Fundação Tide Setubal lança série de debates sobre desigualdades socioespaciais

Para refletir sobre as diferentes formas de desigualdades enfrentadas diariamente pela população na macrometrópole de São Paulo que, nos seus 174 municípios conta com mais de 33 milhões de habitantes, a Fundação Tide Setubal acaba de lançar o projeto Vozes Urbanas.

Trata-se de uma série de debates com temáticas diversas relacionadas à justiça social e desigualdades socioespaciais em grandes metrópoles. Handemba Mutana, coordenador de ação macropolítica da Fundação, explica que o projeto tem ligação direta com a nova missão institucional de possibilitar diálogos com diferentes atores, promover a justiça social e o enfrentamento das desigualdades socioespaciais.  

“Em um primeiro momento, a criação do Vozes Urbanas vem dessa mudança interna, quando percebemos as desigualdades socioespaciais como um dos problemas críticos que a nossa sociedade enfrenta hoje. Segundo que, mesmo com essa gravidade, é um assunto pouco pautado e presente nas políticas públicas, no governo, no mercado e em diversas dimensões. Esse espaço de diálogo vem para suprir e somar essa lacuna de apresentar o debate e conceitos, trazer diversas vozes, e também tornar essa pauta algo importante dentro dos governos, que deve ser tratado, falado e estar presente na vida de toda a sociedade”.

O lançamento da série aconteceu em maio. O primeiro encontro, com o título “Desigualdades nas cidades, por que esse tema importa?” foi realizado na região de Pinheiros e contou Teresa Caldeira, antropóloga, urbanista e co-diretora do programa Global Metropolitan Studies, na Universidade da Califórnia, Berkeley; Eliana Sousa Silva, diretora e fundadora da Redes de Desenvolvimento da Maré, do Rio de Janeiro, e mediação de Haroldo Torres, consultor da Fundação Tide Setubal.

A ideia é que todos os encontros, seis a princípio, sejam realizados no final de cada mês, e sigam o modelo do evento de lançamento, com a reunião de pessoas com vivências distintas de forma a enriquecer a discussão. “Buscamos trazer diferentes atores que possam dialogar sobre suas perspectivas. Entendemos ‘especialistas’ como pessoas que têm envolvimento profundo na temática, independente de títulos”, ressalta Handemba.

Apesar das datas ainda não estarem definidas, os temas dos próximos encontros já foram estabelecidos. O do dia 27 de junho será dedicado a discutir “Mulheres: ações para equidade de gênero e empoderamento econômico”. Os próximos serão: “Desafios da política urbana e habitacional no enfrentamento das desigualdades socioespaciais”; “Inovação política e participação social: o voto na redução de desigualdades”; “Identificação dos gastos públicos na periferia de SP”; “Educação e desigualdades educacionais” e “Empreendedorismo nas periferias urbanas”. Todas as informações dos próximos encontros serão divulgados no site da Fundação Tide Setubal.

Qualidade de informação

Viviane Soranso, assistente de coordenação da Fundação, ressalta que o Vozes Urbanas se estrutura como uma das várias estratégias de enfrentamento e combate às desigualdades. “A qualificação do conhecimento e da informação é uma das principais possibilidades de acesso às políticas públicas. Mas o tema das desigualdades é muito complexo. O Vozes é um dos caminhos para mudar esse cenário, mas não é o único”.

Handemba também cita a necessidade de preencher essa lacuna de informações com a compreensão, por exemplo, do investimento financeiro da prefeitura nas políticas públicas urbanas, com a análise da forma que o recurso é investido nas regiões e bairros. “O Vozes Urbanas tenta mostrar que a complexidade da desigualdade passa por entender o funcionamento das políticas públicas. Tentamos ampliar a compreensão dessas políticas, mostrando a dificuldade dos órgãos em investir nas periferias e entender a sua complexidade, já que a desigualdade é composta de diversas faces: questão de raça, gênero, educacional, de acesso às escolas, política habitacional, entre muitas outras”.

A participação em todos os eventos será gratuita e aberta ao público. E, uma vez que a temática central da série de diálogos é desigualdade, a Fundação pretende que as rodas sejam itinerantes, realizadas em diferentes pontos da cidade. “O fato de ser gratuito permite que qualquer pessoa que queira debater o assunto tenha acesso às informações apresentadas no diálogo. Além disso, muitos têm dificuldade para se deslocar, então também vamos transmitir os encontros na página do Facebook da Fundação, para que pessoas acessem pelo celular, tablet e computador e também participem com perguntas e colocações”, explica Handemba.  

Próximos passos

No encerramento desses debates, o desejo é realizar uma versão internacional do Vozes Urbanas, em novembro deste ano. Ainda sem um tema definido, a ideia é trazer convidados de diferentes países para contribuírem com temas das questões socioespaciais. “Um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU é realizar um debate internacional. Então, convidar essas outras vozes será uma oportunidade de escutar representantes de cidades que passam por problemas semelhantes aos nossos”, argumenta Handemba.

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