Iniciativa do Instituto Alana vai levar estudantes premiados à Itália

A participação dos estudantes em processos de tomada de decisão nas escolas, assim como seu engajamento na elaboração de projetos, conteúdos a serem estudados e soluções para problemas da comunidade são movimentos que proporcionam benefícios a todos os envolvidos. Com o objetivo de reconhecer projetos protagonizados por crianças e jovens que estão mudando suas realidades, estão abertas as inscrições para a quinta edição do Desafio Criativos da Escola.

Promovido no Brasil desde 2015 pelo Instituto Alana, o desafio faz parte do Design for Change, movimento global criado em 2009, na Índia, pela designer e educadora Kiran Bir Sethi. Presente em mais de 65 países, o movimento tem como objetivo incentivar que escolas, professores e os demais envolvidos na educação possibilitem a formação de estudantes criativos, proativos, empáticos e com a mentalidade “eu posso”.

Depois de mais de 4.500 projetos recebidos nos cinco anos de realização do desafio no Brasil, Gabriel Salgado, coordenador do programa Criativos da Escola, ressalta que o movimento é uma estratégia para mobilizar estudantes e educadores, conhecer e fazer um mapeamento de ações de protagonismo de crianças e jovens pelo país e valorizar não só os grupos premiados, mas também o movimento de estudantes que ‘colocam a mão na massa’ para desenvolver ações de mudança das suas realidades e os educadores que acreditam nessa potência.

Segundo o coordenador, conhecer os projetos e perceber a sua riqueza possibilita uma visão alternativa sobre o pensamento vigente na sociedade atual quando o assunto é juventude. “Nós vivemos hoje em uma sociedade em que, muitas vezes, além de invisibilizado, o jovem é descredibilizado e culpabilizado pelos índices e situações de violência. Percebemos que de um lado há o discurso depreciativo e de preconceito contra os jovens. Do outro, esses anos de premiação têm mostrado que o jovem cria, desenvolve música, artes, ciências, história, comunicação e engenharias. Os projetos mostram a potência dessa criação pelas mãos desses estudantes com apoio de educadores dentro e fora das escolas”, afirma.

O protagonismo a que ele se refere é a responsabilização conjunta, onde crianças, jovens e adultos pensam juntos em estratégias para alcançar uma sociedade melhor. “Em uma sociedade ‘adultocêntrica’, que menospreza e não considera o jovem enquanto agente, nós defendemos essa agenda de protagonismo de crianças e jovens, considerando-os como grande potência para trazer outros olhares e perspectivas para nossa dinâmica social, para que possamos pensar em como melhorar o ambiente em que vivemos.”

Escopo

O Desafio tem o objetivo de premiar propostas de crianças e jovens que desenvolvem soluções para problemas identificados em suas escolas, comunidades ou até mesmo municípios.  

Podem participar da chamada equipes de no mínimo três integrantes de qualquer estado ou região do país, estudantes do Ensino Fundamental ou Médio, da mesma escola ou não, ou membros de organizações da sociedade civil, coletivos, movimentos, associações comunitárias, entre outros. A orientação de um professor não é obrigatória, mas um adulto com mais de 21 anos deverá ser o responsável pelo grupo e realizar a inscrição no site.

Os projetos inscritos podem estar em andamento ou já terem sido finalizados, desde que tenham sido realizados em 2019 ou 2018.

Seleção e premiação

Depois da pré-seleção de todos os projetos inscritos, uma comissão avaliadora irá selecionar sete vencedores na categoria Destaque Nacional.

Em ambas as fases, a análise dos projetos será feita de acordo com cinco critérios: 1. potencial de transformação social, 2. empatia, 3. colaboração, 4. criatividade e 5. protagonismo. No primeiro, por exemplo, o júri irá considerar se as ações realizadas pelos estudantes são capazes de estimular outras pessoas e eles próprios a refletir sobre o problema e a assumir uma postura responsável diante dele. Já no quesito empatia, será avaliado se os alunos ouviram outras pessoas para mapear suas opiniões sobre o desafio escolhido e se esses pontos de vista foram considerados no desenvolvimento da solução.

As sete equipes escolhidas deverão selecionar três estudantes e um educador ou responsável para participar de uma viagem a Roma, na Itália, em novembro deste ano. Todas as despesas da viagem serão custeadas pelo Instituto Alana.

A viagem visa a possibilitar que os estudantes participem da Conferência Global de Crianças e Jovens “Eu Posso”. O evento irá reunir mais de três mil estudantes de países onde o movimento Design for Change está presente. Em uma programação de cinco dias, os jovens poderão percorrer a cidade anunciando seus projetos e defendendo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), participar de atividades artísticas, artesanais e esportivas com alunos de diversas nacionalidades e também de uma grande comemoração que contará com a presença do Papa Francisco, além de artistas e lideranças mundiais.

Além da viagem, o educador ou responsável pela equipe irá receber um prêmio de R$ 500. Para a escola ou entidade onde o projeto for desenvolvido serão destinados R$ 1.500.

O resultado da seleção será divulgado no site do Criativos da Escola em agosto.

Inscrições

As inscrições para o Desafio ficarão abertas até 30 de junho e devem ser realizadas no site do Criativos da Escola. Depois de efetuada a inscrição, um e-mail de confirmação será enviado para o endereço cadastrado. Os campos para envio de arquivos como fotos, vídeos e textos não são obrigatórios, mas os materiais podem ajudar no processo de avaliação dos projetos.

Todas as informações da chamada estão disponíveis no regulamento. Eventuais dúvidas devem ser encaminhadas para o e-mail [email protected].  

Materiais de apoio

Como forma de orientar professores e responsáveis pelos grupos, o Instituto Alana disponibiliza anualmente um conjunto de materiais de apoio para download, com sugestões de atividades que podem ser adaptadas a diferentes realidades, contextos e práticas.

Já para os estudantes, a organização criou o Criativos da Escola – A Missão, um jogo de cartas composto por quatro fases para concretizar um projeto. A ferramenta pode ajudar alunos já mobilizados a trazer colegas para o movimento, assim como vídeos dos projetos premiados em edições anteriores e até mesmo um programa direcionado aos jovens no canal do YouTube do Criativos da Escola.  

Trazer mais pessoas para o movimento é o objetivo de diversos materiais produzidos pelo Alana fora do escopo do Desafio. “Estamos desenvolvendo várias ações para poder auxiliar o movimento de estudantes e educadores. Nós sabemos que há muita gente no campo ou na cidade, no centro ou na periferia, nos lugares com mais ou menos estrutura, desenvolvendo ações. O convite é para pensar em como podemos estar mais conectados e fortalecer esses movimentos de pessoas que estão na ponta, enfrentando desafios estruturais e efetivando diariamente essas ações de transformação”, reforça Gabriel.

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