Fundação Tide Setubal diversifica conteúdo sobre desigualdades socioespaciais em seu canal no YouTube

 

A mudança da missão institucional da Fundação Tide Setubal em 2016, quando a organização decidiu focar seus esforços, atividades e ações no diálogo com diferentes atores, na promoção da justiça social e no enfrentamento das desigualdades socioespaciais, resultou em novas frentes de atuação.

Nesse novo modelo, a equipe decidiu investir em debates presenciais em diferentes espaços de São Paulo sobre temáticas relacionadas a justiça social e desigualdades socioespaciais, com a iniciativa Vozes Urbanas, como também em produções em vídeo, para modernizar e ampliar a oferta de conteúdo em seu canal no YouTube, que foi repensado e modernizado.

Fernanda Nobre, coordenadora de comunicação da Fundação Tide Setubal, explica que a Enfrente, websérie com personagens contando suas histórias de enfrentamento tanto na perspectiva pessoal, quanto coletiva, foi o pontapé inicial para começar a nova história na plataforma de vídeos. “Eu brinco que nós tínhamos um depósito de vídeos e não um canal com linhas editoriais e uma proposta de entregar um conteúdo conectado com o debate da nossa missão. Reformulamos pensando nisso.”

Lançada em novembro de 2018, a primeira temporada conta com dez episódios, modelo que se repetirá na segunda temporada, a ser lançada no começo de março. “Nessa nova temporada, temos três personagens que foram identificados pela pesquisa Emergências Políticas, que lançamos no ano passado. São pessoas que atuam fazendo política nos territórios e não só política institucional. Também temos seis mulheres que atuam nas periferias e que foram selecionadas no nosso edital Elas Periféricas. Dessa vez, temos uma forte perspectiva de gênero na série.”

Entre Dados

Saindo da perspectiva dos personagens, a Fundação também ouviu especialistas sobre os temas relacionados à sua missão. A série Entre Dados, lançada em fevereiro, traz a pergunta-chave “Como olhar para as desigualdades socioespaciais a partir de dados, personagens e fontes confiáveis?”.

A cada episódio, um especialista é convidado a falar sobre um tema diferente. O primeiro, por exemplo, apresenta dados como 700 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza no mundo, sendo 16 milhões somente no Brasil. Célia Cruz, diretora executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), aproveita a deixa para defender que, nesse cenário do país, a inovação social ganha ainda mais importância.

Com um total de cinco episódios, a série alia o tratamento de diferentes temas e a credibilidade e repertório dos especialistas convidados.

Fábio Tsunoda, coordenador de conhecimento da Fundação Tide Setubal, explica que todos os temas que compõem a Entre Dados representam áreas de atuação da Fundação. “São causas que norteiam o nosso trabalho e, consequentemente, isso faz com que a construção da própria agenda da série seja coletiva. A nossa expectativa é contemplar o máximo possível de agendas que temos internamente.”

Sobre o assunto negócios de impacto, trazido por Célia como uma forma de aproximar a periferia de investidores, Fábio comenta que a Fundação tem investido na diversificação de ações sobre empreendedorismo nas periferias. “Aproximar empreendedores e investidores para a resolução de problemas sociais também é um dos nossos pontos-chave. Temos expandido nossa atuação no tema com ações como o Fundo Zona Leste, uma iniciativa junto com outras organizações para compor um fundo de apoio a empreendedores na periferia de São Paulo, e a criação de um Hub de empreendedorismo em São Miguel Paulista para criar um espaço de interlocução com empreendedores da periferia.”

O coordenador defende que parte do processo de resolução de problemas sociais complexos passa por sua interpretação e compreensão de como essas questões se reproduzem. “Na minha opinião, o grande desafio da websérie Entre Dados se resume em tornar a compreensão desses problemas acessível, de modo que as pessoas possam se engajar em torno deles e ter informações de qualidade para serem utilizadas e debatidas posteriormente.”

Disponibilizar as produções no canal do YouTube e tratar dos temas com uma linguagem acessível é uma forma de fazer com que o conteúdo atinja ainda mais pessoas, um dos objetivos da Fundação. “Não queremos falar somente com as pessoas com as quais já temos uma interloculação. Nós buscamos que esse debate seja disseminado entre outros públicos e por isso é importante tornar as informações acessíveis. A diversificação do público é um ponto chave nessa questão porque à medida que conseguimos interlocução com outras pessoas, grupos e interessados no tema, o próprio problema ganha outras formas, pontos de discussão e interesses e isso faz com que a nossa causa seja mais bem disseminada e qualificada. O nosso interesse é fazer com que isso tudo vire um grande movimento que não dependa exclusivamente de nós”, explica Fábio.

Encontros e Fronteiras

Para fechar o conjunto de iniciativas no YouTube, a Fundação lançou, no dia 8 de fevereiro, a Encontros e Fronteiras. Ancorada por Maria Alice Setubal, presidente da Fundação Tide Setubal, a série baseia-se em entrevistas com personagens que têm histórias de enfrentamento de desigualdades com o objetivo de promover reflexões sobre fronteiras sociais e o papel de cada indivíduo no mundo.

“A ideia é ter pessoas de universos diferentes falando sobre como construir pontes para uma transformação do contexto social e político. A primeira entrevistada, Adriana Barbosa [fundadora da Feira Preta], fala desde uma questão de transformação social, do legado da mulher e do papel da mulher na família. É uma conversa que passa por diferentes universos e que mostra pontos em comum e pontos diferentes, mas o diálogo é possível para pensar a transformação social”, explica Fernanda.

Inicialmente com dois episódios – o segundo a ser lançado em março -, a série tem potencial de crescimento frente à vontade da Fundação de ampliar o diálogo. “Queremos falar com pessoas que estão em universos diferentes do nosso para estabelecer diálogos sobre os desafios de enfrentar as desigualdades e do momento político atual.”

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