Modelo agroecológico desenvolvido por agricultoras de Alagoas é reconhecido como tecnologia social


Após capacitação por meio de oficinas, pesquisa de produtos da região e receitas tradicionais, grupo de mulheres de Flexeiras alcançaram independência financeira

Mulheres agricultoras moradoras na cidade de Flexeiras, interior de Alagoas, tiveram suas vidas transformadas após uma metodologia implantada pela cooperativa local que aliou o saber tradicional ao mercado de produtos orgânicos. A ideia surgiu há pouco mais de três anos, quando se identificou a oportunidade de trabalhar com o beneficiamento de alimentos da sociobiodiversidade da região.

Segundo Paulo Rodrigues Agra, diretor-presidente da Cooperativa Agropecuária de Alagoas (Coopaal), responsável pela metodologia, isso foi possível após a construção da Casa de Beneficiamento de Produtos Agroecológicos, em 2013, quando se disponibilizou oficinas para a fabricação de doces e geleias de frutas, além de outros produtos como bolos, pães e biscoitos. “Realizamos cursos com as mulheres da comunidade, que já tinham conhecimento da culinária, com a finalidade de escoamento das frutas e outros produtos da região. Atendemos o grupo de mulheres cooperadas que fornecem a matéria-prima e hoje aproximadamente 600 pessoas são beneficiadas diretamente”, explica.

A agricultora Júlia da Silva Palmeira (foto), 57, é uma dessas pessoas. Nascida em Santana de Ipanema, no sertão alagoano, ela reside em Flexeiras desde 2010. Nessa época ainda trabalhava na roça, junto ao marido, para a subsistência do casal e dos cinco filhos. “Antes eu trabalhava só na roça para ajudar na renda de casa. Plantava macaxeira, principalmente. Depois que comecei na cooperativa a vida melhorou muito. Com a produção de geleia, doces e principalmente do pão caseiro de raízes, consigo uma renda melhor do que antes. Tem uma procura boa nas feiras, porque só trabalhamos com produtos saudáveis ”, avalia a cooperada.

 

Solução premiada

A solução Mulheres Protagonistas no Beneficiamento de Produtos Agroecológicos foi vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social de 2019, que identificou metodologias para o protagonismo feminino na gestão da produção agroecológica com a premiação especial Mulheres na Agroecologia. A Coopaal foi premiada com R$ 50 mil, destinados à expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da tecnologia social.

Outras duas tecnologias sociais também foram premiadas nesta modalidade em 2019. Em segundo lugar, a Associação Pitanga Rosa, de Chapecó (SC), recebeu R$ 30 mil pela metodologia Pitanga Rosa: agroecologia, saúde e qualidade de vida. Já o terceiro lugar ficou para o Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta), de Ibimirim (PE),  que recebeu R$ 20 mil pela tecnologia Programa Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável (Peads).

A premiação deste ano teve a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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