Fundo BIS: conheça quatro projetos que fortalecem a cultura de doação no Brasil

Criado para apoiar iniciativas que promovam mecanismos para o fortalecimento da cultura de doação no Brasil, o Fundo BIS realizou sua segunda edição em 2020 e, neste 2021, celebra as ações promovidas pela chamada. A iniciativa buscou promover o desenvolvimento e criação de novas plataformas, soluções e serviços inovadores que possibilitem o mapeamento e a conexão estratégica e facilitada entre quem doa/financia e quem executa/realiza projetos sociais, ambientais, científicos e culturais de finalidade pública, incluindo negócios de impacto.

Entre os projetos apoiados nesta edição estão: Fundo Nordeste Solidário (Rede Vencer Juntos), Plataforma Dia de Doar Kids (Umbigo do Mundo), Plataforma Potências Periféricas (Agência Mural de Jornalismo das Periferias) e Vitrine de ONGs (Instituto Liga Social). 

Saiba um pouco mais sobre as iniciativas a seguir.

Fundo Nordeste Solidário (FNS)

A iniciativa se configura como uma plataforma coletiva de captação de recursos e divulgação de experiências de Fundos Rotativos Solidários (FRS) da região Nordeste e do norte de Minas Gerais: o Fundo Nordeste Solidário (FNES). A proposta envolve aproximar grandes centros urbanos do Brasil, onde estão concentradas empresas e recursos financeiros, com as periferias e pequenas comunidades do interior. 

A prática vem se espalhando pelo Brasil nos últimos 30 anos, principalmente em pequenos municípios e comunidades, e, normalmente, nasce a partir da injeção de um recurso não reembolsável em projetos produtivos para geração de renda de uma comunidade.

A Rede Vencer Juntos, idealizadora do projeto, partiu de um mapeamento de FRS realizado entre 2011 e 2013 com apoio da extinta Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), que identificou e cadastrou 341 iniciativas, em 404 municípios da região Nordeste.

“Apostávamos que os resultados da pesquisa apoiada pela SENAES estimulariam a introdução de políticas públicas mais permanentes de apoio às iniciativas de Fundo Rotativo Solidário. No entanto, a política pública federal de apoio às iniciativas de economia solidária foi abandonada em 2016, deixando dezenas de milhares de famílias sem assistência. Os Fundos Rotativos Solidários, que se organizaram em uma rede em 2016, tiveram que encontrar um novo caminho para captar investimentos sociais para ganhar escala e ampliar seu impacto. Nasceu então a proposta do Fundo Nordeste Solidário para captar recursos de empresas, pessoas físicas e fontes públicas”, conta Barbara Schmidt Rahmer, presidente da Rede Vencer Juntos e membro da coordenação da Rede Nordestina de Fundos Solidários.

Conheça o projeto aqui.

Plataforma Dia de Doar Kids

O apoio do Fundo BIS possibilitou o aprimoramento da metodologia da Plataforma, baseada em sete princípios: gentileza, generosidade, sustentabilidade, respeito, diversidade, cidadania e solidariedade a serem trabalhados junto a crianças por educadores nas escolas. Com o recurso, foram desenhadas três atividades para cada um dos sete eixos. Atualmente, a metodologia contempla 26 práticas. 

Marina Pechlivanis, sócia da Umbigo do Mundo e idealizadora da Plataforma Dia de Doar Kids, explica que o objetivo principal da metodologia é oferecer ao professor um território didático, narrativo e transdisciplinar que facilite a implementação de práticas e atividades que discutam a doação em sala de aula. “Nossa dinâmica de ensino se baseia em um processo acolhedor, integrativo e transformacional, incentivando que as crianças saiam de um determinado estado de percepção e consciência e dirijam-se a outro.”

Conheça a iniciativa aqui.

Plataforma Potências Periféricas

Criar uma ‘vitrine’ para que agentes sociais possam cadastrar suas informações e projetos de forma segura e se conectar com doadores que desejam aportar recursos em iniciativas periféricas. Esse é o objetivo da Plataforma Potências Periféricas.

Com o aporte do Fundo BIS, foram realizados encontros e pesquisas para desenhar uma solução que efetivamente pudesse preencher as lacunas existentes, levando em consideração as necessidades, tanto dos investidores, como dos projetos e organizações dos territórios.

Anderson Meneses, codiretor da Agência Mural de Jornalismo das Periferias e integrante da Rede Potências Periféricas, conta que o que motivou a elaboração do projeto foram as conexões reais que acontecem pela cidade. “O ambiente digital pode ajudar a criar novas conexões, principalmente entre dois mundos que precisam se encontrar, mas possuem dezenas de desafios e obstáculos.”

Saiba mais sobre o projeto aqui.

Vitrine de ONGs

Uma plataforma de gestão, comunicação e transparência criada para facilitar a relação entre as organizações da sociedade civil (OSCs) e potenciais doadores. Esse é o objetivo da Vitrine de ONGs.

A Plataforma pode ser assinada por investidores sociais para a gestão de seu relacionamento com as organizações que apoia. Neste eixo, cada organização apoiada ganha uma página de transparência criada pelo investidor – que exibe informações sobre prestação de contas, documentos, certificações e os resultados de sua atuação.

A iniciativa permite também que as organizações que ainda não estão no radar dos grantmakers possam entrar na Vitrine de ONGs. Para isso, a instituição passa por um processo de certificação que a habilita a ter sua própria página de transparência na plataforma, por meio da tecnologia White Label – uma espécie de plataforma pré-fabricada em que o usuário pode incluir sua marca e identidade visual.

“Queremos que as OSCs usem suas páginas de transparência como uma espécie de LinkedIn. De forma rápida e descomplicada, podem se apresentar a potenciais apoiadores sem ter que fazer grandes investimentos em um site, por exemplo. É uma solução sob medida para quem já doa e para quem já recebe recursos que resulta em uma base de dados sobre ONGs que fica à disposição da sociedade, dando transparência e credibilidade aos processos”, observa Patricia Mussi, fundadora do Instituto Liga Social.

Saiba mais sobre o projeto aqui.

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