Pesquisa Ibope/ONU Mulheres revela demanda brasileira por políticas de equidade de gênero

Nas eleições do dia 7 de outubro, muitos brasileiros elegeram mulheres para ocupar cargos na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de mulheres na Câmara passou de 51 em 2014 para 77 em 2018, um aumento de 51%. Já na Assembleia, São Paulo lidera como o estado que mais elegeu mulheres (em números absolutos): foram dezoito. Entretanto, proporcionalmente, Amapá foi o estado vencedor, elegendo oito mulheres das 24 vagas, o que corresponde a 33%.

O aumento da representatividade em cargos políticos é um passo na direção do aprimoramento da política em si e de outros espaços, segundo 81% dos entrevistados na pesquisa Ibope/ONU Mulheres Brasil 50-50, iniciativa que visa promover a participação de mais mulheres na política e a adoção de mais e melhores políticas para o público feminino.

Realizado em agosto, o levantamento ouviu a opinião de cerca de duas mil pessoas, entre homens e mulheres, de 141 municípios brasileiros. Cerca de 77% dos entrevistados considera que deveria ser obrigatório que Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional fossem compostos por números iguais de homens e mulheres. Outro dado que merece destaque é o fato de que 70% das pessoas avaliam que só há democracia de fato com a presença de mulheres nos espaços de poder e tomada de decisão.

Além de igualdade entre homens e mulheres, a pesquisa também revelou a opinião de brasileiros sobre a importância que o governo federal deveria conferir para medidas em quatro áreas: saúde, segurança, educação e transporte público. Em saúde, garantir a distribuição gratuita de medicamentos pela rede pública, ajudar os municípios a diminuírem o tempo entre marcação e realização de exames e garantir equipes especializadas na saúde da mulher tiveram uma média superior a nove em uma escala de um a dez no grau de importância.

Já em segurança, desenvolver políticas de prevenção ao crime voltadas para crianças e adolescentes e ampliar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência receberam notas 9,5 e 9,6, respectivamente. Em educação, os entrevistados concordaram que ajudar os municípios na ampliação de vagas em creches (9,5) e promover o ensino de Direitos Humanos e direitos das mulheres (9,3) é muito importante.

Fazer parcerias com estados e municípios para garantir transporte público de qualidade e destinar verba para melhorar a infraestrutura dos transporte também são consideradas atribuições de destaque do governo federal.

Quando questionados sobre igualdade entre homens e mulheres, os respondentes, tanto homens quanto mulheres, se mostraram decididos sobre a questão. Entretanto, mulheres são mais taxativas do que homens, sobretudo em questões como promoção de equidade de oportunidades e salários: enquanto a média da importância da promoção de políticas de incentivo à equidade salarial recebeu nota 9,3 entre homens, a nota entre mulheres foi de 9,6.

O download da pesquisa pode ser feito neste link.

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