Jovens agricultores e suas famílias no Baixo Sul da Bahia são beneficiados com avanços econômicos, sociais e ambientais, revela avaliação de programa da Fundação Odebrecht

Famílias agricultoras da região do Baixo Sul da Bahia reduziram em 65% a dependência de programas de assistência social e tiveram um aumento médio de R$ 25 mil na sua renda anual. Esses foram alguns dos achados da Avaliação de Impactos do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), coordenado pela Fundação Odebrecht.

Conduzida pela JS Brasil junto a famílias das cidades de Piraí do Norte, Nilo Peçanha, Ibirapitanga, Presidente Tancredo Neves, Camamu, Taperoá, Igrapiúna, Ituberá e Valença, a avaliação comprovou que o programa gera transformação nos âmbitos econômico, social e ambiental para os jovens agricultores da região e suas famílias.

Idealizado em 2003, o programa busca transformar as condições de vida das famílias agricultoras levando o desenvolvimento territorial sustentável por meio da educação de qualidade, inclusão socioprodutiva e conservação ambiental.

No âmbito do PDCIS, a Fundação Odebrecht apoia a Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), a Organização de Conservação da Terra (OCT), a Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf), a Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I) e a Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PNT).

Esse grupo de organizações oferece cursos técnicos integrados ao Ensino Médio voltados ao Agronegócio, Agropecuária e Florestas; promove a conservação do solo, da flora, da fauna e a revitalização dos recursos hídricos; bem como garante renda e qualidade de vida às famílias de agricultores associados por meio de assistência técnica e beneficiamento dos cultivos, além de ofertar produtos de qualidade aos parceiros comerciais e clientes.

Para Fabio Wanderley, superintendente da Fundação Odebrecht, ao longo dos 15 anos de execução do programa, sempre esteve claro o potencial do PDCIS de transformar econômica, social e ambientalmente as condições de vida das pessoas do Baixo Sul da Bahia. “Porém, sabíamos que era necessário avaliar, com rigor científico, não somente os indicadores de desempenho do que estava sendo realizado no âmbito da intervenção, mas também os seus efeitos diretos na vida das pessoas beneficiadas. A maturidade do PDCIS e a agenda de futuro da Fundação Odebrecht permitiram que essa avaliação de impactos fosse realizada em 2018”, conta.

A metodologia utilizada foi a do Caso-Controle, onde dois grupos foram comparados: o Caso, formado por beneficiários do PDCIS, e o Controle, constituído por não beneficiários, mas com características semelhantes ao outro grupo. No total, foram visitadas 190 propriedades rurais e realizadas mais de 300 entrevistas.

Achados

Na dimensão econômica, o estudo verificou que, em termos monetários, para cada R$ 1,00 investido no PDCIS, retornam R$ 2,13 em benefícios para a sociedade. Foi comprovado um aumento médio de R$ 25.593,24 na renda anual das famílias com a produção agrícola, podendo chegar a R$ 40 mil a mais quando associadas à Coopatan. Só em 2017, a riqueza econômica gerada pelo PDCIS foi de R$ 20 milhões.

Além disso, quem é apoiado tende a utilizar menos recursos de programas de assistência: os beneficiários reduziram em 65% a dependência do Bolsa Família, por exemplo.

Na esfera social, o estudo apontou que os jovens beneficiários têm mais confiança em falar e se posicionar, têm menos intenção de sair de suas propriedades, são mais propensos a ajudar e compartilhar conhecimento e têm mais participação social. Já as famílias beneficiadas enfrentam menos dificuldades no período de seca (falta de água para beber e cozinhar), na obtenção de alimentos, além de destinar o esgoto de modo mais adequado.

A avaliação mostrou ainda que os jovens no Baixo Sul estão 113% mais preparados para ingressar no mundo do trabalho e a taxa de desocupação entre eles é menor quando comparada à média do estado: 9,7% contra 17,9%.

Sobre os impactos ambientais, foi identificado que produtores rurais que aliaram a agricultura ao uso racional de recursos naturais obtiveram ganhos financeiros anuais em média R$ 20 mil acima do grupo Controle e que aqueles que são apoiados pelo PDCIS são três vezes menos propensos a enterrar ou queimar embalagens de agrotóxicos e quase seis vezes menos propensos a enterrar ou queimar lixo doméstico.

Além disso, os agricultores atendidos pelo PDCIS são cinco vezes mais propensos a ter seu Cadastro Estadual Florestal de Imóvel Rural regularizado do que o grupo Controle. E as propriedades agrícolas atendidas pelo programa são três vezes menos propensas a usar queimadas e possuem em média 0,58 a mais de nascentes do que as propriedades do grupo Controle.

O estudo também indicou aspectos para aprimoramento do PDCIS, como fortalecer a integração entre as instituições que fazem parte do programa. Estão previstas melhorias no acompanhamento de jovens egressos, maior estímulo ao protagonismo feminino e à inserção econômica da mulher no campo.

Para Fabio, a avaliação tem sua importância na instrumentalização da Fundação para o avanço em direção à sistematização da tecnologia social da instituição, que objetiva tornar-se um modelo autossustentável e com capacidade de ser reaplicada em outros contextos.

Além disso, o superintendente reconhece a importância da prática de avaliação no campo do investimento social privado e no setor socioambiental de forma geral. “Avaliar impactos é quase que uma condição indispensável no contexto contemporâneo de transparência e olhar atento da sociedade, principalmente quando se refere à atuação do terceiro setor. É uma etapa que gera conhecimento sobre a ação que se realiza, disponibiliza informações para verificar se o caminho escolhido é efetivo e permite ajustes e correção de rotas, se necessário. Trata-se de uma valiosa ferramenta que pode contribuir para que investidores, poder público e sociedade civil confirmem a importância dos investimentos em programas sociais e conheçam sua capacidade de retorno para a população.”

O relatório completo, que detalha a metodologia e as etapas do estudo, além de um vídeo com os destaques da avaliação, podem ser acessados na página da iniciativa.

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