Oportunidades e desafios do trabalho em rede foi o tema do 13° encontro da RIS Interior Paulista

No dia 12 de março, representantes de organizações do investimento social privado do interior paulista estiveram reunidos na sede da Fundação FEAC, em Campinas (SP), no 13° encontro da Rede de Investidores Sociais do Interior Paulista (RIS Interior Paulista).

O evento foi uma oportunidade de diálogo sobre as oportunidades e os desafios do trabalho em rede e como o compartilhamento de aprendizados e a soma de expertises e recursos na busca por objetivos comuns tem contribuído para ampliar o impacto de forma coletiva e facilitada pelas novas tecnologias de informação e comunicação.

O grupo contou com a presença de Célia Schlithler, consultora de desenvolvimento de grupos, redes e comunidades; Fábio Deboni, gerente-executivo do Instituto Sabin; e Milena Porrelli Drigo, da RedEAmérica.

Potência das redes

Entusiasta do tema ‘inovação social’ e escritor de diversos artigos, Fábio tem participado ativamente do engajamento de institutos e fundações no campo das finanças sociais e dos negócios de impacto.

O gerente-executivo do Instituto Sabin apontou três importantes elementos no debate dos desafios e da potência das redes: conceito e propósito, modus operandi e aspectos do dia a dia.

A partir de experiências como a do FIIMP (Fundações e Institutos de Impacto) – criado para experimentar diferentes instrumentos financeiros, conhecer organizações intermediárias e acompanhar resultados de investimentos em negócios de impacto socioambiental – e a da RIS Distrito Federal – que resultou em outras frentes como o Café Social e o Programa de Aceleração de Impacto Social (PAIS) -, Fábio ilustrou o potencial de diluir riscos e avançar em temas a partir do olhar de diversos atores trazido por esse modo conjunto de atuação.

Vínculos

Responsável pela ativação e desenvolvimento de mais de 30 redes e pela formação de centenas de facilitadores de grupos e de redes em todo o Brasil e na Argentina, Célia acrescentou ao debate elementos como propósito, efetividade e inovação.

Em relação às oportunidades desse modelo, a especialista salientou aspectos como a ampliação do potencial de ação, a multiliderança e as comunidades de aprendizagem.

Para Célia, na atuação em rede, autonomia e liberdade, empoderamento, auto-organização, corresponsabilidade, valorização da diversidade, generosidade, diálogo, cultura de paz e abundância de ações geram transformação social.

Para isso, é necessário: vínculos fortes de compromisso e confiança entre parte dos integrantes; vínculos de cooperação entre atores que querem/podem contribuir com os propósitos da rede; abertura permanente a novas conexões e a possibilidades de inovação; multiliderança valorizada e constante; abundância de ações de diferentes dimensões; intercomunicação, por canais adequados para a rede; encontros presenciais para refletir sobre o desenvolvimento da rede; estratégias de comunicação para mobilização; construção de conhecimento em rede; e celebração dos aprendizados e sucessos.

Territórios

Especialista em gestão e avaliação de programas de responsabilidade social e do terceiro setor, Milena Porrelli Drigo trouxe ao grupo a experiência da RedEAmérica – composta por mais de 80 organizações de origem empresarial em 14 países na América Latina e no Caribe – com o Fundo Comunidade em Rede (FCR). Uma iniciativa do Bloco Brasil da RedEAmérica, o FRC foi formado em 2012 com o objetivo de apoiar projetos territoriais coletivos, além de fortalecer as organizações de base por meio de processos participativos e inclusivos.

Entre os desafios que geraram aprendizados, Milena apontou: promoção permanente do diálogo entre os setores privado, público e social; construção coletiva e multiliderança; interação permanente entre todos os envolvidos (criação e gestão de canais de comunicação); avaliação e monitoramento dos projetos em rede; adequação às diferentes características das organizações de base; e criação de condições para as redes permanecerem em desenvolvimento.

Após a contribuição e debate com os especialistas, o encontro propiciou uma roda de conversa a respeito de desafios relatados pelos participantes em suas organizações e outras informações de interesse para o compartilhamento de experiências e aprendizado mútuo.

Próximos passos

Duas agendas estão no horizonte da atuação do grupo em 2020: a 1ª Mostra GIFE de Inovação Social, em Campinas, e o 11º Congresso GIFE – Fronteiras da Ação Coletiva.

A expectativa de levar a 1ª Mostra GIFE de Inovação Social para o interior paulista com um investimento conjunto por parte dos membros da Rede e apoio do GIFE foi apresentada e debatida pelo grupo ainda em 2019. A sugestão é realizar o evento no Shopping Iguatemi Campinas no segundo semestre deste ano. A iniciativa requer ainda uma ação de comunicação do evento junto à imprensa local e ao público da região.

Já no âmbito do 11º Congresso GIFE – Fronteiras da Ação Coletiva, que deve acontecer de 5 a 7 de agosto, a Rede pretende realizar uma atividade. Os formatos incentivados pelo GIFE são diálogos, dinâmicas e metodologias com formatos participativos, bem como disseminação de cases e experiências que se relacionem de alguma forma com o tema do Congresso.

A agenda de reuniões da RIS Interior Paulista prevê mais cinco encontros em 2020. O próximo está previsto para 4 de junho com o tema “Formação Panorama ISP”.

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