Olimpíada de Língua Portuguesa do Itaú Social e Ministério da Educação tem inscrições abertas até 30 de abril

Segundo dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), três em cada dez brasileiros são analfabetos funcionais: pessoas que, mesmo que saibam ler e escrever em níveis simples, têm dificuldade em assimilar e interpretar textos. Considerando que é na escola que a população tem acesso à aprendizagem de conceitos relacionados à Língua Portuguesa, o Itaú Social, juntamente com o Ministério da Educação (MEC), acaba de lançar a sexta edição da Olimpíada de Língua Portuguesa.

Com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a chamada destina-se à seleção e premiação de produções textuais de alunos do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio.

A iniciativa surgiu a partir do programa Escrevendo o Futuro. Criado em 2002 pelo Itaú Social, trata-se de um conjunto de ações de formação presencial e à distância, disponibilização de materiais com orientações pedagógicas e promoção da reflexão sobre práticas educativas para educadores.

“Toda a estratégia do programa Escrevendo o Futuro é para a formação de professores de Língua Portuguesa. No portal, há uma série de ferramentas, recursos pedagógicos, artigos, vídeos, orientação para o trabalho em sala de aula, percursos formativos e cursos online. Esperamos que ao se inscrever na Olimpíada, o professor receba esses materiais de orientação para realizar oficinas de escrita em sala de aula com os alunos”, explica Dianne Melo, especialista em programas sociais do Itaú Social.

As oficinas têm como objetivo proporcionar a vivência e prática dos alunos no gênero determinado para a sua série. A especialista ressalta que as sequências didáticas incluem desde a apresentação de textos de diferentes autores que pertencem ao gênero determinado para que adquiram familiaridade com o tipo de construção até a etapa ‘mão na massa’, onde os alunos vão de fato produzir seus próprios textos.

Dianne explica ainda que tanto o Itaú Social quanto o MEC aconselham que as oficinas em sala de aula sejam realizadas com todos os alunos da turma e não somente com aqueles que já têm familiaridade com a escrita. “Apesar de ser um concurso, a gente não busca talentos. Queremos que os professores façam as oficinas com todos em sala e que os textos selecionados sejam apenas um resultado desse trabalho coletivo”, reforça.

Reflexão sobre território

Desde quando a Olimpíada foi criada, o tema para as produções é “O lugar onde vivo”, escolhido para proporcionar que os alunos estreitem os vínculos com suas comunidades e aprofundem seus conhecimentos sobre a realidade local. “Esperamos que o aluno tenha um olhar crítico para o território onde vive, observando suas características, peculiaridades, fragilidades e potencialidades, para que possa usar esse texto como forma potente de comunicação”, afirma Dianne.

Segundo a especialista, a compreensão do mundo parte de entender o lugar onde a pessoa está inserida. Além disso, como trata-se de uma mobilização nacional, Dianne acredita ser um processo rico reunir textos falando sobre realidades de diferentes regiões do país. “Pensando desde as crianças pequenas, que vão olhar para os lugares, muitas vezes, a partir das suas características e brincar com as palavras para escrever poemas até os artigos de opinião do Ensino Médio, onde os estudantes trazem questões políticas e de cidadania, tratamos a educação sempre em uma perspectiva de desenvolvimento integral do aluno. Os conteúdos não estão somente dentro da escola, mas também fazem parte da cultura e de tudo aquilo que está implícito no território.”

Categorias

O gênero do texto está diretamente vinculado ao ano escolar para o qual o professor leciona. O 5º ano do Ensino Fundamental deverá produzir poemas. O 6º e 7º, memórias literárias. O 8º e 9º, crônicas. Já no Ensino Médio, enquanto o 1º e 2º anos devem explorar, pela primeira vez, o gênero documentário, o 3º ano trabalhará em artigos de opinião.

As oficinas a serem desenvolvidas em sala de aula poderão contar com o apoio da Coleção da Olimpíada que, a partir de cadernos virtuais, propõe uma metodologia que une os conteúdos que favorecem o desenvolvimento de competências de leitura e escrita e a produção de textos na perspectiva dos gêneros textuais.

Mesmo que os trabalhos e vivências das oficinas sejam desenvolvidos de forma interdisciplinar com envolvimento de diversos professores, um docente deverá ser o responsável pela turma.

Como se trata de uma iniciativa nacional, a seleção das produções será dividida em diversas etapas: escolar, municipal, estadual, regional e nacional.

Inscrições

As inscrições para a Olimpíada deverão ser feitas pelos professores até 30 de abril. Aqueles que lecionam em mais de uma unidade de ensino ou em mais de um ano podem se inscrever em diferentes categorias e mais de uma vez. Entretanto, vale ressaltar que a Secretaria de Educação à qual a escola está vinculada deve fazer a adesão aos termos da Olimpíada diretamente no site, também até 30 de abril.

Eventuais dúvidas devem ser esclarecidas no regulamento, pela central de atendimento (0800 771 9310) ou pelo e-mail olimpiada@cenpec.org.br.

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