Fundação Grupo Boticário lança documentários que apontam a importância da preservação ambiental

No dia 11 de setembro, comemorou-se o dia do Cerrado, considerado a savana mais rica do planeta e o berço das águas do Brasil. Como forma de homenagear esse bioma que ocupa 22% do território nacional, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza lançou o documentário “A história depois do fogo”.

O filme retrata a Segunda Expedição Biodiversidade na reserva natural Serra do Tombador, localizada em Cavalcante, Goiás, realizada em fevereiro deste ano. Durante dez dias, doze especialistas da Fundação, da Universidade Federal de Viçosa, da Universidade Federal de Goiás e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) estudaram o local e coletaram amostras a fim de compreender os impactos e como a fauna e a flora local se comportam em situações de incêndio. Em outubro de 2017, 85% da área foi atingida pelo fogo.

Segundo Melissa Barbosa, coordenadora de comunicação e relacionamento da Fundação, o objetivo de realizar a segunda expedição na reserva foi entender o impacto da queimada na biodiversidade local e dar início a um processo de monitoramento da resposta desse bioma, o segundo maior da América do Sul. Para isso, foram selecionados para estudo répteis, anfíbios, pequenos mamíferos não voadores, aves e formigas, animais que respondem com mais rapidez a distúrbios ambientais. O grupo também coletou amostras da vegetação de áreas impactadas e não impactadas para acompanhar a mudança de sua estrutura e composição após as queimadas.

“Em longo prazo, queremos entender qual é o processo de regeneração desse ecossistema, como a flora e a fauna se comportam no cenário pós-fogo, quais espécies são mais sensíveis, quais são mais resistentes e conseguem se recuperar mais rapidamente. É importante ter esse mapeamento porque o fogo no Cerrado é uma realidade.”

“A história depois do fogo” deve ser utilizado ainda para conscientizar a população sobre os riscos e o impacto do uso do fogo como ferramenta, considerando que a região já passa por períodos de seca caracterizados por pouca chuva, baixa umidade do ar, ventos fortes e calor intenso, condições favoráveis para queimadas naturais. “Independente da origem do fogo, o estudo é importante para avançarmos nas estratégias de prevenção”, explica Melissa.

O Poema Imperfeito

A Fundação também patrocinou o documentário “O Poema Imperfeito”, produzido pelo Instituto Pró-Carnívoros a partir do livro homônimo de Fernando Fernandez, professor do departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

O filme, que tem duração de quarenta minutos, tem como objetivo mostrar que a destruição da natureza não é um fenômeno recente. Ao contrário, mostra que a extinção de espécies começou quando o homem saiu do continente africano e começou a exploração do mundo, contribuindo para a degradação ambiental.

Divulgado em maio no YouTube, o documentário mostra animais que não existem mais na natureza. Um dos pontos positivos da obra, segundo Melissa. “Quando a Zulmira Coimbra, diretora do filme, nos procurou com a ideia, achamos muito pertinente. O filme fala sobre o quanto o homem interfere na dinâmica da natureza e é uma grande missão nossa inspirar as pessoas a cuidar e proteger o meio ambiente e aprender com o passado. Temos um histórico muito grande de extinções das mais diversas espécies e, se não cuidarmos dos nossos ecossistemas, vamos continuar nesse caminho.”

Para exemplificar, Melissa cita o pombo passageiro, uma das aves mais abundantes do planeta, com população original estimada em três bilhões. “Eram quilômetros de nuvens de aves. Ninguém achava que iam se extinguir, pelo contrário, era uma espécie muito volumosa, mas que hoje está extinta. Quantas espécies já passaram por esse processo?”, reflete.

Para a coordenadora, possibilitar esse contato com animais que não existem atualmente na natureza contribui para a missão de conscientizar sobre a necessidade imediata de mudança de costumes e preservação de biomas. “Usar o storytelling para trazer um tema triste como a extinção de espécies pode ser uma forma de realmente engajar o público a pensar sobre qual caminho vamos seguir se não conseguirmos frear a perda desenfreada de habitats naturais e o comércio ilegal de espécies silvestres, por exemplo.”

Impacto do audiovisual

Trabalhar com documentários é uma prática recorrente da Fundação Grupo Boticário. Isso porque a ferramenta, segundo Melissa, serve para aproximar realidades que muitas vezes estão distantes, somente na imaginação das pessoas.

“O cerrado e a nossa reserva ficam muito distantes de uma área urbana. Mostrar o dia a dia, o impacto do fogo ou até como funciona a expedição e como os pesquisadores trabalham nessas coletas foi a forma como conseguimos aproximar essa realidade. A pessoa que nunca visitou o cerrado consegue vivenciar essa experiência com o audiovisual.”

Além disso, ambos os documentários, sobretudo “O Poema Imperfeito”, também podem ser usados em sala de aula por professores que desejam iniciar discussões sobre sustentabilidade e preservação. “Hoje em dia, estamos cada vez mais acostumados a consumir informação de forma dinâmica. Qualquer professor pode passar o documentário em sala e iniciar uma discussão. O audiovisual torna-se uma ferramenta mais versátil, capaz de impactar muito mais gente”, explica Melissa.

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