceitação e Conformidade (Opac), denominado Rede Borborema de Agroecologia, responsável por certificar e comercializar os produtos. Atualmente a rede possui cinco grupos de produção em assentamentos dos municípios paraibanos de Remígio, Prata e Amparo, com 34 produtores com certificação orgânica.

Suzana Cordeiro de Aguiar, de 24 anos, moradora do assentamento Queimadas, distrito de Remígio (PB), é agricultora familiar e  uma das associadas com certificação. Filha de produtores rurais, ela explica que os pais foram sua  grande inspiração para seguir no trabalho no campo. “A trajetória de luta deles me fez querer continuar. Desde 2006 eles produzem algodão consorciado com feijão e milho. E é essa forma de plantio vem nos salvando, porque moramos em uma terra que sofre com a estiagem, e o algodão é muito resistente e se adapta muito bem a nossa região”, disse.

Izabel Cristina da Silva Santos, uma das responsáveis pela tecnologia participou em Brasília da cerimônia de premiação. “A repercussão do prêmio está sendo grande em todo o estado da Paraíba. Enquanto éramos anunciados  vencedores em Brasília, todos estavam aqui festejando. Pretendemos fazer um encontro para que todos os agricultores conheçam o troféu e assistam ao vídeo que a Fundação BB fez. A felicidade aqui é geral”, declarou.

Por ser primeira colocada, a iniciativa receberá R$ 50 mil, destinados à expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da tecnologia social. Outras duas tecnologias sociais também foram premiadas nesta modalidade. Em segundo  lugar, a  Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (CE), receberá R$ 30 mil pela metodologia Algodão Agroecológico no Fortalecimento da Agricultura Familiar e AssociativismoJá o terceiro lugar ficou para a Cooperativa Central Justa Trama, de Porto Alegre (RS), que receberá R$ 20 mil pela tecnologia A trama do algodão que transforma.

A premiação deste ano teve a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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