Associados ao GIFE promovem 14º Seminário Internacional de Avaliação

No dia 15 de agosto, o GIFE, juntamente com seus associados Itaú Social, Fundação Roberto Marinho e Instituto C&A, promove, em São Paulo, o 14º Seminário Internacional de Avaliação. Com o tema “Pensamento avaliativo e transformação social”, o encontro tem como objetivo reunir representantes e profissionais do terceiro setor, do governo e especialistas e estudantes que atuam na educação integral, avaliação e pesquisa social.

As mesas utilizarão os conhecimentos e aprendizados dos participantes para promover um ambiente de troca de experiências sobre como as instituições se organizam e usam o pensamento avaliativo para propor soluções aos desafios sociais da atualidade.

Dessa forma, os debates foram desenhados para abordar questões como o potencial da avaliação como instrumento de aprendizagem e transformação social, a compreensão do “pensamento avaliativo” e como adotá-lo de forma sistemática no dia a dia das organizações e dos projetos, o entendimento de que a avaliação de impacto pode e deve ser utilizada em situações de alta complexidade, entre outras.

Mônica Pinto, gerente de desenvolvimento institucional da Fundação Roberto Marinho, argumenta que como o engajamento do investimento social privado em iniciativas de desenvolvimento social do Brasil ainda é recente, a cultura de avaliação sobre esses procedimentos também é nova, o que gera muitas dúvidas.

“De alguns anos para cá, alguns de nós como Fundação Roberto Marinho, Fundação Itaú Social, Instituto C&A e outros associados ao GIFE viemos criando uma série de práticas com foco em desenvolver essa cultura de avaliação. É muito importante então que a gente pare e troque experiências para desenvolver, entre parceiros e associados, um amplo repertório conceitual e metodológico sobre avaliação”, explica.

Segundo a gerente, é preciso apostar nos benefícios do processo avaliativo, como o fato deste gerar evidências e informações que poderão ajudar gestores e equipes técnicas a aprimorar os projetos. “Isso é o que chamamos de uso pedagógico das avaliações. Não adianta nada deixar relatórios na gaveta ou transformá-los em uma notinha na imprensa, em um artigo ou em um relatório para prestar contas para os parceiros. Na verdade, o grande benefício de todo e qualquer processo avaliativo é que ele retroalimente o próprio processo de atuação na área social.”

União de expertises e compartilhamento de experiências

Juntar diversas organizações pertencentes a diferentes setores com suas experiências, aprendizados e conhecimentos é um ponto de destaque do seminário. Nesse sentido, Mônica ressalta a importância de alinhar iniciativas do investimento social privado com as políticas públicas. “Se existe, nos últimos anos, especialmente dos anos 90 para cá, a produção de uma série de indicadores pelo próprio governo brasileiro no campo social, na área da saúde, educação, emprego e nas questões da infância e juventude, os projetos desenvolvidos pelo investimento social privado têm buscado um alinhamento em parceria com o próprio governo e com as organizações da sociedade civil (OSCs). Por isso, os governos também são importantes nesse ecossistema.”

A gerente também destaca o papel dos teóricos e especialistas em avaliação, uma vez que, sejam internacionais ou brasileiros, estes estudam e se especializam em como construir um olhar sistemático para projetos sociais. “É fundamental que todos os atores convidados para o seminário dialoguem porque todos são partícipes desse processo. Precisamos falar sobre os desafios avaliativos no nosso país de dimensões continentais, os custos dessa avaliação, quais são as melhores metodologias para de fato conseguirmos entender o que está acontecendo nos nossos projetos, com diagnósticos bem feitos, para que depois possamos aplicar tudo o que aprendemos”, explica Mônica.

Programação

A abertura institucional do seminário ficará a cargo de Fábio Barbosa, vice-presidente do Itaú Social; Hugo Barreto, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho; Giuliana Ortega, diretora executiva do Instituto C&A e José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE.

Em seguida, Michael Patton, presidente da Utilization-Focused Evaluation, dos Estados Unidos, será responsável pela palestra “A avaliação baseada em princípios e na utilização”, que terá mediação de Ângela Dannemann, superintendente do Itaú Social.

A exposição será dividida em duas partes. Na primeira, Patton falará sobre a relação entre os princípios adotados por uma organização ou grupo e o foco da avaliação. Nesse sentido, explicará que é preciso examinar se os princípios são claros e levam à ação, se estão sendo realmente seguidos e, se estiverem, se estão levando aos resultados desejados.

Já na segunda parte, o especialista dividirá com os participantes como organizações podem promover transformações sociais relevantes frente a grandes desafios a partir do uso constante, transparente e participativo do pensamento avaliativo. Uma vez que a avaliação deve ser útil para seus principais usuários, Patton compartilhará com os participantes como esses processos avaliativos devem ser planejados e conduzidos para aumentar a utilização provável de seus resultados, de forma a ajudar o projeto que está sendo avaliado a chegar a seu potencial máximo e alcançar a transformação social desejada.

Patton também participará das outras duas mesas que compõem o evento. Uma delas, intitulada “Diálogo sobre avaliação e transformações sociais”, será composta também por João Franca, diretor técnico do Instituto Camará Calunga; Naércio Menezes, professor do Centro de Políticas Públicas do Insper; Neca Setubal, presidente do conselho do GIFE e Paulo Januzzi, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mônica Pinto ficará responsável por mediar a conversa, na qual os participantes dividirão seus conhecimentos e aprendizados sobre experiências concretas de avaliações que, de alguma forma, ajudaram suas organizações a se tornarem mais efetivas na promoção de transformações sociais. Além disso, os especialistas refletirão sobre os aspectos e características que tornaram as avaliações úteis e como as aprendizagens foram utilizadas para outros processos avaliativos.

A última mesa do evento reunirá profissionais com amplo conhecimento do trabalho de Paulo Freire para debater “O pensamento de Paulo Freire e sua influência na prática e teoria da avaliação”. A mediação da mesa ficará a cargo de Thomaz Chianca, da COMEA Avaliações Relevantes, e será composta por Moacir Gadotti, presidente de honra do Instituto Paulo Freire, e Vilma Guimarães, gerente geral da área de educação e implementação da Fundação Roberto Marinho.

Juntos, os especialistas discutirão algumas propostas do educador, como desenvolver consciência crítica, entender que todos aprendem e ensinam ao mesmo tempo, unir reflexão e ação, integrar emoção e razão e como elas influenciam o campo teórico e prático da avaliação pelo mundo.   

As vagas para o evento, que acontecerá no Centro Cultural São Paulo, são limitadas. Para participar, é preciso realizar a inscrição neste link.

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