Fundação Amazonas Sustentável completa uma década de ações socioambientais no norte do Brasil

O ano de 2018 é um grande marco para a Fundação Amazonas Sustentável (FAS). Trata-se do aniversário de 10 anos da organização, criada em 2008 pela parceria entre o Banco Bradesco e o Governo do Estado do Amazonas, com o objetivo de promover o envolvimento sustentável, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas do estado. Em tempos de grandes marcos, é momento de refletir sobre o caminho percorrido até agora.

A atuação da Fundação é desenvolvida a partir de três programas: o Bolsa Floresta (PBF), Educação e Saúde (PES) e o Soluções Inovadoras (PSI). A FAS trabalha em Unidades de Conservação (UC) dentro da floresta, dando assistência à população. Somente em 2016, o trabalho foi desenvolvido em 16 UCs, beneficiando mais de 40 mil pessoas que vivem na região.

O Programa Bolsa Floresta, por exemplo, é uma política pública criada pelo Governo do Amazonas que conta com quatro componentes básicos: renda, social, familiar e associação. A ideia é que as famílias que moram na região realizem a adesão ao programa e, com isso, participem de oficinas sobre mudanças climáticas e serviços ambientais, não criem novas áreas de roçado em áreas de floresta primária e que seus filhos estejam na escola.

Atualmente implementado e gerido pela FAS, o programa é uma forma de melhorar a qualidade de vida das populações ribeirinhas das UCs estaduais, além de estreitar os laços entre as pessoas e a floresta. Vale ressaltar que toda a atuação da FAS gira em torno do lema: “Fazendo a floresta valer mais em pé do que derrubada”.

Educação e Saúde é o pilar que promove o bem-estar e conhecimento da comunidade. A partir do uso de Núcleos de Conservação e Sustentabilidade, são oferecidas atividades que promovem qualificação profissional, empreendedorismo, incentivo à leitura, práticas agroecológicas, entre outros. “O programa promove o desenvolvimento de inovações na área de saúde e educação, incentivando o aprimoramento de políticas públicas. Nós desenvolvemos, por exemplo, o projeto “Primeira Infância Ribeirinha”, que deu margem à elaboração de uma política pública voltada exclusivamente para crianças de zero a seis anos, o que não existia antes”, explica Virgílio Viana, superintendente-geral da Fundação.

O projeto baseia-se em um trabalho de formação de agentes comunitários de saúde para fazer o atendimento domiciliar em áreas remotas. Realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam) e o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), com recursos da Fundação Bernard Van Leer, o programa tem sua importância reconhecida internacionalmente. “A FAS trabalha no Brasil abandonado, um país de lugares distantes. São comunidades que ficam às vezes a 20 dias de distância de barco de Manaus. Esse é um desafio gigantesco”, comenta Virgílio.

Também dentro de Educação e Saúde está o projeto Escola d’Água, que trabalha de acordo com os pilares: “Acesso à água”, “Educação sobre a água” e “Higiene, Saneamento e Saúde”. “É um projeto lindo desenvolvido nas escolas sobre o bom uso da água, além de questões relacionadas à água potável e à higiene. É um trabalho de educação voltado para a questão de como cuidar bem da água do lugar chamado carinhosamente de pátria das águas, o Amazonas, que tem a principal bacia hidrográfica do mundo, com mais ou menos 16% de toda água superficial do planeta. Logo, é importante que as pessoas cuidem desse patrimônio”.

No terceiro pilar da Fundação, está o programa Soluções Inovadoras, que conta com diversas iniciativas desenvolvidas para ampliar o conhecimento da população sobre a Amazônia e ressaltar a necessidade de sua preservação. Uma das ações desenvolvidas nessa frente foi o Google Street View da floresta. Atualmente, estão disponíveis na plataforma Google imagens em 360º da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, Juma e Madeira. O Trekker, aparelho desenvolvido pela empresa de tecnologia, viajou durante 18 dias e visitou 18 comunidades.

“Quando essa parceria com o Google foi lançada, foi um sucesso e teve um impacto enorme, principalmente em fomentar o turismo de bases comunitárias. É uma forma de desestimular o desmatamento a partir da valorização da floresta em pé, que é a estratégia central da FAS”, explica o superintendente da FAS.

Segundo Virgílio, a implementação e parceria com tecnologias como essa podem ser aliados poderosos por mostrar àqueles que estão distantes a imensidão e diversidade que é a Amazônia.

“A partir do momento que a gente seduz as pessoas para conhecer a Amazônia, elas se envolvem emocionalmente e isso acaba tendo repercussões, umas mais diretas, outras menos. Por exemplo: uma das consequências do Google Street View é despertar o interesse pelo turismo. Outro fator, mais indireto, é a emoção sentida com a beleza e exuberância da Amazônia, despertando mudanças de hábito. É essencial, por exemplo, que as pessoas comam menos carne, e isso tem repercussões sobre a floresta. Controlar o desmatamento é algo complexo, talvez um dos maiores desafios que nós temos, e envolve uma série de questões econômicas”, acredita.

O que mudou em 10 anos

Apesar de afirmar que as pessoas estão mais conscientes atualmente sobre os temas ambientais e a importância da Amazônia hoje em dia, Virgílio afirma que ainda estamos longe de um cenário ideal. “É uma melhora muito aquém da necessária. Muitas vezes, eu vejo mais interesse e preocupação com a conservação da Amazônia vindo de outros países do que do próprio Brasil, em especial dos tomadores de decisão”.

O superintendente-geral da FAS argumenta que o setor de investimento social privado brasileiro ainda tem muito o que caminhar quando o assunto é preservação ambiental e presença de organizações no Norte do país. “Se a Amazônia entrar em colapso, a chuva e a agricultura de São Paulo, por exemplo, também entrarão em colapso, e a filantropia brasileira está de costas para isso. Eu acredito que é muito importante convidar e estimular as pessoas a se engajarem com essa agenda estratégica, seja de uma forma direta ou não”.

Apesar de ainda ter um longo caminho a ser percorrido, muita coisa mudou se comparada há 10 anos. Virgílio destaca a parceria com o Banco Bradesco como um dos pontos altos da história da Fundação. “O envolvimento de uma empresa do porte do Bradesco é muito relevante, pois mostra a preocupação do setor empresarial com o tema”.

Além disso, os esforços da FAS também trouxeram prêmios. Em 2016, a Fundação foi a vencedora do Prêmio Calouste Gulbenkian, da Fundação Gulbenkian, realizado em Portugal, e recebeu o valor de 250 mil euros. Já em 2017, mais um destaque para a FAS: a Fundação foi reconhecida como a melhor organização da sociedade civil da região Norte no Guia das 100 Melhores ONGs do Brasil, organizado pelo Instituto Doar e pela revista Época.

Por fim, todo o trabalho resume-se a reduzir o impacto humano na floresta, um dos mais importantes ecossistemas do mundo, e contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem na Amazônia. “Nós conseguimos reduzir o desmatamento em 66% desde que começamos a trabalhar e aumentamos a renda em 40% nas comunidades onde estamos presentes, reduzindo a pobreza dessas populações. Eu espero que o debate sobre a Amazônia ganhe cada vez mais espaço nos próximos anos”, se anima o superintendente da FAS.

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