FTD Educação e CEDAC lançam livro sobre projeto de incentivo à leitura

Em 2013, a FTD Educação, em parceria com a Comunidade Educativa CEDAC, lançou o projeto “Pequenos Leitores”. Cinco anos depois, no dia 20 de setembro, a iniciativa ganhou um marco importante: o lançamento do livro “Pequenos Leitores: Um projeto de formação de educadores para a garantia do direito à literatura desde a primeira infância”.

O evento aconteceu na sede da FTD Educação, em São Paulo, e convidados puderam compreender um pouco mais sobre a ação, que tem como objetivo criar condições para que crianças tenham o direito à literatura garantido desde a primeira infância ao promover a ampliação da rotina de leitura nas escolas municipais de Educação Infantil. Para cumprir essa missão, o projeto tem como foco a formação de profissionais que trabalham com alunos de três a cinco anos.

Segundo Idathy Munhoz, diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO) da FTD Educação, o objetivo da publicação é compartilhar a metodologia do “Pequenos Leitores”. “Nós trabalhamos com prefeituras pequenas na maioria das vezes. Por isso, tínhamos o desejo de socializar o processo para que outras pessoas, educadores, escolas e comunidades pudessem ter acesso a essa metodologia e aplicá-la em suas localidades”, explica.

Pamela Ribeiro, coordenadora de investimento social da FTD Educação, ressalta que o livro foi uma forma que os parceiros encontraram de sistematizar os inúmeros aprendizados que o projeto possibilitou ao longo de seis anos. “No ano passado, começamos a rever a matriz de avaliação do projeto, justamente para tentar captar essas aprendizagens, entender onde poderíamos evoluir e melhorar, pelo fato de a ação ter atingido um estágio de maturidade. Com isso, veio o desejo de sistematizar essa metodologia que percebemos, ao longo dos anos, ser muito efetiva. Temos conseguido realmente transformar a questão da leitura na educação infantil nos municípios por onde passamos.”

O projeto Pequenos Leitores

A formação oferecida pelo projeto não se restringe aos professores e envolve também a equipe pedagógica e técnica das Secretarias Municipais de Educação, bem como coordenadores pedagógicos e diretores de escolas. Isso porque um dos pilares da iniciativa é mobilizar diversos atores para mudar a realidade de determinada escola, fazendo com que todos se engajem e participem da ação.

Com duração de dois anos, a formação baseia-se em atividades presenciais e à distância comandadas por profissionais do CEDAC e tem como objetivo central mostrar aos envolvidos a importância da leitura no desenvolvimento da criança, a valorização de planos de leitura em sala de aula e das medidas a serem tomadas por escolas e municípios visando à garantia da leitura literária, direito de todas as crianças.

Pamela explica que os dois anos são divididos em dez ciclos, cinco em cada ano. O primeiro ano é organizado com um ciclo destinado à pactuação, ou seja, a conversa inicial para explicar o funcionamento do projeto e as responsabilidades de cada parte envolvida, seguida de três ciclos intensivos de formação e, para fechar o ano, um ciclo de avaliação dessa primeira parte. No segundo ano, o primeiro ciclo é destinado à repactuação.

“A partir dos resultados e dos aprendizados do primeiro ano, a gente repactua algumas coisas com o município e então fazemos três ciclos de formação e um último de avaliação final do projeto. Esses processos de pactuação e repactuação são super importantes para garantir o comprometimento e engajamento do município. Nós colocamos as regras às claras, dialogamos, apresentamos as dificuldades e os problemas no projeto e assim podemos construir soluções em conjunto. É um processo bastante participativo”, ressalta.

Em seis anos, o projeto envolveu mais de 400 educadores e impactou quase nove mil crianças de cinco municípios do estado de São Paulo (Pratânia, Itatinga, Ferraz de Vasconcelos, Lagoinha e Mongaguá).

Apesar do foco do projeto ser o incentivo à formação leitora desde a primeira infância, os mecanismos encontrados pela FTD e CEDAC para atingir esse objetivo também têm impacto sobre os adultos envolvidos no processo. “Um dos pontos que trabalhamos bastante é que o professor volte a ser um bom leitor. Incentivamos esse desejo de leitura nos adultos para que eles possam levar essa vontade de ler e essa gratidão de ter conhecimento por meio do livro para as crianças”, ressalta Idathy.  

Mas como é possível evitar que o trabalho se perca com o fim das formações ou com a mudança de representantes do governo? Segundo Pamela, o segredo é trabalhar com o Projeto Político Pedagógico (PPP) das Secretarias de Educação e com os Planos Políticos Pedagógicos das escolas.

“Trabalhamos as questões relacionadas à leitura dentro do PPP junto com a Secretaria de Educação e, junto às escolas, trabalhamos com diretores e coordenadores pedagógicos mais voltados ao plano pedagógico, sempre de forma vinculada à questão da leitura. Tudo isso para concretizar, institucionalizar e deixar um legado naquele município, para que essas práticas continuem. Então troca secretaria, troca equipe técnica e o legado permanece, independente das pessoas terem passado pela formação do projeto ou não.”

A obra

A publicação apresenta com mais profundidade o projeto “Pequenos Leitores”, incluindo suas concepções, metodologia, sistema de avaliação e resultados. O livro foi escrito por profissionais envolvidos no projeto, como as responsáveis pela formação de professores, e convidados externos, como a educadora argentina Délia Lerner, especialista em avaliação educacional infantil.

O livro tem nove capítulos. Cada um contém dicas e reflexões sobre possíveis caminhos a serem seguidos para profissionais da Educação Infantil ou formadores de professores que desejam ingressar ou se aprofundar na área da leitura e usá-la como ferramenta de aprendizagem.  

Além disso, traz textos e análises sobre diversos aspectos dentro do tema maior tais como a leitura como direito, o estado atual das políticas públicas de leitura, a importância de começar a formação leitora na educação infantil, o papel da mediação na formação de leitores e a potência da constituição de uma Comunidade de Leitores na escola.

Novo edital

No dia 14 de setembro, a FTD Educação e a Comunidade Educativa CEDAC lançaram a quarta edição do projeto “Pequenos Leitores”.

As regras permanecem as mesmas. Podem participar da seleção municípios que, por meio da Secretaria de Educação, atendam a crianças entre três e cinco anos, estejam a no máximo trezentos quilômetros da cidade de São Paulo, tenham no máximo 160 professores que atuem com essa faixa etária, tenham no mínimo oito horas mensais destinadas à formação continuada de professores e diretores e 24 horas para coordenadores e técnicos da Secretaria, entre outros requisitos.

O processo de seleção será realizado em quatro etapas. A primeira consiste na triagem de inscrições, seguida da avaliação dos municípios inscritos por representantes da FTD, da CEDAC e especialistas em Educação Infantil e leitura. A terceira etapa marca a entrevista por telefone com responsáveis legais indicados pelo município. Por fim, a quarta etapa selecionará até dois municípios que receberão a formação em 2019 e 2020.

A lista com os selecionados será divulgada em dezembro. As inscrições podem ser realizadas até 31 de outubro a partir do preenchimento do formulário disponível neste link. Todas as regras sobre o projeto estão disponíveis no regulamento.  

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