Lideranças do ISP fazem apostas para o setor em 2019

O ano de 2019 se inicia com um novo panorama político, econômico e social. Para o Investimento Social Privado (ISP), é momento de avaliar estratégias e repensar a atuação do próximo período em linha com os desafios da agenda pública do país.

Para contribuir com essa tarefa, o redeGIFE conversou com membros do Conselho de Governança do GIFE para saber quais são as principais oportunidades e desafios para o setor em 2019.

Confira a seguir os destaques:

Oportunidades

  1. Ampliação do investimento social privado em patamares ainda mais elevados de alinhamento com as políticas públicas e com uma agenda de desenvolvimento mais efetiva.
  2. Avanço e diversificação da agenda de investimentos e negócios de impacto com a inclusão da pauta socioambiental.
  3. Ampliação de estratégias que combinem recursos financeiros e não-financeiros no apoio a Organizações da Sociedade Civil (OSCs) vinculadas a movimentos de base numa perspectiva de parcerias de longo prazo.
  4. Aperfeiçoamento do ambiente legal para ampliação dos recursos do investimento social privado por meio da aprovação da Lei dos Fundos Patrimoniais.
  5. Aumento da capilaridade no setor com a ampliação da base associativa do GIFE.
  6. Ampliação da adesão e do trabalho das instituições do setor do ISP sobre a agenda de monitoramento e avaliação.
  7. Atuação nas novas agendas lançadas pelo GIFE no projeto “O que o ISP pode fazer por…?” tais como mudanças climáticas, cidades sustentáveis, equidade racial, direitos das mulheres, gestão pública, segurança pública, água, migrações e refugiados, entre outras.

Desafios

  1. Retomada econômica para dar continuidade ao estímulo da cultura de doação no Brasil.
  2. Entender e buscar caminhos de relacionamento com os novos governos em relação às causas apoiadas pelas instituições.
  3. Fortalecimento da sustentabilidade econômica das OSCs.
  4. Unir atores para coordenar ações e integrar estratégias para que o investimento social privado traga ainda mais impacto positivo em diferentes agendas como saúde, educação, cultura e conservação da natureza.
  5. Convergência e ampliação da atuação do setor nos territórios a partir de indicadores sociais e educacionais.

Veja a seguir depoimentos de alguns dos membros do Conselho de Governança do GIFE acerca das perspectivas para o setor do investimento social privado em 2019.

“Acabamos de celebrar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. São 30 artigos que representam o ideal de respeito aos direitos fundamentais do ser humano a ser atingido por todos os povos e nações. No Brasil, é tempo de valorizar e garantir o que foi conquistado até o momento e unir esforços para seguir avançando.O setor do investimento social privado tem um papel importante a desempenhar nesse processo, aprofundando alianças com as políticas públicas e apoiando o fortalecimento das organizações da sociedade civil.”
Beatriz Azeredo, diretora de Responsabilidade Social da Globo

“Vejo dois importantes desafios para o ano que se inicia. De um lado, o tema da sustentabilidade econômica das OSCs segue sendo premente e reforça a necessidade de avanços no fortalecimento da sociedade civil em nosso país por meio da ampliação das doações, melhoria do ambiente regulatório, incremento da gestão, atuação em rede, etc. De outro, as OSCs – incluindo institutos e fundações empresariais – precisarão calibrar como será sua atuação no campo do advocacy, da defesa de direitos e da própria defesa da democracia à luz de um governo que já manifestou publicamente diversas vezes seu viés menos dialógico e mais contrário a diversas dessas causas defendidas pela sociedade civil.”
Fábio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin

“O trabalho em cooperação poderá ser a grande mola propulsora da atuação das empresas no campo do investimento social privado. Temos que mostrar aos novos governantes todo o esforço que já vem sendo feito pelas instituições que atuam no campo social e que deve ser respeitado, valorizado e potencializado.”
Leonardo Gloor, diretor da Fundação ArcelorMittal Brasil

“Estudos recentes mostram que os investimentos de impacto são crescentes no Brasil. É hora de sensibilizar esses investidores para destravar recursos e complementar o investimento social privado, além de diversificar suas áreas de atuação, incluindo a pauta socioambiental.”
Maria de Lourdes Nunes, diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

“Eu vejo com bons olhos todo o trabalho que o GIFE vem desenvolvendo em torno da articulação de novos atores e da ampliação da sua rede com o fomento às Redes Temáticas. Isso traz para o investimento social privado robustez e capilaridade, que é o que o Brasil precisa.”
Monica Pinto, gerente de desenvolvimento institucional da Fundação Roberto Marinho

“Uma oportunidade e ao mesmo tempo um desafio para nós do investimento social privado é pensar como vamos trabalhar para aprofundar a democracia nesse novo contexto do Brasil e do mundo.”
Neca Setubal, presidente do Conselho da Fundação Tide Setúbal e do Conselho de Governança do GIFE

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