2018 marcou o lançamento da série “O que o ISP pode fazer por…?”

Uma das trilhas do 10o Congresso GIFE, realizado em abril deste ano, trouxe para o centro do debate oito temas urgentes e relevantes da agenda pública nos quais a atuação do Investimento Social Privado (ISP) se dá de forma ainda tímida: cidades sustentáveis, equidade racial, água, mudanças climáticas, direitos das mulheres, migrações e refugiados, segurança pública e gestão pública.

A iniciativa inaugurou a série “O que o ISP pode fazer por…?”, cujo objetivo é diversificar e expandir a atuação do investimento social privado brasileiro, atraindo mais investimentos e estimulando a reflexão acerca da contribuição do setor para a superação de alguns dos desafios mais complexos da atualidade.

“As RTs [Redes Temáticas] do GIFE cumprem um papel importante na articulação dos investidores que atuam em agendas temáticas já consolidadas no setor. No entanto, há uma série de temas da agenda pública pouco presentes no ISP. Então, a série “O que o ISP pode fazer por…?” nasce do entendimento de que nós, como um pólo de rede, temos o papel de aproximar os investidores de um arco temático mais amplo, que traduz desafios relevantes que temos como sociedade”, explica Erika Sanchez Saez, gerente de programas do GIFE.

A gerente observa que a iniciativa dialoga naturalmente com a Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). “Muitos dos temas propostos no ISP Por tem relação direta com algum dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), já que os Objetivos sintetizam em uma linguagem comum os desafios mais complexos da agenda pública global e que se desdobram em diferentes níveis à medida que se territorializam”, afirma Sanchez.

Metodologia e produtos

A estréia da iniciativa no 10o Congresso GIFE foi seguida do início de um intenso trabalho de pesquisa de conteúdo, escuta de atores referência nos temas e debates junto a interlocutores das mais diversas esferas (poder público, academia, organizações da sociedade civil, investimento social privado, entre outras) a partir da realização de workshops.

“A ideia é aprofundar essas temáticas sempre em parceria com pelo menos um investidor que atue no tema e organizações da sociedade civil que sejam referência nessas agendas. Estamos nos propondo a fazer a conexão de quem está trabalhando nelas – especialistas, acadêmicos, organizações – com atores do ISP que tem potencial para atuar, então todo o processo é muito colaborativo”, observa Erika.

A etapa de pesquisa e escuta tem como finalidade uma exploração conceitual a fim de compor um primeiro insumo acerca do panorama e dos principais desafios no Brasil e no mundo sobre cada temática. Já o workshop dá um passo na direção de identificar as possibilidades de contribuição do setor do ISP a partir do levantamento dos principais desafios e oportunidades em cada agenda. Todo o processo é complementado pela realização de entrevistas com especialistas.

O resultado dessa etapa é cuidadosamente sistematizado e transformado em conhecimento e resulta na produção de um vídeo e uma cartilha por tema. A ideia é que toda essa produção de conhecimento possa apoiar institutos e fundações na aproximação com o tema, seja definindo a agenda como novo foco de atuação, seja pensando o tema numa linha mais transversal. É uma oportunidade de rever linhas programáticas e de pensar formas interessantes e estratégias inovadoras de atuação em novas agendas.

Erika ressalta que não se trata de priorizar alguns temas em detrimento de outros, mas sim de ampliar o arco temático. “À medida que tivermos mais atores e mais recursos, teremos uma capacidade maior de investir em mais temas.”

Disseminação e próximos passos

Todo o conhecimento e materiais produzidos serão disponibilizados na plataforma online da iniciativa, que será lançada em breve.

Está previsto para o início de 2019 o lançamento da primeira cartilha, sobre cidades sustentáveis, que será seguido dos demais temas da primeira rodada: equidade racial, água e mudanças climáticas.

A segunda rodada – composta pelos temas direitos das mulheres, migrações e refugiados, segurança pública e gestão pública -, também será produzida em 2019. O projeto prevê ainda uma terceira fase com outros temas da agenda pública. “Já temos na prateleira outras temáticas. Mas, isso é infinito. A gente pode trabalhar muitos temas”, explica a gerente.

A partir das cartilhas, uma coleção especial “O que o ISP pode fazer por…?” também será disponibilizada no Sinapse, a biblioteca virtual do GIFE.

Erika explica que essa produção de materiais antecede uma segunda etapa que é a de mobilização e sensibilização dos investidores para que eles passem a incorporar esse olhar da diversidade da agenda pública no momento de pensar e rever suas estratégias de atuação. “A expectativa do GIFE com a iniciativa é fomentar pontes e conexões entre atores diversos em cada um dos temas a fim de estimular a continuidade dos debates e uma atuação mais conjunta e mais diversa.”

Acesse!

Alguns dos resultados materiais da iniciativa já podem ser conferidos nos canais do GIFE.

A cobertura dos debates das oito mesas realizadas dentro da trilha relacionada à iniciativa durante o 10o Congresso GIFE pode ser conferida aqui.

Duas playlists são dedicadas à iniciativa no canal do GIFE no YouTube. A primeira, traz 20 vídeos e mais um compilado. Cada pílula de conteúdo traz falas de atores do investimento social privado e do campo das OSCs sobre os temas do projeto. A segunda contém 44 depoimentos de participantes do 10o Congresso GIFE sobre quais são as possibilidades de contribuição do investimento social privado sobre novas agendas.

Além disso, no primeiro semestre de 2018, uma série especial de reportagens sobre os oitos temas foi veiculada pelo redeGIFE, boletim semanal da instituição. Confira:

 

https://gife.org.br/isp-e-essencial-para-alavancar-acoes-de-desenvolvimento-sustentavel/

https://gife.org.br/investimento-social-pelas-mudancas-climaticas/

https://gife.org.br/instituto-betty-e-jacob-lafer-atua-por-equidade-no-sistema-de-justica/

https://gife.org.br/isp-e-essencial-para-alavancar-acoes-de-desenvolvimento-sustentavel/

https://gife.org.br/deslocamento-forcado-tem-recorde-e-supera-68-milhoes-de-pessoas/

https://gife.org.br/a-primavera-das-mulheres-rende-frutos-ate-hoje/

https://gife.org.br/mercado-de-trabalho-desperdica-oportunidade-por-nao-dar-as-mesmas-possibilidades-para-trabalhadores-negros-diz-especialista/

https://gife.org.br/investimento-social-aposta-na-cooperacao-para-gerar-transformacoes-nas-praticas-da-gestao-publica/

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