Geração de renda e a preservação do Cerrado

Reaplicação de tecnologias sociais amplia a coleta de frutos

O projeto Rede de Agroextrativismo Sustentável no Cerrado: reaplicação de Tecnologias Sociais Geradoras de Renda, iniciado em junho de 2019, está promovendo a geração de renda de famílias agroextrativistas. A iniciativa está proporcionando a organização das cadeias socioprodutivas de espécies nativas do Cerrado – amburana, babaçu, baru, faveira, macaúba e pequi a partir da reaplicação das metodologias Agroextrativismo Sustentável da Favela e Rede de Agroecologia Povos da Mata, certificadas em 2007 e 2017 respectivamente.

A engenheira agrônoma Alessandra Karla – coordenadora do projeto, explicou que 26 propriedades receberam visitas técnicas para certificação orgânica em municípios do nordeste de Goiás. “Realizamos nessas unidades produtivas planos de manejo do extrativismo orgânico, sendo que em 16 unidades a produção foi certificada”, afirmou Alessandra.

O projeto, com investimento social de R$ 1 milhão da Fundação BB, promove a organização do agroextrativismo sustentável de espécies nativas do Cerrado a partir da sensibilização, formação, manejo, certificação orgânica participativa, beneficiamento e comercialização solidária. “A certificação é um reconhecimento da comunidade agroextrativista que participa como sujeito do processo de avaliação, realizando visitas, plano de manejo orgânico e acompanhamento da propriedade familiar de forma participativa até a coleta, com o objetivo de agregar valor aos produtos e oferecer a sociedade alimentos livres de agrotóxicos’, declarou a agrônoma.

O Sistema Participativo de Garantia – SPG, realizado pelo Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado – Cedac, que é um Organismo Participativo de Avaliação de Conformidade Orgânica – OPAC, foi credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e abastecimento – MAPA em 2014.

O manejo sustentável das unidades produtivas obteve seis toneladas de faveira orgânica e 20 toneladas de baru orgânico. “A faveira, também conhecida como favela ou fava d’anta ou falso-barbatimão, é um fruto do Cerrado que fornece uma rutina, um bioflavonóide, também conhecido como vitamina P com diversas propriedades medicinais”, explicou Alessandra. A safra do baru ainda está sendo processada  pela Cooperativa dos Produtores do Cerrado – Coopcerrado, parceira do projeto e responsável pelo beneficiamento e comercialização. O fruto é vendido para uma rede de varejo de São Paulo.

O recurso do edital proporcionou a compra de dois caminhões para o transporte da colheita, além de uma empilhadeira e outros equipamentos para o cultivo. Neste fim de ano, o Cedac será visitado por empresas compradoras de São Paulo, e os representantes da entidade visitarão potenciais compradores nas capitais paulista e paranaense.

Reaplica TS

O Edital Reaplicação de Tecnologias Sociais foi lançado em março de 2018 em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o propósito de apoiar a reaplicação de iniciativas de geração de trabalho e renda referenciadas na rede Transforma. As entidades foram contempladas com valores entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. “Esta Chamada Pública teve o propósito de atender uma necessidade de apoio específico para a disseminação de iniciativas. Foi um esforço para a implementação de metodologias até então pouco difundidas no país”, declarou o gerente de Parcerias Estratégicas e Modelagem de Programas e Projetos da Fundação Banco do Brasil Rogério Miziara.

Entenda o bioma do projeto

O Cerrado, segundo maior bioma da América do Sul, ocupa uma área de 2 milhões de km2, cerca de 22% do território nacional. A sua área contínua abrange GO, TO, MT, MS, MG, BA, MA, PI, RO, PR, SP e DF, além de pequenas áreas no AP, RR e AM. Nesse espaço territorial encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade. Fonte: Ministério do Meio Ambiente.

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