Comunicação é vetor estratégico para transformação, apontam especialistas

Colocar um tema na agenda da sociedade, mobilizar quem se identifica com a causa, conquistar os indiferentes e influenciar os tomadores de decisão com o objetivo de mudar a realidade social. Essas são, sem dúvida, contribuições fundamentais que a comunicação traz para o setor social, acreditam especialistas do campo.

“Para as organizações da sociedade civil a comunicação é importante porque, além de ser uma forma de engajar mais gente para a causa a qual se dedica, ela é a base da transparência. Por meio da comunicação, a organização mostra o que está fazendo, com quem, como, onde, de forma a construir com a sociedade e com seus públicos uma relação mais aberta, sólida e honesta. Além disso, uma boa comunicação ajuda a organização a manifestar a diferença que tem feito ao mundo. Ela tem que fazer parte da estratégia, sempre. Quando a comunicação é pensada desde o marco zero e é construída em conjunto, passa a fazer parte do projeto, dando suporte às ações ao longo do processo ”, destaca Mariana Moraes, gerente de Comunicação do GIFE.

Para ajudar os profissionais do setor a colocar estas questões em prática, será realizado, de 27 a 29 de setembro em Miami (EUA), o ComNet -The Communications Network Annual Conference 2017 . Ele é a principal conferência internacional de comunicação na área social.  Em 2016, mais de 600 lideranças da área participaram do evento. O GIFE esteve presente nas duas últimas edições (veja aqui matéria). Neste ano, um grupo de organizações, entre elas associados do GIFE – Instituto Alana e Instituto C&A -, pretendem marcar presença.

O evento contará com oficinas, debates, laboratórios e momentos para intensa troca de experiências entre os participantes. A palestra de abertura será feita por Sarah Hurwitz, redatora principal de Michelle Obama desde 2008, além de ter trabalhado com Al Gore, John Kerry e o general Wesley Clark. Estarão presentes também Katherine Boo, escritora que testemunha a vida dos mais empobrecidos, tendo recebido várias premiações, e Frank Luntz, consultor político e pesquisador que busca ditar o fluxo de informações entre a arena política e o público americano.

Ao longo da conferência, serão discutidos temas como: de que forma os comunicadores podem se tornar catalisadores para mudança organizacional; como comunicar por meio de uma crise; a ética do conteúdo no setor social; como formular mensagens eficientes, engajadoras e motivadoras para diferentes atores; como fortalecer os movimentos sociais; como construir comunicações de coalizões para atingir um maior impacto; entre outros.

“O ComNet é reconhecido por reunir as principais lideranças do terceiro setor para discutir a possibilidade de gerar mais impacto com a ajuda da comunicação. A CAUSE já participou de edições anteriores e sempre trazemos novidades aplicáveis ao nosso dia a dia. Num tempo em que as redes sociais e ferramentas de comunicação avançam sem parar, a Conferência é uma oportunidade de enxergar o que há de novo e relembrar as estratégias tradicionais que reforçam a atuação do setor. Tenho certeza que teremos muitos aprendizados”, comenta Francine Lemos Arouca Menezes, sócia-diretora da agência CAUSE, que estará presente no ComNet.

Sandra Mara Costa, sócia da MC&Pop Comunicações, que irá pela terceira vez ao evento, destaca a sua percepção sobre a evolução da comunicação do campo social no Brasil nos últimos anos e o destaque que ela pode ter frente aos demais países. “A nossa comunicação é criativa, ágil e, cada vez mais, tem conquistado espaço dentro das instituições. As organizações da sociedade civil existem em função de uma missão, que é sempre promover uma transformação na sociedade, e isso não se faz sem comunicação. Perceber isso é um amadurecimento do setor. Diante deste cenário, o comunicador deixou de ser um profissional meio, passando a ser um profissional da atividade fim. O aumento desta percepção tem valorizado a função do comunicador dentro das organizações”, acredita Sandra.

Porém, como apontam as especialistas, ainda é preciso avançar para que, de fato, a comunicação possa ser incorporada como estratégia inerente a todo o fazer do setor, além da necessidade de ampliação das equipes e orçamento para a área.

“Em muitas instituições, a comunicação ainda é muito acionada no fim do processo, depois da estratégia institucional já estar definida. Ou seja, acaba não tendo um poder de influência tão grande. Isso vem muito também em função da sociedade atual, em que todo mundo é produtor de conteúdo. Claro que isso é bom porque democratiza a possibilidade de compartilhar opiniões, torna muito mais plural a comunicação. Mas, por outro lado, é preciso lembrar que a comunicação é um campo da ciência e, como tal, ela tem suas regras, métodos e que esse conhecimento é presente no profissional da área”, completa Sandra.

Portanto, neste mundo tão conectado em que novas vozes surgem, é preciso aproveitar também as oportunidades, a fim de que o setor possa avançar. Francine destaca a necessidade das organizações explorarem novas maneiras de engajar os cidadãos, disponibilizando canais mais atraentes para os seus públicos de relacionamento.

“O setor social precisa aproveitar mais as redes sociais, que são gratuitas, e explorá-las para levar a mensagem mais longe e para mais pessoas. O uso de dados é, sem dúvida também, outra grande oportunidade. O campo social sempre foi um grande produtor de pesquisas e dados, mas precisa saber divulgá-los mais. Uma forma de fazer isso é estabelecer uma boa relação com a mídia: os jornalistas estão ávidos por informação verdadeira e de qualidade. Acredito que investir nessa aproximação com a mídia seja muito importante para as organizações e um ganho para a sociedade”, ressalta a gerente de Comunicação do GIFE.

Sobre o evento

As inscrições para o Comnet17 já estão esgotadas, mas os aprendizados trazidos pelos participantes serão divulgados pelo GIFE após o evento. Não perca.

Para conhecer o Comnet17, clique aqui.

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