Os dados da atuação de investidores sociais no enfrentamento aos impactos da pandemia

Colaboração e grantmaking foram as estratégias mais presentes nas iniciativas fomentadas por investidores sociais no enfrentamento à pandemia
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*Esta reportagem integra a Série Conhecimento Emergência, uma sequência de textos destinados a explorar cada um dos artigos e estudos produzidos no âmbito do eixo 5 (Apoio ao acompanhamento e análise do conjunto das ações mobilizadas) da iniciativa Emergência Covid-19, do GIFE.

78% das organizações brasileiras atuaram destinando recursos financeiros para ações de combate à pandemia, a maior parte delas gerindo, mobilizando, direcionando ou aportando investimentos de origem empresarial. Metade delas realocou recursos de outros projetos para iniciativas de enfrentamento à Covid-19. Os dados fazem parte da Pesquisa Emergência Covid-19: levantamento de dados e informações da resposta da filantropia e do investimento social privado no enfrentamento à pandemia.

O estudo foi elaborado com o objetivo de coletar dados e informações sobre as doações, a origem dos recursos e as principais estratégias de alocação utilizadas por investidores sociais para enfrentar os desafios impostos pelo cenário atual.

Os dados do Censo GIFE 2018 e do Monitor de Doações COVID-19, realizado pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), foram utilizados como referência para compreender a dimensão dos números e também para analisar a intensidade e características da atuação da filantropia institucional ao longo de 2020.

Resultados

Em 2018, o total do investimento reportado pelo Censo GIFE foi de R$ 3,25 bilhões, enquanto o total indicado na Pesquisa Emergência Covid-19 foi de R$ 3,1 bilhões. Os números mostram um provável aumento do volume total de investimento da filantropia institucional em 2020, a ser detalhado e especificado pela próxima edição do Censo (2020).

Os dados apurados pela pesquisa indicam que 59% das organizações implementaram estratégias de apoio e repasse de recursos a terceiros, enquanto 50% desenvolveram iniciativas próprias. O fato de o repasse a terceiros ter sido citado como estratégia mais utilizada do que o desenvolvimento de projetos próprios é uma novidade no histórico de atuação do setor, o que parece indicar uma atuação emergencial com mais prevalência de grantmaking quando comparada à atuação regular. 

Ainda que o Censo GIFE 2018 já mostrasse que 71% dos respondentes realizaram iniciativas de colaboração, os números apresentados no infográfico da pesquisa, somados a outras fontes consultadas, indicam que esse tipo de iniciativa foi aprimorada e ganhou novas formas no período de resposta emergencial, ampliando diversidade, intensidade, formatos, arranjos e mecanismos e, especialmente, foram prioridade como premissa estratégica para as organizações.

Saiba mais sobre a atuação de investidores sociais no enfrentamento à pandemia

A pesquisa completa pode ser acessada aqui.

As outras reportagens da série podem ser conferidas nos links:

Livro reúne experiências e aprendizados da filantropia e do investimento social na pandemia

–  O que a Pandemia nos Contou sobre Doar;

–  Uso de Dados do Setor Social: Aprendizados na Pandemia e Caminhos para a Interoperabilidade;

–  O papel e o protagonismo da sociedade civil no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil;

Transparência e prestação de contas ainda são desafios para doadores e organizações, aponta estudo;

Filantropia Corporativa no Brasil: Uma Análise das Doações Empresariais em Meio à Pandemia da Covid-19.

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