GIFE lança Rede Temática de Gestão de Pessoas do Setor Público

A percepção de que incidir na gestão pública é fundamental para os resultados da atuação do Investimento Social Privado (ISP) no Brasil e de que os principais desafios colocados pela agenda se relacionam com a gestão de pessoas no setor deu vida a mais uma Rede Temática (RT) do GIFE.

O lançamento da Rede Temática de Gestão de Pessoas do Setor Público, realizado na última sexta-feira (06 de julho), na sede da Fundação Lemann, em São Paulo, reuniu representantes de diversas fundações, institutos e empresas associados e não associados ao GIFE com o propósito de identificar sinergias e interações entre investidores sociais interessados no fortalecimento da gestão pública por meio da qualificação do funcionalismo e do fortalecimento de lideranças.

De acordo com dados do último Censo GIFE, lançado no final de 2017, 71% das instituições entrevistadas estabelecem parcerias com órgãos públicos e 45% desenvolvem ações de formação de gestores ou servidores públicos. Entre as motivações para a escolha deste tipo de parceria destacam-se o aumento de escala e impacto e o aumento da chance de continuidade das políticas.

Gustavo Bernardino, coordenador de Políticas Públicas do GIFE, relatou uma percepção de tendências e inovações tais como maior apoio do ISP ao fortalecimento de áreas meio da gestão pública, além da avaliação do investidor social acerca da importância da aproximação com a gestão pública local para a execução dos projetos.

O que o Investimento Social Privado pode fazer por…

Uma das frentes de trabalho do GIFE se dedica ao aprofundamento da relação do investimento social com temas fundamentais da agenda do país nos quais a presença do setor ainda é menor. Neste sentido, a instituição promoveu uma rodada de oficinas no X Congresso GIFE, realizado em abril deste ano, sob o mote “O que o Investimento Social Privado pode fazer por…” que dialogou com temas diversos como equidade racial, direitos das mulheres, mudanças climáticas, migrações, acesso e gestão dos recursos naturais, segurança pública e também gestão pública, este último a partir do olhar de um grupo de organizações com foco em qualificação da capacidade de ação da máquina pública do ponto de vista da gestão de pessoas.

Para o secretário-geral do GIFE José Marcelo Zacchi, é importante salientar o papel do investimento social privado na criação de capacidades mais do que na área fim. Na criação de condições, de base e de estrutura para que na ponta as coisas possam acontecer de maneira regular, com qualidade e com perenidade no dia a dia. “Esta questão não é óbvia dentro do arco do investimento em razão da demanda mais imediata. Por isso, eu gostaria de sublinhar o valor que tem o investimento social para criar tecido com capacidade de ação pública, que fortalece nossa capacidade de enfrentar desafios coletivos na sociedade e na gestão pública.”

Gestão pública para quê?

O encontro de lançamento foi conduzido pelos dois coordenadores da nova rede temática: Weber Sutti, da Fundação Lemann, e Natalia Leme, do Instituto Humanize. Eles contaram um pouco sobre a construção da aliança que deu vida à RT. “As duas organizações, além da agenda de gestão pública, têm outros grandes desafios. A Fundação Lemann tem uma trajetória grande em educação, o Humanize tem esse DNA do meio ambiente. Nós percebemos que não conseguiríamos alcançar os resultados que desejamos se não começássemos a trabalhar pelo fortalecimento da gestão pública e chegamos à conclusão de que trabalhar a gestão de pessoas no setor público é um dos principais desafios desta agenda no país”, contou Natalia.

“Na oficina sobre Gestão Pública no X Congresso GIFE, percebemos que vários dos problemas apresentados faziam interface com a gestão de pessoas e o olhar desde o pilar de atração, seleção, desenvolvimento, engajamento e desempenho faz muito sentido para nós, terceiro setor”, observou Weber.

A aliança entre as duas instituições institui o cofinanciamento de projetos na área de gestão de pessoas no setor público olhando para frentes de capacitação, reconhecimento, formação de rede e inteligência, esta última a partir da construção de um banco de dados com experiências brasileiras sobre recursos humanos e gestão de pessoas no setor público. Um dos principais projetos no momento é a implementação e sistematização de cases junto a órgãos públicos com a finalidade de dar escala à missão. Natalia contou que a aliança deu tão certo que já está integrando duas outras organizações: a Fundação Brava e o Instituto República.

Todos pela Gestão Pública

Neste primeiro encontro, uma dinâmica facilitou a identificação das expectativas de enfoques das instituições presentes para a agenda de trabalho da RT. A etapa suscitou elementos como transparência e inteligência de dados; advocacy; imagem do servidor e o serviço público; troca de metodologias formativas; plano de cargos e salários; concursos públicos; mapa de alavancas e atores do investimento social; gestão participativa e valorização dos mecanismos de controle social; atração, engajamento e retenção de servidores; modelo de gestão pública e valores; sistematização e difusão de cases; formação de lideranças; entre outros.

Para Sérgio Andrade, da Agenda Pública, o nível de ambição da rede é um aspecto muito importante. “Nós somos um coletivo com tanta potência, o tamanho do desafio é grande, mas acho que aqui nós podemos pensar em um movimento na linha de “todos pela gestão pública” A Gestão pública também é assunto da sociedade civil”. A rede pode num primeiro momento pensar no nivelamento, nas trocas, mas eu acho que o nível de ambição pode ser muito maior. Gestão pública não é assunto de órgão de controle, nem assunto de Estado. Chegou a hora de pegarmos para nós. Gestão pública é assunto da sociedade civil”, defendeu.

Na mesma linha, Weber salientou a necessidade de construir uma articulação da sociedade civil que vá além de uma aliança de quatro instituições. “Queremos trabalhar a gestão de pessoas no setor público para incidir na gestão pública. Acreditamos numa gestão pública mais eficiente e que as pessoas são uma alavanca para fazer essa mudança.”

Redes Temáticas

As redes temáticas constituem ambientes de diálogo propostos e coordenados pelos associados GIFE, que realizam o aprofundamento de temáticas específicas do investimento social a partir de sua atuação. Por meio das RTs, os associados podem envolver outras organizações, criando oportunidades para a geração e circulação de informações e conhecimento, proposição e execução de agendas comuns e compartilhamento de práticas, conectando e fortalecendo as temáticas propostas. Além da RT de Gestão Pública, o GIFE atualmente acompanha outras onze RTs.

Camila Aloi, assessora de Relacionamento do GIFE, explica que o tripé organização da sociedade civil, empresas e sua responsabilidade social no território e poder público é fundamental para alcançar a escala e o impacto desejados pelo investimento social. “Entendemos que a gestão pública é fundamental para o nosso país e identificamos que a gestão de pessoas no setor público é um gargalo enorme, pois muitas das nossas ações param na ineficiência desta gestão. Várias organizações atentas a isso identificaram a necessidade de focar este assunto. Por isso a importância desta rede temática. E estamos muito felizes com este lançamento porque conseguimos reunir atores muito diversos em sua atuação, porém com o mesmo foco de melhorar a gestão pública para alcançar seus objetivos”, destacou.

O grupo estabeleceu periodicidade bimestral para as próximas reuniões da rede. O próximo encontro está previsto para 13 de setembro.

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