Rede temática de leitura avança e projeta 2018

O final do ano é sempre um momento de fazer um balanço das ações desenvolvidas ao longo do tempo que passou e planejar o que será desenvolvido no ano que se inicia. Com esse objetivo, aconteceu, no dia 14 de dezembro, a última reunião de 2017 da Rede Temática de “Leitura e Escrita de Qualidade para Todos” (LEQT) do GIFE.

Em 2017, foram diversos os progressos da Rede quanto às pautas estabelecidas em conjunto. Para relembrar, a Rede LEQT divide sua atuação em duas frentes principais: o Grupo de Trabalho (GT) Indicadores, que tem como objetivo identificar, formular e divulgar indicadores que permitam a avaliação de práticas de promoção de leitura e também dos próprios esforços da LEQT; e o GT Território, que é responsável pelo desenvolvimento de uma ação coletiva em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

O encontro teve como objetivo compartilhar com todos os membros da Rede os avanços dessas ações. Mônica Franco, superintendente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), onde a reunião foi realizada, deu início aos trabalhos comentando sobre o cenário preocupante encontrado no Brasil referente ao tema de leitura.

A ex-diretora de formulação de conteúdos educacionais da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) falou sobre o índice de analfabetismo no Brasil entre adultos que, apesar do progresso, ainda é alto. “Adultos não alfabetizados são pais das crianças que estão na escola. É comprovado que pais letrados fazem a diferença na vida dos filhos. O analfabetismo é um desafio histórico no Brasil e eu acredito que só conseguiremos superá-lo se atuarmos em rede, com pesquisas e ações conjuntas”.  

Em seguida, foi realizado um momento inspiracional, com uma dinâmica de leitura de trechos de pensamentos de Paulo Freire. A rede aplaudiu a decisão da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado de manter o título de Patrono da Educação Brasileira concedido ao educador e filósofo.  

A primeira pauta do dia foi uma atualização sobre o avanço da elaboração dos indicadores ligados à promoção de leitura. Ana Lima, sócia da Rede Conhecimento Social e membro da coordenação da RT, contou aos participantes sobre a idealização, elaboração e o período de testes dos indicadores.

Segundo a consultora , o conjunto de métricas foi criado com a possibilidade de ser replicado e utilizado por diversas organizações. “A ideia não era criar algo engessado, mas um grupo de indicadores que cada organização pudesse remontar de acordo com a natureza de seus projetos e programas. É um movimento de ter métricas e indicadores em comum para o campo da leitura, para fortalecer o diálogo com outros espaços, como o poder público e a mídia, para dar visibilidade às ações”.

Em setembro, foi realizada uma leitura crítica da primeira versão dos indicadores a partir do relatório de pesquisa “Protótipo dos Indicadores de Qualidade em Projetos de Promoção da Leitura”. Essa versão foi montada a partir de uma revisão bibliográfica e de 13 entrevistas com instituições que compõem a Rede LEQT, no sentido de organizar e entender o propósito dos indicadores que já existiam dentro do grupo. Segundo Ana Lima, depois desse primeiro momento de contato, os indicadores permaneceram os mesmos, com alterações em sua organização.

Durante o encontro, Ana explicou que, atualmente, são três esferas a serem avaliadas: a escola; as bibliotecas públicas (incluindo as instaladas em espaços públicos); e as bibliotecas comunitárias e suas ações; todas as esferas incluem os espaços, políticas e iniciativas vinculadas a elas. Já as dimensões subdividem-se em cinco: política, estrutura, formação de profissionais e mediadores em leitura, práticas de promoção da leitura e mudanças.

Para cada indicador, há uma descrição, forma de cálculo e fonte de origem dos dados a serem coletados. A partir de toda essa estruturação, o GT Indicadores tem algumas ideias para o ano que vem, como a aplicação dos indicadores entre os membros da RT como uma última revisão e a implementação efetiva em um território, no caso, em Nova Iguaçu. Além disso, também existe a proposta de analisar um outro conjunto de indicadores não relacionados à leitura, com o objetivo de avaliar a ação em rede e medir o impacto coletivo.

LEQT em Nova Iguaçu

O segundo tema da pauta foi a atuação da LEQT em Nova Iguaçu, município do Rio de Janeiro. Iracema Nascimento, consultora de articulação da rede, e Elaine Pinheiro, da ONG Recode, ficaram responsáveis por fazer uma retomada e apresentar os avanços dessa frente.

O primeiro ponto levantado foi a decisão da LEQT em basear suas ações em Nova Iguaçu a partir do apoio à implementação do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PMLLLB) do município, aprovado em 2014. Com 20 metas (11 de curto prazo, cinco de médio e quatro de longo), os atores locais selecionaram seis que esperam a contribuição da rede.

Uma delas, que já está em estágio avançado, é a criação de um Setorial de governança do plano, formado por representantes que participaram de sua construção e que vão monitorar sua implementação. Com essa medida, o Setorial passa a ser o interlocutor da LEQT em Nova Iguaçu no lugar da Recode, que propôs a atuação da rede nesse território.

Elaine destacou que a LEQT ganhou visibilidade por congregar diversas organizações e institutos. “Os representantes locais atuam muito em diálogos com empresas. Então um grupo formado por instituições foi muito acolhido”. Além disso, a especialista destacou que a repriorização, ou seja, a escolha das seis ações que o território espera contar com a ajuda da LEQT, foi feita a muitas mãos, a partir de muito diálogo. Iracema completou ao afirmar que a vinda de algum representante do Setorial para participar das reuniões da rede em São Paulo em 2018 será apoiada pela Recode.

Já Monica Silva, da Rede Baixada Literária, ficou responsável por trazer aos participantes um pouco da vivência no território. A coordenadora comentou que, mesmo com três anos da aprovação do PMLLLB, a maioria das ações foi realizada pela sociedade civil e não pelo poder público. Mônica dividiu com a rede que, em um seminário realizado no dia 12 de dezembro com o objetivo de justamente celebrar os três anos da aprovação do plano e fazer um balanço da sua implementação, levantou-se a necessidade da atuação do poder público.

O momento também foi dedicado à discussão da meta de criação de editais que contemplem lançamentos de livros, ações culturais em bibliotecas, manutenção e serviço de bibliotecas e aquisição de bens. Nesse sentido, surgiu a ideia de apoiar instituições que já promovem seus editais e também ajudar a sociedade civil de Nova Iguaçu a elaborar projetos que possam ser inscritos nessas chamadas.

Sobre a contribuição das organizações com as seis metas, foi levantada a possibilidade de cada instituição colocar em seu planejamento a doação de tempo e empenho de conhecimentos para trabalhar com a atuação no Rio de Janeiro.

Governança da Rede LEQT

O último encontro do ano também foi um momento para discutir a governança do grupo.

Pamela Ribeiro, coordenadora de Responsabilidade e Investimento Social da FTD Educação, explicou que, atualmente, a RT conta com uma “assembleia de membros” de 63 organizações. Além dessa esfera, há a coordenação, formada por cinco instituições: o GIFE, como membro fixo; a Rede Conhecimento Social, representada por Ana Lima; o Instituto C&A, representado por Patrícia Lacerda; a Fundação Itaú Social, representada por Dianne de Melo, e a FTD Educação, representada por Pamela.

A proposta apresentada é a formação de um conselho consultivo para a LEQT. “O papel desse conselho seria ampliar o debate e tornar as conversas da coordenação mais plurais, além de dar suporte a ela. Não tem um papel deliberativo e sim consultivo”, comentou Pamela. Segundo a especialista, a ideia é que nove instituições ou pessoas formem o grupo dentro de sete grandes segmentos, entre eles: cadeia criativa, cadeia produtiva, biblioteca pública e escolar, promoção de leitura, entre outros.  

A proposta é que sejam duas reuniões por ano, com pautas construídas em conjunto e que, depois da formação do conselho, ele ajude a renovar a coordenação. Ana Lima e Pamela defenderam que trata-se de possibilitar a pluralidade de ideias, já que as decisões são tomadas, em muitos casos, pelas pessoas que compõe a coordenação.

Agendas e saberes compartilhados

Atuar em rede remete ao fortalecimento das instituições membros. Para que isso de fato aconteça, um dos caminhos possíveis é o compartilhamento de boas práticas e conhecimentos. Um dos momentos da reunião foi dedicado à proposta de criar uma agenda comum com as atividades internas dos membros do grupo.

Segundo Iracema, essa demanda surge a partir da vontade que muitas organizações têm de aprenderem com as outras. “Existe um desejo de alguns membros da rede de se conhecerem mais, saber o que o outro faz. Sempre tem muita organização nova entrando, pessoas que mudam de institutos, organizações que já eram membros e começam novos projetos. A ideia é que abram-se algumas vagas de formação interna das organizações para membros da rede”, explicou.

A discussão, assim como todas as pautas, foi aberta ao participantes, que trouxeram novas ideias. Patrícia Lacerda, gerente de Educação do Instituto C&A, propôs que membros da LEQT possam representar a rede em eventos. Além dessa, também foi levantada a ideia de realizar seminários temáticos em 2018, levando em consideração as expertises das organizações, assim como o convite à pessoas externas, com o objetivo de contribuir publicamente com o debate.

Iracema aproveitou o momento para destacar que o fato da rede realizar atividades continuamente está servindo como uma chamativa às instituições membros. “Nos encontros, as organizações que não podem participar têm justificado a ausência. Hoje, por exemplo, das 22 organizações inscritas, as 22 estão presentes”.

GT Comunicação

A formação de grupos de trabalho, os chamados GTs, deu certo. Por isso, essa é uma prática recorrente da rede: dividir assuntos em grupos de organizações e instituições que têm mais afinidade com o tema.

Com uma atuação tão forte e consolidada, chegou o momento da Rede Temática escolher um logo para representá-la. A discussão foi trazida pelo jornalista e designer Eduardo Freire, da Biblioteca Espaço Alana, que faz parte do GT Comunicação. Ele ficou responsável por elaborar uma logomarca da rede, com uma identidade visual que transmitisse os anseios do grupo. A rede analisou as propostas apresentadas, mas ainda não chegou a um consenso. A proposta é definir em 2018.

LEQT no Congresso GIFE 2018

Erika Sanchez, gerente de Programas do GIFE, apresentou também durante a reunião a proposta  do Congresso GIFE 2018. Realizado a cada dois anos, o tema da décima edição, que será realizada em abril, é “Brasil, democracia e desenvolvimento sustentável”.

Segundo a gerente, a ideia é que membros da rede proponham atividades na programação aberta do evento, que pode receber propostas de atividades de associados, parceiros, OSCs, entre outros atores. Uma das possibilidades é que a LEQT participe discutindo o tema atuação em rede, seus motivos de celebração e seus desafios.  

Os momentos finais da reunião foram destinados a uma confraternização e à apresentação de projetos de três organizações. A TV Globo apresentou o “Assista a esse livro”; o Instituto Natura contou mais sobre o projeto “Trilhas”; e o Cenpec ficou responsável por fechar a programação com a apresentação do programa “Alfaletrar” e da revista “Na ponta do lápis” número 30.

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