Panorama aponta cenário do câncer infantojuvenil no Rio de Janeiro

Cerca de 14 mil crianças e adolescentes morreram por câncer no Brasil de 2009 a 2013, sendo a doença que mais mata no país. Apenas no estado do Rio de Janeiro foram registrados 1010 óbitos nesse período, o equivalente a quatro mortes infantis por semana. Essas informações fazem parte da quarta edição do Panorama da Oncologia Pediátrica, uma realização do Instituto Desiderata, INCA e Fundação do Câncer.

“A informação é fundamental para melhores práticas de planejamento e de gestão da saúde pública. Buscamos reunir e disseminar conhecimentos que apoiem a análise dos desafios a serem superados no diagnóstico precoce e também para qualificar o tratamento dos pequenos pacientes”, destaca Roberta Marques, diretora do Instituto Desiderata.

Entre os registros de novos casos de câncer em crianças e adolescentes de 2009 a 2013, 8% das crianças (0 a 14 anos) e 15% dos adolescentes (15 a 19 anos) foram tratados em hospital não habilitados em oncologia pediátrica, não tendo acesso ao tratamento conforme orientação do Ministério da Saúde, que indica salas de quimioterapias específicas para esses pacientes, oncologistas pediátricos e um protocolo de tratamento específico. Outro desafio encontrado foi o baixo registro de algumas variáveis, apontando para a necessidade de entender a origem do problema: se não há informação ou é difícil capturá-la.

Já em termos de estado da doença ao final do primeiro tratamento, 42% das crianças e dos adolescentes não apresentavam mais o câncer, enquanto 10% foram a óbito. Já 20% estavam estáveis e 16% apresentavam progressão da doença. Sobre o tempo, item crucial na luta contra o câncer infantojuvenil, 89% dos que apresentaram tumores hematológicos tiveram intervalo de até 15 dias da primeira consulta até o diagnóstico, enquanto apenas 51% dos que tiveram um tumor sólido tiveram um diagnóstico no mesmo período.

Observa-se ainda que o percentual de crianças e adolescentes que espera por mais de 60 dias entre a primeira consulta e o diagnóstico é seis vezes maior entre as crianças que apresentaram tumores sólidos, evidenciando uma possível dificuldade de acesso ao diagnóstico para estes tipos de tumores.  Os intervalos de tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento mostram uma realidade similar: 86% das crianças e adolescentes têm o tratamento iniciado até 15 dias após o diagnóstico, enquanto apenas 61% dos acometidos por tumores sólidos iniciam o tratamento neste período

“Diante dos dados apresentados, torna-se necessário criar estratégias para solucionar problemas. Como adequar a atual infraestrutura existente, implementar linhas de cuidado específicas para crianças e adolescentes e qualificar a rede de atenção à saúde para o controle desse tipo de câncer com foco no paciente e em seu tratamento em tempo hábil são alguns dos desafios”, finaliza Roberta.

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