Programa capacitará pequenos empreendedores na criação de soluções na área de habitação voltadas a comunidades vulneráveis

Uma aposta na atuação em rede para desenvolver a oferta de produtos e serviços ligados ao setor de habitação para a melhoria da qualidade de vida de populações em situação de vulnerabilidade social e econômica. Essa é a ideia que está por trás do programa HousingPact.

A iniciativa reúne empresas comprometidas com a inovação e líderes nos mercados de alimentação, habitação e construção: BASF, Duratex, HM Engenharia, InterCement, Instituto InterCement, Tetra Pak e Fundação Espaço ECO.

O objetivo da aliança se dá por meio do desenvolvimento e aceleração de pequenas empresas e startups voltadas a esse público. A primeira turma de empreendedores foi selecionada via chamada pública realizada no final de agosto.

“Aprendemos com o Programa Vivenda que, além de ser um mercado desatendido, essas famílias, atualmente, pagam o ‘pedágio da pobreza’ pelos produtos e serviços existentes. Identificamos junto às demais empresas da cadeia da construção civil que podemos inovar e criar produtos e serviços mais adequados e eficientes para esses potenciais clientes”, explica Carla Duprat, diretora do Instituto InterCement.

“Atuar na mitigação desse problema, que é majoritariamente urbano, colabora para a diminuição de diversos desafios sociais relacionados a sub-moradias, como, por exemplo, doenças derivadas da falta de saneamento básico”, observa Rafael Viña, gerente da Fundação Espaço ECO.

Cenário

Atualmente, mais de 12 milhões de pessoas vivem em comunidades vulneráveis, sendo que 89% deste total, cerca de 10,6 milhões, estão concentrados em grandes centros urbanos. Junta, essa população supera o número de habitantes de nove das dez capitais mais populosas do Brasil.

Pesquisas revelam que quase um terço desse número deseja empreender e que ao menos 3,4 milhões de pessoas desse contingente têm a intenção de investir na melhoria de suas moradias.

Frente a esse cenário, o HousingPact visa melhorar as habitações dessas comunidades, de forma a impactar positivamente na experiência de moradia dessa população. O projeto tem ainda o potencial de fortalecer a cadeia estendida ligada ao setor da habitação que, eventualmente, já faz parte da própria comunidade.

Para Carla, o principal desafio da iniciativa está em criar um ecossistema com capacidade de incidir positivamente na vida da população da comunidade do Jardim Ibirapuera, onde será realizado o projeto piloto do programa.

“Enquanto o déficit de moradias no Brasil chega a seis milhões de domicílios, o número de habitações com condições vulneráveis é muito maior, próximo a 11 milhões. Nosso objetivo é tornar o HousingPact escalável, transformando-o em um ecossistema de impacto voltado a novos negócios de habitação em comunidades periféricas, inclusive em outros países.”

A vantagem desse modelo de investimento social privado, na avaliação da diretora do Instituto InterCement, é o alinhamento ao core do negócio e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 10 e 11, que se referem à redução das desigualdades e às cidades e comunidades sustentáveis. “Outra vantagem é fazer em conjunto, alavancando o investimento social privado, engajando outros setores de inteligência e com base na inovação”, acrescenta.

Etapas do programa

Os 15 empreendimentos locais da comunidade e startups selecionadas serão capacitados para criar ou ampliar uma gama de produtos e serviços que atenda às necessidades desse público, seja via crédito, reforma, construção, móveis, infraestrutura ou outras soluções.

Entre a chamada pública, a aceleração dos selecionados e a implementação dos projetos, o programa terá duração de um ano e será realizado na comunidade do Jardim Ibirapuera, em São Paulo.

A fim de identificar os temas voltados à jornada da habitação do morador de baixa renda local, a Fundação Espaço ECO realizou um estudo de percepção, a partir de 40 entrevistas presenciais, para melhor entendimento da demanda em todos os aspectos da população selecionada e diagnóstico das etapas, que contemplarão, desde a construção e aquisição dos materiais, passando pela compra de equipamentos, como eletrodomésticos, até a contratação de serviços e manutenção de áreas públicas. 

As startups que se destacarem nos critérios de maturidade em gestão e potencial de impacto receberão um investimento semente destinado à tração do negócio e, consequentemente, ao aumento do impacto esperado. Além disso, os empreendimentos receberão um módulo de aceleração avançada customizado às suas necessidades. Essa etapa inclui mentoria e programa de ensino imersivo em formato de workshop e atividades práticas, como intercâmbio com as equipes das empresas apoiadoras e desenvolvimento ou aprimoramento dos projetos aplicados na prática junto à comunidade.

Todo o processo de aceleração e interação com as startups será conduzido pela ImpactHub.

“Também temos a intenção de sistematizar os passos para replicação e atuação em rede entre empresas, startups, academia, institutos e fundações, enfim, poder inspirar outras iniciativas colaborativas que exigem soluções complexas e inovadoras”, afirma Carla.

“A iniciativa tem grande potencial, principalmente, para atuar onde o olhar do poder público ainda não chegou. Como consultoria para sustentabilidade, a Fundação Espaço ECO identifica os impactos gerados sob a ótica da sustentabilidade para cocriar soluções para esses desafios. Ao trazer a aliança de várias empresas, um diagnóstico da comunidade e uma seleção direcionada para negócios que conhecem a realidade da demanda, a resolução do problema se torna mais tangível”, completa Rafael.

Notícias relacionadas

Apoio institucional